Petrobrás inflexível já no início das negociações

Na primeira série de reuniões com o RH da Petrobrás para discussão do ACT 2017, realizada na semana passada, entre os dias 20 e 22, ficou clara a disposição da direção da empresa em aprofundar sua política de retirada de direitos dos trabalhadores do sistema e sem intenção real de negociar.

Na proposta, por exemplo, a direção da Petrobrás propõe reajuste salarial de 1,73%; cortar pela metade a remuneração de horas extras, que atualmente é um adicional de 100%; 0% de reajuste para os Benefícios Educacionais; migração obrigatória para o Vale Refeição/Vale Alimentação; reajuste de 34% para a tabela de Grande Risco da AMS; fim da Gratificação de Campo Terrestre; fim do Benefício Farmácia; fim do Programa Jovem Universitário; pagamento de 2/3 da gratificação de férias como abono; fim da promoção por antiguidade de Pleno para Sênior nos cargos de nível médio, novas modalidades de redução de salário e jornada, além de outros ajustes.
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) analisou item a item todas as modificações sobre as cláusulas do ACT 2015 e constatou diversas perdas de direitos que a direção da empresa quer empurrar goela abaixo dos trabalhadores e destacou uma série de retrocessos na reunião desta sexta-feira (22).

Ainda no encontro desta sexta, a FNP expressou repúdio pela demissão de quatro petroleiros aprovados em concurso público, convocados por liminar judicial em 2015. Uma vez que a Justiça derrubou a liminar em janeiro deste ano, a direção da Petrobrás optou pela demissão dos petroleiros, mesmo após dois anos de trabalho. Lourival Júnior, diretor do Sindipetro- PA/AM/MA/AP e da FNP, criticou o recurso concedido a João Elek que conseguiu a revogação da advertência aplicada a ele em agosto (ver box). “Como a Petrobrás pode demitir quatro trabalhadores e perdoar um gestor que homologou um contrato em situação de conflito de interesses?”

No transcorrer da mesa de negociação, a diretora Sindipetro-RJ, Carla Marinho informou que a mera observação do Portal Petrobras mostra que 95% dos trabalhadores que comentaram a notícia do ACT já rejeitaram a proposta. Como os sindicatos poderiam fazer diferente?

Não vamos esperar para ver. Vamos à luta.

Elek, não!
A FNP protestou na reunião do dia 22/9 contra a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que revogou no dia 18 de setembro a advertência aplicada a João Elek, então diretor de Governança & Conformidade da Petrobras, que contratou a Deloitte sem licitação no fim de 2015. A empresa, para a qual sua filha presta serviços, fechou contrato R$ 25 milhões para realizar auditoria e consultoria empresarial para a companhia.

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