A unidade que queremos e a unidade que nos oferecem

A unidade da mordaça e da camisa de força

Outra armadilha, ainda mais explícita, são as propostas que exigem adesão ao que apelidamos de “protocolo fantasma”. Trata-se de um rol de exigências da FUP para se sentar à mesa única de negociação, que na prática impõe a mordaça e a camisa de força aos sindicatos. Esse modelo proibiria os sindicatos como nós do Sindipetro-RJ de publicar opiniões próprias e obrigaria a todos a seguir o indicativo da FUP, mesmo que contrário aos interesses de sua base. Essa é a unidade da “paz dos cemitérios”, onde a divergência é esmagada e a crítica silenciada.

É nisso que a FUP se sustenta para não responder ao chamado de mesa única de negociação, porque quer uma unidade para concordar com o RH nos bastidores, para costurar acordos e chegar nas assembleias já com tudo alinhado com a direção da empresa.

A história nos alerta: por que a FUP dividiu a categoria?

É preciso lembrar como a FNP surgiu. Em 2006, a direção da FUP, utilizando-se de todos os meios para controlar a Federação, chegou a fraudar processos democráticos para impor a vontade do patrão. O maior conflito da época era a “Repactuação” do plano Petros, um esforço hercúleo da Petrobrás para retirar direitos de aposentadoria de milhares de trabalhadores.

Sem hesitar, a direção da FUP comprou a briga do RH da empresa. Perseguiu dirigentes que se opuseram à proposta e, em um ato autoritário, impediu a participação de dois sindicatos filiados (AL/SE e PA/AM/MA/AP) em seu congresso. A liderança da FUP ignorou os apelos e aprovou o apoio à Repactuação, o que resultou em uma perda histórica e irrecuperável para a categoria, gerando uma economia de bilhões de reais para os acionistas.

Para garantir que a ordem do governo e da empresa fosse cumprida, a corrente majoritária da FUP sepultou a democracia interna. Ficou claro que não haveria mais espaço para disputa ou oposição nos temas que interessassem à direção da Petrobrás.

Foi assim que a direção da FUP rachou a unidade nacional petroleira. E foi para reconstruir uma direção verdadeiramente independente, democrática e de luta que a FNP foi criada. Nossa história é a prova de que a unidade só tem valor quando serve para ampliar direitos, e não para nos submeter.

 

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