Celebrar a Consciência Negra com preocupação em relação ao que vem por aí Petrobras

Celebrar a Consciência Negra com preocupação em relação ao que vem por aí

Desde 2005, a Petrobrás integra o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres e apoiado pela Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres). Segundo a Petrobrás, esse Programa tem como propósito a eliminação de todas as formas de discriminação no acesso, na remuneração, na ascensão e na permanência no emprego.

Às vésperas do início do novo governo, cujo presidente eleito,  Jair Bolsonaro, é identificado com uma retórica racista, como evidenciado pelo tom depreciativo de muitos dos seus discursos , que minimizam questões importantes como políticas de reparação, os empregados negros da Petrobrás vivem a expectativa do que virá com o novo governo.

“Eu fui num quilombo, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles” – em discurso no Clube Hebraica em 2017.

Em seu balanço social de 2017, a empresa informa já foi contemplada cinco vezes consecutivas com a certificação do Selo Pró-Equidade. Durante o período do Plano de Ação 2016-2018, a Petrobrás promove uma pesquisa interna para conhecer a evolução das carreiras em nossa companhia, sob os aspectos de cor/raça e gênero.

No mês (novembro) da celebração da Consciência Negra, os empregados negros da Petrobrás debatem como sua presença na empresa ainda carece de maior representatividade.

“Por ser mulher e negra na Petrobrás, onde atuo 16 anos, na área industrial, sempre sofri questionamentos sobre minha capacidade. Ao longo desse período passei por situações de preconceito e constrangimento. Ser mulher e negra e Petrobrás não é fácil, mas resistimos com muito esforço”  – conta Márcia Francisco Paixão, técnica de operações do TABG.

Com três anos na BR Distribuidora, onde atua como assistente social, Francineide Abreu diz que não importa a qualificação , pois os negros e negras ainda sofrem com o preconceito.

“Eu continuo sendo parada na porta do banco, sendo seguida em loja. Então o não lugar é qualquer lugar. Porque sempre existe aquela visão de que eu não possa ter dinheiro para comprar e posso ser uma ‘ameaça’ à segurança bancária. Enfim, o tempo inteiro precisamos lidar com esse tipo de situação e resistir”- disse em depoimento em um encontro promovido pelo GT de Diversidade ocorrido em 31 de julho último no Sindipetro-RJ.

Especialmente diante dessa nova realidade , em que o exercício do poder político do país estará a cargo de um grupo político de mentalidade arcaica e descompromissado com as reparações históricas do Brasil, o que o trabalhador e a trabalhadora negros do sistema Petrobrás e de todo Brasil podem esperar diante deste  contexto?

 

Versão do impresso Boletim Especial  da Consciência Negra

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