Biocombustíveis: sonho de Castello Branco é pesadelo para brasileiros

Sair completamente do setor de biocombustíveis faz parte dos planos do atual presidente da Petrobrás, aliás, mais que um plano, este é um sonho de Castello Branco: privatizar toda a Petrobrás! E essa vontade é incentivada por quem quer a estatal bem longe deste rentável e promissor setor, como, por exemplo, o empresário Erasmo Carlos Battistella, que chegou a ser chamado de “tremendão do biodiesel”. Ele já sentou no Conselho Administrativo da Petrobrás, da Usiminas e da Bradespar; preside a BSBIOS, a Associação Brasileira de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) e acionista único da sua própria holding, a ECB Group.

No início deste mês, no VI Simpósio de Eficiência Energética, Emissões e Biocombustíveis, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Battistella palestrou sobre “Visão para os biocombustíveis avançados e o Renovabio”. Por videoconferência, o evento reuniu especialistas que desejam implantar tecnologias globais e desenvolver tecnologias locais. Battistella abriu o simpósio falando sobre biodiesel, diesel verde e bioquerosene de aviação. “Essas são as soluções de sustentabilidade para o nosso planeta!”, afirmou.

Desinvestimentos na Petrobrás

Completamente na contramão do mercado, o desmonte da maior empresa do Brasil segue um trajeto sem sinal vermelho. No caso da subsidiária Petrobrás Biocombustivel (PBIO), colocada à venda em julho deste ano, a redução em participações em unidades começou em 2016.

BBB foi vendida por um décimo do que valia

A Belém Bioenergia Brasil (BBB) foi um empreendimento formado em 2011 em conjunto com ações distribuídas meio a meio entre a Petrobrás, através da PBIO, e o grupo de empresas portuguesas GALP. Projeto que envolveria pelo menos mil agricultores familiares da região.

Em 2019, já no governo de Jair Bolsonaro, a Petrobrás saiu do negócio e vendeu seus ativos na BBB por apenas R$ 24,7 milhões – 11,1% do valor real, considerando a participação da estatal no patrimônio líquido da BBB declarado em 2018 em R$ 221,7 milhões. Em artigo detalhado (https://aepet.org.br/w3/index.php/2017-03-29-20-29-03/cartas-da-aepet/item/5066-participacao-da-petrobras-na-belem-bioenergia-brasil-bbb-avaliada-em-r-205-milhoes-vendida-por-apenas-r-24-7-milhoes) a Associação de Engenheiros da Petrobrás (AEPET) analisou todo o histórico da BBB e da transação concluindo que houve uma incompetência absoluta da área de desinvestimentos da Petrobrás.

BSBIOS: brasileiros perdem sua maior fabricante de biodiesel

Em dezembro de 2019, a Petrobrás divulgou a saída da BSBIOS, produtora de biodiesel com maior quota de mercado no Brasil, que atua na região sul com usinas localizadas em Marialva e Passo Fundo e capacidade de produção de 828 milhões de litros de biodiesel por ano. O negócio está sendo feito em nome da PBIO. A manobra neste caso é a seguinte: a BSBIOS é metade da Petrobrás e metade da RP Biocombustível, subsidiária integral da ECB Group, a empresa de Battistella.

A operação levantou suspeitas e tornou-se no mínimo confusa quando Battistella afirmou primeiro que não iria se desfazer da sua participação e depois divulgou que participaria do processo como comprador da parte da Petrobrás.

É preciso saber que por causa de uma transação da época da compra de Marialva, a PBIO é extraoficialmente proibida de fazer negociações diretas com a RP e por isso iniciou a venda de 100% do ativo. Aconteceu o seguinte: a usina de Marialva foi comprada pela RP em 2009 por R$ 35,7 milhões e apenas seis meses depois a Petrobrás comprou a metade por R$ 55 milhões. O sobrepreço foi confirmado em auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União e o episódio ganhou o apelido de “mini-Pasadena”.

Porém, quem aparece mais animado em adquirir metade das ações da BSBIOS é Battistella e quem está mais animada em vendê-las é a Petrobrás que já anunciou em 27 de abril passado, a fase vinculante para receber as ofertas dos interessados. Mas existe mobilização da sociedade contra esta destruição da estatal. Como um desinvestimento deste porte pode estar sendo mantido diante da pandemia e de todos os riscos econômicos que a conjuntura apresenta neste momento?

O Sindipetro-RJ está na luta contra a venda de ativos da Petrobrás e contra a repetição de histórias como a da BBB que só prejudicam toda a população brasileira. Não às privatizações!

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