As veias abertas da Petrobrás

Por André Lobão

Há 50 anos Eduardo Galeano narrava como a Petrobrás sofria com a cobiça internacional

No período da ditadura militar, as grandes irmãs do petróleo como Esso, Shell, entre outras já abocanhavam segmentos importantes como a distribuição de combustível

O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, falecido em 2015, em sua obra mais conhecida, “As Veias Abertas da América Latina”, livro publicado em 1971,  discorreu sobre como se originou e ocorre o processo de  exploração econômica e a dominação política na América Latina, mostrando como naquela época a Petrobras foi atacada seu papel estratégico de zelar pela soberania energética do Brasil.

Mais atual do que nunca, Galeano cita em sua obra como a Petrobrás já era alvo da cobiça do capitalismo internacional e dos predadores do mundo do petróleo.

(…) “Nenhum outro recurso natural atrai tanto os capitais estrangeiros como o chamado “ouro negro” (…). O petróleo é a riqueza mais monopolizada no sistema capitalista. Não há empresários cujo poder político se compare com com o que exercem as grandes corporações petrolíferas” – definiu.
Galeano conta que já no período de sua pesquisa, a Petrobrás era a maior empresa do Brasil, contando também que ela já havia sido mutilada. “ O cartel lhe arrebatou duas grandes fontes de lucro: em primeiro lugar , a distribuição da gasolina, dos óleos, do querosene e de diversos fluídos, um estupendo negócio que a Esso, a Shell e a Atlantic manejam por telefone sem maiores dificuldades e com bom resultado que, depois da indústria automobilística, é a mais forte operação dos investimentos norte-americanos  no Brasil; em segundo lugar, a indústria petroquímica, generoso manancial  de proveitos, que há pouco tempo foi desnacionalizada pelo governo do marechal Castello Branco” –  mostrando que o jogo sujo contra a Petrobrás era o mesmo de hoje; até os nomes se repetem.

Até a finalização deste texto, a Petrobrás tinha como presidente um neoliberal entreguista com o mesmo sobrenome do militar entreguista e golpista de 1964,  arrematando a entrega da BR Distribuidora aos seus concorrentes. E que até o último dia 19 de fevereiro trabalhava incansavelmente para dilapidar o segmento petroquímico da empresa, sendo sumariamemte demitido por Bolsonaro que resolveu plantar o general Joaquim Silva e Luna no comando da empresa, gerando incerteza no mercado, grande fiador deste desastre governamental que vive hoje o Brasil.

Diante da narrativa de Eduardo Galeano e da incrível relação com a atualidade, não há como não deixar de parafrasear o filósofo Kal Marx, autor de O Capital: “ A história se repete, a primeira como tragédia, e a segunda como farsa”. E hoje vivemos a farsa do entreguismo com o desmonte e privatização da malha de dutos, gasodutos, refinarias, distribuição e dos campos de petróleo.
A grande diferença entre a época relatada por Galeano e a atual é que no passado a categoria petroleira se mobilizava fortemente. Por isso, apenas agora conseguem evoluir tão rapidamente com as privatizações dos ativos da Petrobrás.

Reage petroleir@!

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