A 5ª República sob Chavez/Maduro, rentista como as anteriores, nunca se confirmou como uma autoestrada para o Socialismo do Século XXI. Agora, engataram uma marcha à ré supersônica na Venezuela dos Rodriguez que remonta ao marco regulatório de Pérez Jiménez (*)
O recente acordo sobre o petróleo venezuelano, ilegal e ilegitimamente firmado entre os insaciáveis piratas de Washington e a ditadura tutelada de Caracas, significa um dos maiores assaltos ao patrimônio dos povos latino-americanos e caribenhos, condenando dezenas de gerações às mazelas da opressão colonial, para garantir um provimento de petróleo estável e a baixo custo, repondo as Reservas Estratégicas de Petróleo dos EUA e ajudando a fazer a América great again, enquanto tentam se reconstruir após o terremoto duplo de 24 de junho, com uma inflação passando de 640%, um salário mínimo de US$0.16 (16 cents mesmo, você não leu errado) e preços nos restaurantes que não perdem para o Rio de Janeiro.
A rapina Donroe assumirá o controle de mais de 20% das reservas comprovadas de petróleo cru do país (65 de 303 bilhões de barris), 17 estratégicos greenfields e 8 blocos na Faixa de Orinoco.
Saqueadores comparáveis apenas à ditadura do início do século passado
Não à toa, a ultradireita se regozija do “presente da Venezuela para os americanos”, “o melhor acordo jamais feito”.
Enquanto Trump exala sarcasmo, Delcy recorre ao cinismo para afirmar que a soberania nacional está resguardada no acordo, que este vai garantir ingressos de US$200bi e recuperar a indústria do país.
Sem dizer que a NABEP, empresa da corrupta boliburguesia, que será sócia majoritária na produção e que o Departamento de Guerra americano tem 35% de suas ações, terá um contrato de fornecimento, a preço de custo, de 20% de toda sua produção, pelos próximos 100 anos, para o Departamento de Estado.
Construir a unidade dos petroleiros de toda a América Latina e Caribe!
Desde o Brasil, mobilizemos nossos recursos para que esse acordo seja revogado! Vamos ajudar nossos irmãos venezuelanos a impedir qualquer contrarreforma trabalhista, recuperar os direitos democráticos, libertar os presos políticos!
Inspiremo-nos na histórica resistência dos petroleiros de Puerto la Cruz, cerquemos de solidariedade as mobilizações convocadas pelo Comitê Nacional de Conflito dos Trabalhadores em Luta CNC-TL (como a dos aposentados da CANTV, que protestam na Plaza Caracas, e nos mobilizemos, petroleiros e demais trabalhadores de todo o continente!
Seja no Brasil, pela estatização completa da Petrobrás e contra os leilões da ANP, seja na Venezuela, pelo monopólio dos hidrocarbonetos, explorado unicamente por uma PDVSA 100% estatal e sob controle dos trabalhadores – sem multinacionais ou empresas mistas.
Que toda a renda petroleira seja voltada para combater a gravíssima crise social e humanitária que assola o país, investindo massivamente em saúde, infraestrutura e imediata e significativa recuperação dos salários!
> Construir o Dia Continental em Defesa dos Recursos Estratégicos!
> Fora Trump!
> Fora imperialismo da América Latina!
> Por uma Segunda Independência!
OBSERVAÇÕES:
* Delcy Rodriguez é a chefe do governo venezuelano, sucedeu Maduro à frente do regime, abriu negociações com Donald Trump, presidente dos EUA, que resultou em alterações na Lei dos Hidrocarbonetos, abrindo o setor ao capital estrangeiro e dominado pelos EUA e dando maior autonomia às empresas privadas para operar, comercializar e vender a produção de petróleo e gás, inclusive com a possibilidade de administrar receitas fora do controle exclusivo da PDVSA.
* Foram autorizadas transações anteriormente proibidas. Essa licença permite que entidades norte-americanas comprem, vendam, transportem, armazenem, comercializem e refinem petróleo bruto venezuelano, inclusive em operações com o governo venezuelano, a PDVSA e outras entidades estatais, que estavam amplamente bloqueadas desde 2019.
* O novo acordo, negociado em segredo e anunciado em 28 de agosto de 2026, por EUA e Venezuela, aprofunda sobremaneira as já entreguistas alterações realizadas no início do ano.
* Durante a ditadura de Pérez Jiménez (1952-58) vigorou o regime de concessões a transnacionais.
* No 2º perído do Punto Fijo (anos 70), houve nacionalizações, monopólio e criação da PDVSA.
* Nos anos 90, ainda sob o Punto Fijo, sucedeu-se a Apertura, com parcerias privadas.
* Chavez introduziu dispositivos de maior controle estatal, aumento dos royalties, expropriações e obrigatoriedade de empresas mistas com maioria da PDVSA.