Diante das condições adversas para a realização dos serviços, o CENPES pode parar a qualquer momento
O CENPES possui características de área industrial e predial onde os operadores das áreas de utilidades e facilidades possuem experiência e competência na realização das diversas e múltiplas atividades necessárias para a condução dos trabalhos no maior Centro de Pesquisa da América Latina.
Mesmo sendo considerados pelo RH da Petrobrás como “OPERADORES PREDIAIS”, são profissionais que atuam em subestações elétricas, geradores, caldeiras, sistemas de refrigeração, mecânica, bombas, obras, etc. Na maioria das vezes, pela falta de efetivo, realizam essas atividades sozinhos, quando deveriam realizá-las em dupla. É um constante descumprimento do item 10.7.3 da NR10 (risco elétrico): “Os serviços em instalações elétricas energizadas bem como aqueles executados no Sistema Elétrico de Potência – SEP não podem ser realizados individualmente”.
A cada seis meses a gerência do Compartilhado desloca quatro operadores para o horário Administrativo para a realização de trabalhos de planejamento de serviços e acompanhamento das “eternas obras na unidade”, função que deveria ser realizada por um planejador de obras e serviços ou o TCMI (Técnico de Construção e Montagem Industrial).
Os operadores têm que estudar o escopo das obras (Memoriais Descritivos, Manuais de Operação, Plantas e demais documentos) e sinalizar para a gerência os problemas verificados. Essa atividade envolve conhecimento específico de equipamentos e normas técnicas que regulam as instalações de Sistemas Complexos (como nas Radiais 5 e 7), de Construção Civil, de Engenharia Mecânica, de Engenharia Elétrica, entre outras que envolvam os projetos.
O acompanhamento das obras requer conhecimento específico (elétrica, mecânica, refrigeração e outros) para enxergar problemas mais técnicos. Exemplo: será que o ajuste de insuflação nas saídas das grelhas é adequado para a demanda térmica requerida? Deveriam ser instalados equipamentos à prova de explosão (exaustores e luminárias) nos armários de amostras das inter-radiais 5 e 6 no primeiro piso?
Os operadores alegam dificuldades para acessarem as documentações que são produzidas durante as realizações das obras. Contatos pessoais são feitos, mensagens via TEAMS e e-mails são enviadas, mas não há retorno das solicitações. Esses documentos, plantas e diagramas deveriam estar disponibilizados nos sistemas da Petrobrás durante as obras (SIGEM) e após as obras (SINDOTEC). Os Data Books (dados referentes aos projetos) também estão na mesma situação.
Não bastasse a sobrecarga de trabalho, a Gerência do Compartilhado solicita que os operadores deslocados para o horário Administrativo, também, realizem as coberturas nos turnos, gerando um nexo de causalidade com o próprio deslocamento do técnico para realização de funções no horário Administrativo. O cobertor sempre será curto com essa mentalidade de gestão!
A expertise dos operadores não é aprendida em cursos externos nem pelos fornecidos pela Empresa, pois não há políticas de valorização e desenvolvimento em uma Gerência que não faz o pagamento de Horas Extras para cursos nas folgas, inclusive para os cursos de capacitação/atualização obrigatórios.
O sistema de climatização que esfria no Inverno e esquenta no Verão
O sistema de geração de água gelada é feito através de chillers, com equipamentos próprios e alugados. Esse sistema não consegue promover o conforto térmico na Unidade, mesmo com a compra ou aluguel de mais máquinas, pois não há infraestrutura de água de condensação. Muitos equipamentos não possuem programas de manutenção preventiva onde inversores, que controlam a velocidade das bombas e motores de ar condicionado, estão queimados e bypassados, principalmente no CIPD, sem automação e controle pelo supervisório. O controle de climatização é manual!
Muitas atividades, pouco efetivo e sobrecarga de trabalho
Para a realização das atividades de forma segura, sem intercorrência operacional pela falta de energia elétrica, a gerência da LOEP comprou uma UPS (nobreak de energia). O mesmo fez o laboratório de ensaios veiculares, no prédio 16, que comprou três chillers para refrigeração dos motores. Os novos equipamentos instalados passam a fazer parte das rotinas dos operadores das utilidades e facilidades, que ficam grande parte dos turnos preenchendo e liberando Permissões de Trabalho para todas as obras e serviços da Unidade.
O resultado do excesso de atribuições e atividades é um estresse emocional onde as doenças silenciosas da mente têm se manifestado.
