Antes do CENPES, de 1955 a 1963, a pesquisa era desenvolvida no CENAP-Petrobrás, que era o Centro de Aperfeiçoamento e Pesquisas de Petróleo. O CENAP tinha como objetivo preparar mão de obra especializada para a expansão de atividades voltadas à exploração e industrialização das reservas petrolíferas
O início das pesquisas na área de petróleo foi estruturado como uma universidade, segundo a metodologia científica, com experimentações laboratoriais e interações entre as áreas de estudo, a própria arquitetura do CENPES, original, expressa essa metodologia.
O desmonte do CENPES é físico, pois até a arquitetura foi atingida, e laboratórios destruídos. A base da tecnologia da Petrobrás foi estruturada pela experimentação e disseminação do conhecimento. Quando o CENPES completou 50 anos, em 2013, a então presidente da Petrobrás reconheceu: “Conhecimento é soberania e tecnologia é a expressão material do conhecimento. Conhecimento e soberania estão colados um ao lado do outro”.
No entanto, o CENPES vem sofrendo um processo de desmonte que ainda não cessou! Foi construído um fosso entre os pesquisadores e os laboratórios. Os pesquisadores foram sendo transformados em “fiscais de contratos de terceirização” da Pesquisa e Desenvolvimento da tecnologia – que em parte já não é mais da Petrobrás. Enquanto isso, os laboratórios reunidos em aglomerados, foram adotando uma prática de laboratórios de prestação de serviços, não mais de pesquisa.
Para completar o desmonte, as atividades de suporte à pesquisa e desenvolvimento (P&D) foram entregues a um órgão da Petrobrás que entende de suporte às instalações prediais, e nada de CENPES, tendo por consequência a falência do suporte, tal como a manutenção especializada de laboratórios ou estratégia de compras compatível com o P&D.
Os pesquisadores deveriam ter recursos para respirarem o conhecimento, a pesquisa, a tecnologia, os processos, as experimentações, mas convivem com sucessivas gestões mais ou menos privatistas. O CENPES deveria ser isso! Hoje, com quase 63 anos, o Centro de Pesquisa tenta sobreviver aos piores anos da sua história. Um período sombrio onde a pesquisa foi tratada como descartável em uma gestão explicitamente privatista, com a implantação da política do medo, com a retirada de consultorias e punições aos pesquisadores que se manifestavam contra a gestão.
Resumindo, o sucateamento dos laboratórios, redução de efetivo, término do suporte operacional próprio, separação de pesquisadores dos laboratórios, estes das linhas de pesquisa e estudo; e a implantação da terceirização a baixo custo com medições de produtividade, a exemplo do contrato com a Firjan. Então, de uma constante luta do Sindicato para vencer essa batalha surgiu o “Reage CENPES!
E o Sindipetro-RJ se fez ainda mais presente devido às insatisfações, o aumento das reclamações de assédio e o descumprimento de acordo coletivo de trabalho e da legislação trabalhista, por alguns gestores. Estivemos muito mais próximos das operações e denunciamos as condições de trabalho e descumprimento de normas de segurança pela gerência do compartilhados na unidade.
O Sindipetro-RJ tem atuado no CENPES muito próximo aos pesquisadores, operadores e terceirizados. Assim, o Sindicato pode identificar problemas na origem e levar as demandas para as reuniões quinzenais com a comissão local, como uma primeira alternativa na busca das soluções dos pleitos. Desta forma, o Sindicato segue em luta defendendo uma unidade de excelência que é a vanguarda tecnológica da Petrobrás e seus trabalhadores como um todo, sem qualquer distinção da cor de crachá.