A visita de Sérgio Moro e os ataques à Petrobrás

Por ocasião do anúncio da presença do Juiz Sérgio Moro na Petrobrás, estabeleceu-se um debate sobre o significado e o papel cumprido por ele e pela Operação Lava-Jato e sua influência sobre a situação do país.

Foi redigido inclusive um manifesto cuja ideia central imputa à Lava Jato a culpa pelo crescente processo de entrega de nosso petróleo ao capital estrangeiro e também pela crise que passa a Petrobrás e a economia brasileira.

Sérgio Moro e a Lava-Jato não merecem nenhuma confiança. Não representam a luta contra a corrupção. O Judiciário é uma instituição deste Estado capitalista e, como tal, está a serviço daqueles que comandam o país e da manutenção do status quo.

Denunciamos a Lava Jato pelo seu caráter de classe e sua parcialidade. Consideramos que todos podem e devem ser investigados e que TODOS os corruptos e corruptores devem ser não só presos como ter seus bens confiscados.

Por isso, não iremos aplaudir Sergio Moro no evento promovido pela Petrobrás. Sabemos que esse evento é uma manobra midiática da direção da empresa, que procura passar uma imagem de honestidade e combate à corrupção.

O odioso governo Temer tem promovido ataques profundos aos direitos dos trabalhadores e ao patrimônio público. Temos que cruzar os braços e ir às ruas e para derrotar essa política e colocar esse governo e esse congresso de picaretas para fora.

No entanto, atribuir à Lava Jato ou apenas ao atual governo de Michel Temer a entrega do petróleo brasileiro ao capital internacional é um equívoco. Durante 14 anos, os governos petistas conseguiram ser tão entreguistas quanto os de FHC.

Os governos do PT foram campeões na entrega do nosso petróleo ao capital estrangeiro

FHC acabou com o monopólio estatal do petróleo e ampliou a entrega de nossas riquezas para o capital estrangeiro, com o primeiro leilão de áreas de exploração tendo ocorrido em 1999.

Quando Lula assume, ao invés da esperada reversão ao monopólio, o que tivemos foi a continuidade da concessão e uma lei para partilhar a riqueza do Pré-sal.

O alegado avanço de que a Petrobrás passou a ser operadora de todos os campos do pré-sal é mera ilusão. A direção petista da Petrobrás terceirizou a operação dos seus próprios campos de Petróleo para a japonesa Modec e a holandesa SBM. O papel da Petrobrás na grande maioria das plataformas do pré-sal é de apenas fiscalizar o trabalho das multinacionais.

A entrega se aprofundou. Na 6º Rodada, em agosto de 2004, o governo Lula leiloou 913 blocos. Em continuidade, foi leiloada 37% da área do Pré-Sal. Entregaram por R$ 3,258 bilhões uma riqueza que vale hoje, no mínimo, R$ 7,6 trilhões. Leiloaram 55 bilhões de barris de petróleo bruto. O valor da venda foi apenas simbólico, 0,03% do valor.

Dilma, na 11° rodada da ANP, ofertou 289 blocos de petróleo, com enorme potencial de exploração – segundo a ANP, 30 bilhões de barris.

Mas o que marcou o ano de 2013 foi a escandalosa venda do campo de Libra, do pré-sal, a maior reserva de petróleo já descoberta no país. Vendida por R$ 15 bilhões e estimada na ocasião em no mínimo R$ 3 trilhões.

Se alguém ainda tinha dúvida da capacidade dos governos petistas em privatizar e entregar de mãos beijadas nossas riquezas, o leilão de Libra deixou bem nítido que, apesar do discurso, a política do PT foi, na essência, a continuidade da política dos tucanos.

O nefasto plano de desinvestimento, de venda de ativos (privatização fatiada), que está sendo aplicado pela dupla Temer/Parente, foi elaborado e teve sua execução iniciada pela dupla Dilma/Bendine.

O Brasil, respeitando a posição que nos é imposta na divisão internacional do trabalho, de exportador de commodities, infelizmente está cada vez menos soberano e mais dependente do imperialismo.

