Como ficam a Venezuela e a conjuntura latino-americana após os ataques do imperialismo

Na sexta-feira (09/01), o Sindipetro-RJ transmitiu uma live para debater a situação na Venezuela e seus reflexos na América Latina, no Brasil e na Petrobrás, no contexto da luta dos trabalhadores

Com duração de 1h30, a transmissão contou com os convidados Eduardo Henrique, diretor do Sindipetro-RJ, coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e da Federação Internacional de Trabalhadores do Setor Energético e Hidrocarbonífero da América Latina e Caribe (FITEHLYC); e Nazareno Godeiro, membro da coordenação nacional do Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE).

Em suas falas, Eduardo Henrique pontuou a necessidade da união dos petroleiros e de toda a classe trabalhadora mundial na luta contra o imperialismo estadunidense. Ele destacou as práticas que atacam a soberania de outros países na busca de recursos naturais — como petróleo, minérios e água — para a continuidade da exploração e o aumento cada vez maior de seus lucros.  

O Sindipetro-RJ denuncia o sequestro e o bombardeio estadunidense no país vizinho, repudiando a intenção dos EUA em administrar o país e saquear seu petróleo, o que não significa qualquer apoio ao regime ditatorial nem à política do governo Maduro e seus planos de austeridade contra a classe trabalhadora venezuelana. 

O diretor do Sindipetro-RJ citou como o rentismo petroleiro acaba afetando os trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás, como foi constatado recentemente nas negociações do ACT, que culminaram com uma greve de 16 dias na companhia. Isso fica nítido quando é imposto aos trabalhadores da Petrobrás esse modelo que aumenta cada vez mais os valores de dividendos pagos aos grandes acionistas, retirando direitos e impondo perdas salariais. “É a volta do velho colonialismo de exploração direta e violenta, aplicando a Doutrina Monroe”, afirmou.

Já Nazareno Godeiro fez uma rica análise, contextualizando toda a situação a partir do processo histórico de atuação do imperialismo na lógica da estrutura colonial imposta há séculos na América Latina. O pesquisador do ILAESE lembrou que essa mesma estrutura colonial está sendo reproduzida aqui no Brasil, em especial na Petrobrás, que agora ganha uma nova configuração que não privilegia mais a negociação e o chamado “soft power” (que atuava na forma de investimentos no Estado Social após a Segunda Guerra Mundial). Para Godeiro, agora, o antigo modelo está sendo descartado em prol da exploração direta da classe trabalhadora, de forma violenta, com a imposição da força militar, como ocorreu na Venezuela. A burguesia, no contexto da economia digital e neoliberal, aplica o receituário da extrema direita.

A Venezuela depois do ataque

O presidente dos Estados Unidos nunca escondeu que seu interesse na Venezuela era o controle do petróleo do país, que detém a maior reserva do mundo, com mais de 300 bilhões de barris.

A estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, dias após o sequestro de Maduro, anunciou que está em negociações com o governo estadunidense para a venda de petróleo. O próprio Trump disse que a Venezuela vai fornecer 50 milhões de barris para os Estados Unidos.

Assim, Trump “bota suas asinhas de fora”, mostrando a que veio como representante e estrela da extrema direita e fiel guardião do imperialismo, que agora até sequestra chefes de Estado como Maduro, instalando um clima total de descrédito nos organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

O atual presidente dos Estados Unidos “colocou fogo no parquinho” com a invasão e o sequestro de Maduro em um momento em que o mundo vive uma grande crise geopolítica. O cenário envolve a Guerra da Ucrânia, o genocídio de Israel na Palestina, a permanente tensão no Oriente Médio e o expansionismo da China e dos BRICS — com este último contexto afetando em demasia a hegemonia estadunidense, especificamente o dólar.

Confira a íntegra da live

 

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