Alimentação: o dilema dos turnos do Cenpes

Desde dezembro, quando a Gerência Executiva do CENPES decidiu e anunciou de forma unilateral que encerraria o fornecimento de refeição no restaurante interno para os trabalhadores de turno, o debate tem sido intenso. Durante a campanha salarial de 2017, o Sindipetro-RJ realizou uma enquete onde aproximadamente 80% dos trabalhadores afirmaram preferir a refeição no restaurante.

Para garantir o direito dos petroleiros, o Sindipetro-RJ alcançou na justiça uma liminar impedindo a mudança da alimentação in natura para cartão Sodexo.

No momento os trabalhadores estão recebendo um valor em dinheiro para alimentação, já que a empresa afirma que o cartão será validado em março.

As críticas à postura da empresa de suspensão da alimentação in natura são enormes. Os trabalhadores de turno explicam que são muitas as dificuldades para conseguir uma alimentação saudável e balanceada nas proximidades do CENPES. Durante o dia é necessário andar cerca de 20 minutos para sair do Centro de Pesquisas e encontrar algum local que forneça um prato feito, sem nenhuma qualidade nutricional.

Outra opção seria levar comida de casa ou congelada, coisa que muitos não têm como fazer. No horário noturno e finais de semana a situação é ainda mais complicada, já que o entorno do CENPES é bastante perigoso e não há onde se conseguir alimentação, restando apenas a opção de solicitar refeição através de aplicativos eletrônicos.

A alimentação in natura, segundo a direção do CENPES, foi suspensa porque o contrato com a empresa ficou muito caro, mas os petroleiros alegam que a qualidade da alimentação fornecida era boa, com opções de legumes e frutas, que não são possíveis com a compra de quentinhas. Fora isso, para os trabalhadores da gerência operacional que precisam estar constantemente próximos aos equipamentos e para os quais alimentação saudável e balanceada é fundamental para o exercício da profissão, sair para procurar uma forma decente de se alimentar coloca em risco inclusive a segurança operacional.

Ressalta-se ainda que o assunto era um dos pontos de pauta conduzidos pelo Sindipetro-RJ junto à Comissão Local, mas ainda assim a direção do CENPES discutia paralelamente em outros fóruns e à revelia do sindicato.

O episódio mostrou que a direção do CENPES parece desconsiderar totalmente a importância da referida Comissão, que acaba se tornando um fórum sem efetividade.

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