Da Venezuela à Gaza: impedir que o petróleo venezuelano abasteça o genocídio palestino!

Trump consolidou nas últimas semanas um ciclo de expropriação que pode conectar diretamente a intervenção na América Latina ao massacre em curso na Faixa de Gaza. O Movimento BDS e diversas organizações emitiram um alerta urgente denunciando que o petróleo venezuelano pode estar sendo desviado por Washington para abastecer a máquina de guerra de Israel


Esta operação é mais um dos resultados práticos da recente intervenção militar em Caracas, batizada cinicamente de “Operation Absolute Resolve“, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa e na imposição do governo fantoche de Delcy Rodriguez.

Após a intervenção militar dos primeiros dias do ano, coube aos EUA formalizar o saque e  o controle do petróleo do país. O Tesouro dos EUA emitiu as Licenças Gerais 46 e 47, sendo a LG 46 emitida em 29/01 e a LG 47 logo em seguida, em 03/02. A LG 46 autoriza oficialmente “entidades americanas estabelecidas” a comprar e exportar o petróleo venezuelano, ou seja, formalizou o roubo e autorizou os EUA a escolher para onde vai o petróleo venezuelano. Como não poderia deixar de ser, a licença favoreceu gigantes como a Chevron e a trader Vitol, via subsidiárias. A LG 47, de 03 de fevereiro, autorizou as transações. Essa licença garante que a Venezuela perca a soberania financeira sobre a receita, que é depositada em contas de custódia no Qatar, fiel aliado histórico dos EUA, sob supervisão e controle de Washington.

Nesta semana, em 10/02, foi noticiado em alguns sites como o da Bloomberg que o petróleo venezuelano pode estar destinado a Israel, já em alto-mar a bordo do petroleiro Poliegos (IMO 9746621). Carregada no terminal venezuelano de Jose, a embarcação transporta um milhão de barris de petróleo bruto com um itinerário que pode servir aos interesses do verdadeiro eixo do mal EUA-Israel. Segundo os dados de rastreamento, 200 mil barris de óleo pesado, ideais para a produção de derivados densos, têm como destino final a refinaria da Bazan em Haifa, Israel. O restante da carga, cerca de 800 mil barris, deve ser descarregado na refinaria Saras, na Sardenha, Itália, com chegada prevista para 17 de fevereiro.

Fundamental também relembrar que essa mesma refinaria Saras está envolvida na chegada do petróleo brasileiro a Israel, conforme denunciamos sistematicamente com a campanha “Nenhuma gota de petróleo para Israel!”. “Oficialmente”, o Brasil vende petróleo para a Itália, o que parece um negócio comum. Porém, o comprador é a refinaria Saras, propriedade da Vitol, que tem como principal cliente o Estado genocida de Israel. Ao processar o óleo brasileiro na Sardenha, a origem do produto se ‘perde’ nos papéis, mas a realidade permanece, que é a do petróleo brasileiro abastecendo a máquina de guerra israelense.

A refinaria italiana de Sarroch é propriedade da própria Vitol, a multinacional que articulou as licenças com o governo Trump e que já é responsável por fornecer 17% de todas as importações de petróleo de Israel. Vale lembrar também que foi a Vitol que comprou e transportou o primeiro lote de óleo israelense para a Europa, em 2023.

A operação é garantida pela seguradora norueguesa Gard, que reincide em seu apoio logístico ao esforço genocida, tendo anteriormente assegurado navios como o HC Opal e o MV Kathrin, notórios pelo transporte de explosivos e material militar para as Forças de Defesa de Israel.

É preciso parar mais esse crime da aliança EUA-Israel.

Convocamos as organizações dos trabalhadores e a mais ampla solidariedade internacional para que nenhuma gota de petróleo venezuelano abasteça o genocídio palestino. 

O BDS emitiu uma nota exigindo que trabalhadores portuários e demais lutadores na Sardenha impeçam a atracação e os serviços ao Poliegos, enquanto orienta pressionar a Gard na Noruega e a Vitol na Suíça para cessarem seus contratos com o regime israelense.

Da Palestina à Venezuela é necessário unir as lutas, pois a solidariedade entre os povos é a única capaz de frear a barbárie imposta. Não podemos aceitar que o petróleo latino-americano abasteça o massacre de crianças em Gaza.

Não esqueçamos do petróleo do Brasil

E para romper com essa engrenagem de morte, é preciso retomar o que é nosso. Precisamos de uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, para que a nossas riquezas sirvam ao povo brasileiro  – e outros povos – e não aos lucros de acionistas e para financiar extermínio. É preciso exigir do governo Lula medidas efetivas contra o novo ordenamento imperialista. Defendemos o envio de petróleo e outros materiais a Cuba (como medicamentos) e o combate efetivo ao estrangulamento energético imposto pelos EUA. 

Fora Trump da Venezuela e da América Latina!

 

 

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