País atingiu um novo e triste recorde em 2025: 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio. O número supera a marca anterior, de 2024, que já havia sido o ano mais violento da série histórica recente, com 1.464 casos
A epidemia do feminicídio segue numa crescente. Desde que a tipificação do crime de feminicídio foi criada, em 2015, houve um salto de 316% nos registros em dez anos. Embora parte desse aumento reflita a correta identificação de homicídios como crimes de ódio contra a mulher, é fato que a subnotificação ainda esconde uma realidade muito mais brutal.
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O recente mapa do Sistema Nacional de Informações (Sinesp) do Ministério da Justiça ilustra a tragédia. E é importante ressaltar que o cenário real é ainda mais grave: os dados de dezembro de São Paulo — estado que lidera o ranking de casos — ainda não foram contabilizados, assim como os de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
Apesar do endurecimento da legislação em 2024 com a Lei nº 14.994, que aumenta a pena para feminicídios, a violência não recuou. A subnotificação persiste e a crueldade dos crimes tem se intensificado, evidenciando que mudanças na lei são importantes, mas não são suficientes para conter essa epidemia.
O aumento da violência de gênero no Brasil reflete a reação conservadora da extrema direita, que utiliza a defesa da “família tradicional” para legitimar o patriarcado e atacar conquistas dos movimentos de mulheres e LGBTs. No entanto, o governo Lula tem sido longe de exemplar ao ao apresentar alternativa real de combate a essa barbárie. O exemplo mais claro é que a manutenção da política neoliberal através do Arcabouço Fiscal resultou no corte de 68% das verbas para o combate à violência contra a mulher em 2025, deixando desamparadas as trabalhadoras — sobretudo negras e periféricas — enquanto apenas 5,9% dos municípios possuem estruturas de acolhimento.
Segue urgente e necessária uma mobilização nacional de enfretamento ao feminicídio, exigindo dos governos políticas públicas para combater efetivamente essa verdadeira epidemia.
Vivas, nos queremos!