Cenpes sofre com desinvestimento e desmandos da gestão: todos às assembleias

A direção da Petrobrás anunciou um corte de cerca de 30% no orçamento de pesquisa do CENPES, sem quaisquer justificativas. Nem mesmo os gestores da Unidade entendem as razões para tal. Ora, os contratos para Exploração, Desenvolvimento e Produção de petróleo e gás natural apresentam cláusulas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, garantindo ao CENPES recursos da ordem de 1% (Concessão e Partilha) ou 0,5% (Cessão Onerosa) da receita bruta da produção dos campos que pagam Participação Especial. Uma vez que a produção do Pré-Sal só aumenta e que ainda houve as glosas da ANP no passado, gerando um passivo de recursos a ser gasto, o que pode justificar este corte absurdo senão a política de destruição da empresa defendida e praticada por Castello Branco? Isso ainda acentua cada vez mais a precarização das condições de trabalho e a defasagem tecnológica do Centro de Pesquisas.

Assédio como rotina na unidade

A pressão gerencial baseada na política do assédio contra os trabalhadores da operação, próprios e terceirizados, exigindo mais produtividade, fica nítida com a absurda quantidade de Permissões de Trabalho (PTs) emitidas diariamente. Como participante de diversas Comissões de Investigação de Incidentes/Acidentes e das reuniões da CIPA, o Sindipetro-RJ apura situações e ouve relatos de trabalhadores que denunciam a pressão gerencial que compromete os procedimentos e condições de segurança, além de inúmeras situações, como o fato de o Complexo CENPES/CIPD ser equivalente a uma refinaria e não atender aos requisitos e exigências da NR-13 (norma de segurança para operação de vasos de pressão, caldeiras, tubulações e tanques). Isso ocorre sem que a direção da unidade adote atitudes efetivas para atender à norma regulamentadora, que tem força de lei, ou para cobrir o déficit de pessoal, haja vista que a redução de efetivo é uma triste realidade no sistema Petrobrás. O crescente número de desvios, incidentes que se aprofundam em grau de risco e a ocorrência de acidentes, ainda que sem fatalidades, pode levar a situações mais graves. Vamos esperar acidentes com mortes? Cabe destacar a interferência de gestores nos trabalhos das Comissões de Investigação de Incidentes/Acidentes: relatórios que são travados, trechos da redação alterados à revelia da Comissão, embromação na conclusão da investigação etc. Gestores e técnicos “alinhados” acusaram o Sindicato de não querer assinar determinados relatórios (após interferências gerenciais). É preciso deixar claro que neste tipo de situação o papel do Sindipetro-RJ é de acompanhar as investigações, defendendo a implantação de medidas que impeçam ou minimizem as possibilidades de reincidência do incidente/acidente, e não o de coadunar com interferências indevidas em relatórios que acabam sendo manipulados por expor as falhas da gestão. Por tudo isso, fazemos um chamado a você, trabalhador e trabalhadora do CENPES: participe da assembleia desta quinta-feira (16) e venha defender a Petrobrás e nossos empregos!

Um chamado aos trabalhadores e trabalhadoras do Cenpes e de todas as unidades!

Nas refinarias, termelétricas e demais unidades operacionais sob regime de turno, a gestão de Castello Branco, o pau mandado de Paulo Guedes, ataca os trabalhadores, alterando as regras do jogo em detrimento da saúde, da remuneração e da vida social das pessoas, como o caso da tabela de turno e do banco de horas. A tática aplicada é a da corda no pescoço, obrigando os trabalhadores a aceitarem condições desvantajosas, mediante ameaça ou implantação da tabela 3/2, desde que a categoria abra mão do passivo jurídico existente. Tudo isso para vender mais facilmente, agora, as refinarias e termelétricas – como nos casos seguidos de demissão em massa, da BR e Araucária Nitrogenados (ANSA). A descaracterização e, por fim, extinção da PLR, com a acintosa valorização da hierarquia com o PPP, servem para aumentar as disparidades salariais entre os petroleiros e concentrar renda nas mãos daqueles que ganham muito para privatizar, assediar e demitir. Não vamos deixar a direção da Petrobrás impor goela abaixo dos petroleiros uma agenda tão danosa ao povo brasileiro e à categoria, atacando por todos os lados. Temos que recompor a tropa e enfrentar esses ataques como um todo, unificando a luta contra estes pontos com as demandas gerais e específicas em uma PAUTA PETROLEIRA 2020. Estamos realizando assembleias setoriais esta semana, sendo que a ADM do CENPES acontece nesta quinta-feira (16) (11h30, na Portaria 1) e, a partir do dia 23/1, nas trocas de turno. De forma coletiva, queremos discutir um balanço deste último período e organizar uma jornada de lutas e mobilizações em fevereiro.

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