A precária prevenção de acidentes dentro do COMPERJ

A prevenção é uma regra básica que vem sendo desprezada no Complexo

O trabalhador deve estar muito atento no campo de obra. São quase cinco mil profissionais de distintas origens e níveis de esclarecimento no COMPERJ aonde a Petrobrás mantém contratos com várias empresas. O efetivo do SMS é pequeno e não consegue acompanhar tudo o que acontece. Essa é a tarefa essencial também dos cipistas locais da CIPA de empregados da Petrobrás e de outras CIPAs de empresas terceirizadas, porque o foco neste caso não pode ser único, tem que ser no conjunto. Para isso, realizam-se diálogos de segurança e intervenções durante a atividade com trabalhadores e gestores, para ampliar e divulgar a cultura de segurança.

As medidas que foram tomadas pelos gestores a partir de questionamentos de trabalhadores junto aos cipistas não foram satisfatórias e não garantem a segurança de tantas pessoas trabalhando juntas em plena pandemia. Os cipistas agiram rapidamente e atuaram na melhoria dos protocolos de prevenção, na comunicação interna e nas ações que as empresas deveriam tomar como prevenção, culminando com o limite estipulado pela Prefeitura de Itaboraí de 30% de trabalhadores atuando no local. Mas, sem respeitar a importância do isolamento para a preservação de vidas, as empresas contratadas pela Petrobrás foram em busca do aumento do efetivo. Em maio, negociaram com a Prefeitura de Itaboraí o aumento do percentual de trabalhadores para 70% e em junho algumas empresas chegaram a 100%.

Porém, medidas restritivas de lotação em transporte e no restaurante, realização e testes e a obrigatoriedade de uso de máscara são ineficazes, porque não são frequentes e não há fiscalização suficiente para atuar sobre a quantidade de trabalhadores. Os discursos do governo federal incentivaram esses trabalhadores a deixar de lado as ações preventivas mínimas. E tornou-se inevitável a possibilidade de contágio nas aglomerações de entrada, de chegada aos canteiros, de uso dos vestiários, durante o almoço e principalmente na saída do COMPERJ. Nos canteiros, há laboratórios de teste e montagens de andaime, por exemplo, que exigem a passagem de peças ou o uso de máquinas por 4 pessoas.

Há regras, mas não há fiscalização. A Petrobrás tem entregado essa responsabilidade para as empresas contratadas e usa a “Nota Técnica” somente para parte dos trabalhadores. Mas, estes correspondem a apenas 20% do efetivo, expondo-os aos 80% que estão sem prevenção. É a total falta de responsabilidade!

O Sindipetro-RJ defende a paralisação das obras, que não são essenciais, com garantia de emprego e renda até o fim da pandemia.

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