Não há recomposição de efetivo e planejamento técnico para o suporte operacional realizado pela gerência do Compartilhado. Não há, sequer, o reconhecimento da extensão de jornada nas trocas de turno. A média da HETT, adotada pela unidade, foi calculada no ano de 2005 em uma realidade totalmente diferente da atual. Os funcionários em regime de turno do CENPES são obrigados a lançar o código de interesse pessoal no cumprimento de suas atividades (2038).
O Sindipetro-RJ solicitou ao RH a média atualizada da unidade CENPES dos tempos de entrada e saída dos funcionários de turno nos últimos anos para a utilização de uma média justa e perfeita, que atenda aos anseios da categoria, mas o RH se negou a divulgar.
Desamparo Aprendido – O sentimento de impotência e frustração gera a resignação
No ambiente corporativo atual, onde a autogestão e a proatividade são cada vez mais valorizadas, muitos trabalhadores enfrentam uma contradição que pode gerar sérios impactos à saúde mental: a cobrança para que sejam “autogerentes”, mas sem receber autorização ou apoio para exercer essa autonomia ao fim de sua programação de trabalho. Esse cenário contribui para o fenômeno conhecido como desamparo aprendido, no qual o indivíduo, após repetidas experiências de impotência diante de situações negativas, passa a acreditar que suas ações são inúteis para mudar sua realidade.
Entre as principais causas do Desamparo Aprendido no ambiente de trabalho, destacam-se:
- Falta de Autonomia: Quando o empregado não tem liberdade para tomar decisões ou influenciar seu trabalho, sentindo-se apenas um executor de tarefas. Essa situação torna-se ainda mais prejudicial quando o trabalhador é cobrado por autogestão, mas não recebe autorização para aplicar suas decisões, gerando frustração, desmotivação e sensação de impotência e principalmente o presenteísmo.
- Feedback Negativo Constante: Críticas frequentes sem reconhecimento dos esforços, que alimentam a sensação de fracasso contínuo e desvalorização pessoal e mais uma vez o presenteísmo.
- Ambiente de Trabalho Tóxico: Presença de conflitos, assédio moral ou falta de apoio da liderança e dos colegas, comprometendo a segurança psicológica e o bem-estar do empregado.
- Metas Irrealistas: Objetivos inalcançáveis que levam à frustração constante, reforçando a percepção de que o esforço não traz resultados positivos.
- Insegurança no Emprego: Medo constante de demissão ou instabilidade, aumentando o estresse e a sensação de falta de controle sobre o próprio futuro.
Os efeitos desse quadro são profundos e prejudicam tanto o desempenho quanto a saúde dos colaboradores. Sintomas como desmotivação, baixa produtividade, ansiedade, depressão, estresse crônico, fadiga e distúrbios do sono são comuns entre aqueles que vivenciam o Desamparo Aprendido.
Especialistas ressaltam que, para combater esse problema, as organizações precisam criar ambientes que promovam efetivamente a autonomia, alinhando a cobrança por autogestão com a real possibilidade de decisão e ação dos empregados. Além disso, é fundamental oferecer reconhecimento, apoio e metas realistas para fortalecer a confiança e o engajamento dos colaboradores.
Investir em uma cultura organizacional que valorize a autonomia e proporcione suporte adequado não é apenas uma questão de bem-estar, mas uma estratégia essencial para garantir a sustentabilidade dos negócios e o desenvolvimento pleno dos talentos da empresa.
A teoria do Desamparo Aprendido (ou Impotência Aprendida) foi desenvolvida pelos psicólogos estadunidenses Martin Seligman e Steven F. Maier na década de 1960. Eles a descreveram formalmente pela primeira vez em 1967 com base em experimentos realizados com cães na Universidade da Pensilvânia. Posteriormente, Seligman escreveu o livro intitulado “Desamparo Aprendido” (em inglês, Learned Helplessness).
O Dia Nacional da Consciência Negra e a negativa de reconhecimento em ACT
Todos sabemos da importância nacional do feriado de 20 de Novembro, data instituída pela Lei nº 12.519/2011 para homenagear Zumbi dos Palmares. A data marca o dia de sua morte em 1695, simbolizando a resistência negra e a luta contra o Racismo no País. Atualmente, o Brasil possui a maior população negra das Américas. O objetivo da data se tornar um feriado nacional é combater o racismo estrutural e a desigualdade social, além de valorizar a cultura afro-brasileira. A data serve como um momento para discutir problemas como a desigualdade racial, que é expressa em dados de renda e representatividade no País, e para promover a conscientização o ano todo.
Cabe informar a toda força de trabalho que a Petrobrás realiza o pagamento dos feriados nacionais laicos para os funcionários em regime de turno. Mas o feriado de 20 de Novembro não está em ACT para o calendário de pagamento. Que responsabilidade social é essa, Petrobrás?