Em live do Sindipetro-RJ, o ILAESE fez uma avaliação dos resultados da Petrobrás em 2025

Pesquisador do Instituto Latino-americano, Gustavo Machado apresentou uma análise em dois momentos do desempenho da estatal em 2025 e falou sobre o Anuário Estatístico do ILAESE: Trabalho e Exploração 2025/26

Na sexta-feira (13/03), o Sindipetro-RJ realizou uma live em seu canal no Youtube que contou com a participação do pesquisador que comentou os resultados financeiros e operacionais da Petrobrás no ano de 2025, anunciados em 06/03 pela companhia.

A transmissão também contou com a presença do diretor do Sindipetro-RJ, Bruno Dantas.

Números mostram que Petrobrás aumenta a cada ano seu desempenho

Gustavo detalhou como a Petrobrás a partir do início da exploração e produção no Pré-Sal, em 2017, deu um salto nas suas receitas e lucros anuais, tendo seu momento de pico no ano de 2022, quando registrou um lucro bruto de R$334,1 bilhões. No ano de 2025, o valor alcançou a cifra de R$ 222,5 bilhões, com um lucro líquido de R$110,1 bilhões, representando um aumento de 200% em relação ao ano anterior.

“Observamos durante esse período um misto de produção muito elevada, associado a um preço do petróleo que esteve muito alto, entre os anos de 2021 e 2023 e o alto nível de produtividade do Pré-Sal. Mesmo com a queda do barril tipo Brent após esse período, a Petrobrás manteve seus resultados financeiros em alta e estabilizados, em que podemos citar o valor da receita bruta que chegou a mais de R$731 bilhões em 2025”, disse.

O pesquisador apontou a contradição do discurso da atual direção da Petrobrás, que sempre alude a queda do preço do Brent para justificar o arrocho nos salários e direitos de seus trabalhadores, ativos e aposentados.

“Os dividendos para 2025 chegaram a R$41,236 bilhões, mesmo com uma queda do Brent de 13%. Em 2024 esse valor foi de R$36,535 bilhões”. Hoje a taxa de lucro da Petrobrás é de 86%, muito acima da média mundial que é acima de 50%.

Lucros às custas dos trabalhadores

Gustavo Machado também avaliou o recorde de produção da Petrobrás que está sendo registrado ano após ano. Em relação a 2024, a produção no Pré-Sal aumentou mais de 10%.

“ Em 2025 esse aumento de produção foi muito acentuado, passamos de 2.698 milhões (Mboed) em 2024, para 2.990 milhões (Mboed) em 2025. A Petrobrás destaca esse resultado como sendo conjugado com a redução de seus gastos operacionais. O grosso do custo operacional e a massa salarial de seus respectivos trabalhadores”, constata o pesquisador do ILAESE.

Em relação ao valor adicionado, o Instituto identificou, a partir do relatório da Petrobrás, que os trabalhadores compõem 10,62% do custo total da empresa em 2025. Os bancos recebem um montante de 11,24%, enquanto impostos e royalties consomem mais de 50%,

“A Petrobrás tem uma massa de recursos que não é utilizada para uso estratégico do desenvolvimento nacional e muito menos para os trabalhadores”, completou.

Anuário Estatístico do ILAESE: Trabalho e Exploração 2025/26

Sobre o Anuário Estatístico do ILAESE: Trabalho e Exploração 2025/26, Gustavo Machado explicou que o relatório apresenta tanto uma parte estrutural que analisa o Brasil no seu conjunto, nos seus diversos setores e como eles se articulam, como uma parte mundial.

O Anuário apresenta inicialmente uma série de rankings. “A Petrobrás neste levantamento se apresenta em todos os rankings. No da Exploração, ela aparece em segundo lugar, no caso a Petrobrás Logística, e em 47º a Petrobrás (petróleo). Este dado leva em conta o índice de apropriação da hora trabalhada pelo empregado por parte da empresa. O trabalhador paga o seu salário com 1h11, de uma jornada de 8h. Às outras 6h49 são consideradas excedentes, o que é apropriado pela empresa, no valor adicionado.

No ranking de Produtividade, o Anuário aponta a média de produtividade por trabalhador. A partir dos dados publicados pela Petrobrás, o ILAESE identificou que “em média, descontando todos os custos produtivos, a Petrobrás apresenta o valor de mais de R$6,600 milhões, de riqueza gerada por ano por cada trabalhador”.

“Quando vemos os números da Petrobrás, notamos que é a empresa que mais produz e se apropria de riquezas no Brasil, com esses excedentes. E quando olhamos para o Anuário a ideia é vincular essa situação da Petrobrás ao drama estrutural do Brasil. Essa é uma tarefa fundamental para o ILAESE. É preciso alertar a população brasileira para a necessidade de desenvolvimento de um projeto nacional, apesar da falta de interesse por parte das elites empresariais e dos rentistas. Dentro de um projeto de desenvolvimento e distribuição de riquezas a Petrobrás tem um papel central. Temos um drama estrutural no Brasil em que precisamos canalizar os excedentes para um projeto nacional de desenvolvimento”, finalizou o pesquisador do ILAESE em sua apresentação.

Avaliação do Sindipetro-RJ

Em sua participação na live, o diretor do Sindipetro-RJ, Bruno Dantas destacou a necessidade das entidades sindicais apoiarem esse tipo de estudo. “Nós trabalhadores precisamos nos apropriar dos dados, conhecê-los e analisá-los para podermos ter uma noção real daquilo que esse mesmo trabalhador produz. Porque a patronal e a mídia e todos os veículos de propaganda do capital estão a todo momento criando mistificações, não permitindo que os trabalhadores tenham a ideia exata daquilo que produzem”, falou Dantas.

O dirigente sindical citou as campanhas salariais, de segurança do trabalho, entre outras lutas, que que segundo ele precisam ser fundamentadas e embasadas por estudos detalhados como do ILAESE.

Dantas lembrou da Greve de 16 dias, em dezembro/25, promovida pelos petroleiros da Petrobrás por um ACT digno, e das grandes mobilizações em defesa do Teletrabalho, também em 2025.

“Esse Anuário precisa ser apropriado pela categoria para servir de ferramental na construção da nossa pauta de reivindicações junto à Petrobrás, que apresenta esses números extraordinários, com essa lucratividade que aumentou em 200%, em apenas um ano, que infelizmente não vai servir para reinvestimento. Um exemplo disso é o anúncio da redução de investimentos na transição energética”, afirmou.

Aposentados e pensionistas os mais prejudicados no processo de apropriação da riqueza da Petrobrás

Por fim, o diretor do Sindipetro-RJ exemplificou  um setor da categoria que está apresentando perdas em sua renda, que é a dos aposentados e pensionistas do sistema Petrobrás. “Não dá para falar em disputa da renda petroleira sem falar dos aposentados. Eles formam um exemplo categórico da nossa classe que assiste a Petrobrás lucrar bilhões de reais, todos os anos, distribuindo em poucos anos um acumulado de R$ 500 bilhões a título de dividendos, inclusive superior a fictício de valor de mercado, não tendo a essa direção da Petrobrás, o seu Conselho Administrativo, Governo Federal, Legislativo nenhuma boa vontade para solução do problema dos aposentados e pensionistas da Petrobrás, quando o assunto é reposição de perdas e fim dos equacionamentos no fundo de pensão da Petros, finalizou o dirigente sindical.

Confira a íntegra da live:

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