A partir do momento em que se instalou uma das maiores crises econômicas mundiais e o preço do barril do petróleo caiu de 150 para 40 dólares aproximadamente, o nosso país encontrou-se totalmente vulnerável.

É isso o que explica a dimensão da crise no país, a diminuição de arrecadação de royalties, os cortes nos investimentos da Petrobrás e a queda na atividade econômica. E não simplesmente uma operação da polícia federal.

A responsabilidade pela queda da Dilma é principalmente do próprio PT

No debate, chega-se a afirmar que a Lava-Jato “é o principal fator que viabilizou a ascensão ao poder central da quadrilha de Michel Temer”.

No momento logo após a posse de Temer, o PT conseguia mais facilmente se colocar como vítima de um golpe, mas este discurso hoje em dia perde cada vez mais a sua credibilidade. Se Temer atualmente é o presidente do país e ataca fortemente a classe trabalhadora, a culpa é também do PT e sua política nefasta de alianças com a burguesia e o que há de pior na política brasileira. Alianças essas, aliás, que seguem existindo com os partidos “golpistas”, como o PMDB. Já está anunciada a parceria PT-PMDB em pelo menos 6 estados brasileiros para as eleições de 2018.

A política do PT e PCdoB, entre outros partidos então governistas, à frente de grande parte dos sindicatos, com seus dirigentes galgando cargos nas empresas e governos, domesticando e deseducando o movimento sindical, dificultaram – e continuam sendo um obstáculo – a resistência dos trabalhadores.

Sem dúvida, Temer aprofunda os ataques – que vinham sendo feitos por Lula e Dilma – com uma escandalosa política de privatizações. Mas dizer que isso ocorre por culpa do Moro não corresponde à realidade.

Os petroleiros devem lutar por uma Petrobrás 100% estatal sob controle dos trabalhadores

A conjuntura é, como já foi dito, de muitos ataques, tanto na forma de retirada de direitos quanto na crescente privatização de nossas riquezas.

Felizmente a classe trabalhadora não assiste calada a esse turbilhão. As lutas, que muitas vezes têm que ocorrer contra as grandes centrais sindicais e federações (o que não é o caso da CSP-CONLUTAS e da FNP, ressaltamos), como ocorreu neste dia 05 de dezembro, dão o tom principal da situação política nacional.

Os petroleiros têm um desafio: combinar a sua campanha por um ACT sem retirada de direitos com a luta pela volta do monopólio.

Essa luta é diretamente contra Temer e Parente, que tentam usar a Lava Jato como uma demonstração de que combatem a corrupção. Isso só pode ser entendido como uma grande piada de mal gosto. Afinal, está a olhos vistos que há uma articulação entre PT, PMDB e PSDB para por fim às investigações.

Não temos nenhuma confiança na Lava Jato, mas entendemos que expressa de forma contraditória a crise política entre os poderosos – exemplo disso é a prisão de Sergio Cabral.

Tampouco concordamos com qualquer tentativa de absolver ou diminuir a responsabilidade dos governos petistas e de seus aliados de hoje e de outrora quanto à entrega do petróleo brasileiro ao imperialismo ou com a tese de que o problema é a investigação, sua parcialidade, e não a corrupção constatada.

Comemoramos cada condenação e prisão de corruptos. Não temos corruptos de estimação.

Queremos as prisões imediatas dos demais corruptos e o confisco de todos os seus bens!

Estatização de todas as empreiteiras envolvidas em corrupção para a pronta indenização da Petrobrás e dos trabalhadores para retomarmos nossos investimentos, projetos e obras e os decorrentes empregos!

Não caiamos novamente na mesma armadilha eleitoral de quem já se demonstrou indigno de nossa confiança.

Só a luta direta e independente dos trabalhadores pode levar a uma real mudança da situação do país.

OS TRABALHADORES DA PETROBRÁS SEMPRE LUTARAM CONTRA OS CORRUPTOS. NÃO FOI DIFERENTE NOS GOVERNOS ANTERIORES E NÃO SERÁ AGORA.

Rio de Janeiro, 07/12/2017
Eduardo Henrique e Claiton Coffy

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