Gestores da Transpetro: “valentes” contra os trabalhadores, subservientes ao capital

Bastaram apenas algumas cápsulas de café para desqualificar os 11 anos de bons serviços prestados à Transpetro por parte do engenheiro Vinícius Giorgetti. Profissional reconhecido por sua idoneidade, ética, responsabilidade e capacitação técnica, Vinícius, que passou a maior parte da vida laboral no estado de São Paulo, foi transferido para trabalhar na sede da subsidiária no Rio, em abril deste ano, tendo sido indicado para assumir uma consultoria. Ao longo da carreira fiscalizou diversos contratos, inclusive o último no valor de R$ 107 milhões na construção de 31 km do oleoduto OPASA 16, porém, nada disso pesou diante das valiosas cápsulas de café da Brookfield.

Exatamente por causa delas, um mês após um evento da NTS ocorrido em abril, Vinícius foi demitido por justa causa! No comunicado de dispensa, enviado em 15 de maio, a empresa informa que o empregado estava sendo demitido em “razão da prática de falta grave , enquadrada no artigo 482, “b”, da CLT, a qual restou caracterizada pelo comportamento inadequado nas instalações de empresa cliente, com danos à imagem da Transpetro”. E que falta grave teria sido esta? Durante um evento da NTS para o qual Vinicius fora convidado a participar, na condição de recém-transferido para o Rio de Janeiro, ele retirou algumas cápsulas de café a disposição para consumo, em mais de uma ocasião.

A direção da NTS teria enviado uma carta para a presidência da Transpetro queixando-se do comportamento dele e, por sua vez, a subsidiária, preocupada em demonstrar serviço ao gosto da cliente, configurou o ocorrido como falta grave, não dando a Vinícius sequer o direito de se defender. O Sindipetro-RJ, ciente do ocorrido, buscou a Gerente Executiva do RH da Transpetro para entender o caso e buscar reverter a situação considerada injusta. Porém, a representante da empresa manteve-se irredutível diante do apelo.

Nesta história inacreditável, chama a atenção o fato de uma ocorrência que poderia ter sido resolvida com uma simples advertência ter chegado ao conhecimento do topo das hierarquias das duas empresas, Transpetro e NTS, como se não houvesse questões mais relevantes para ocupá-las. Também é digna de nota a subordinação da presidência da subsidiária à NTS, como se agora a empresa cliente desse as ordens dentro da Transpetro. A punição desproporcional aplicada sem dúvida foi uma demonstração da Transpetro à NTS de que qualquer mínimo desvio será punido com rigor, ainda que um simples fato desqualifique os méritos de uma vida profissional inteira.

O Sindipetro-RJ insiste nas negociações, buscando agora uma reunião direta com o presidente da Transpetro, enquanto, adicionalmente, Vinícius busca acesso ao relatório da Comissão de Investigação via Lei de Acesso à Informação. Medidas judiciais cabíveis serão tomadas para reverter mais este absurdo. O caso está sendo acompanhado também pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo.

 

Versão do impresso Boletim LXXV

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