Acionistas comemoram os 32,7 bilhões da Petrobrás: lucros recordes para quem?

A Petrobrás anunciou no dia de ontem (06/11), em tom de muito orgulho, um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025 – um salto de 23% em relação ao trimestre anterior. Os números, divulgados pela própria agência da companhia, são impulsionados por um desempenho operacional gigantesco: produção recorde de 3,14 milhões de barris de óleo e gás por dia e um fator de utilização das refinarias (FUT) em 94%

 O que precisamos nos perguntar, por trás da frieza dos balanços, é o dilema central que temos apontado acerca dos rumos da Petrobrás em sucessivos anos, mesmo sob a gestão do governo Lula e de Magda: para quem, afinal, essa riqueza é gerada?

Enquanto a direção celebra o “retorno aos seus acionistas”, temos questionado a distribuição desse bolo. O lucro não é uma mágica contábil; é fruto direto do esforço dos petroleiros e petroleiras, que operam em regime de alta pressão para bater recordes de produção, como o observado no FPSO Almirante Tamandaré, que atingiu seu pico de produção três meses antes do previsto.

A companhia aponta ter investido R$ 30 bilhões no trimestre, um valor robusto, e pago R$ 68 bilhões em tributos. Ao mesmo tempo, aprovou R$ 12,16 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. É uma equação no mínimo injusta para os petroleiros e para o povo brasileiro; em tom mais direto, é um sequestro da riqueza do petróleo brasileiro para uma minoria de acionistas.

A estatal comemora recordes de exportação de petróleo cru (814 mil barris por dia). Do ponto de vista da maioria em desvantagem, esta é uma estratégica que consolida o Brasil como um grande exportador de matéria-prima, enquanto segue dependente da importação de derivados, mesmo com as refinarias operando no limite. É o aumento da lógica da dependência que aponta para o caminho oposto ao da soberania.

A direção da empresa gaba-se de “gerar resultados financeiros positivos […] mesmo diante do novo patamar de preços do petróleo”. Para os trabalhadores, isso soa como um deboche: significa que a eficiência máxima e a alta produtividade estão sendo usadas para sustentar a remuneração dos acionistas, em vez de serem revertidas para os trabalhadores petroleiros e para a sociedade brasileira.

Por isso temo repetido: + ACT, – Acionistas

O lucro de R$ 32,7 bilhões é a prova da capacidade da força dos trabalhadores da Petrobrás. Contudo, enquanto a prioridade for o “retorno ao acionista” em detrimento dos seus próprios trabalhadores e do povo brasileiro, só os acionistas sorrirão.

Na apresentação dos resultados aos acionistas no dia de hoje — representados principalmente por bancos nacionais (Bradesco, Itaú), corretoras como a XP Investimentos, e grupos internacionais (Morgan Stanley, Santander, Citibank), entre outros — mais uma vez vimos uma ampliação dos dividendos para quem não tira um litro de petróleo do chão. Ao mesmo tempo, temos testemunhado o “aperto de cintos” para os trabalhadores através da pressão por redução de custos, seja em pessoal ou na produção, e a preocupação em relação ao nível de investimentos da empresa não para fortalecer a Petrobrás, mas para não comprometer os dividendos.

A gestão Magda tem deixado cada vez mais claro que não pretende alterar sua política de dividendos, generosa com os acionistas.

Já para os trabalhadores, como temos debatido no ACT, não há nenhum ganho real nos salários, persistem os ataques às condições de trabalho, e a segunda proposta de ACT apresentada pela empresa é nivelada para baixo, com importantes ataques.

A nossa mobilização segue sendo a única saída. As assembleias têm apontado o caminho: rejeitar a lógica do aperto de cintos para os trabalhadores e lucros generosos para os acionistas, lutar pelo ACT que queremos e unificar as diversas lutas da categoria na construção de uma greve que permita que sejamos, finalmente, ouvidos pela Petrobrás.

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