Preços altos para a população garantem dividendo bilionário para os acionistas da Petrobrás

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Valores exorbitantes da gasolina, diesel e gás de cozinha financiam a farra dos grandes acionistas

A Petrobrás divulgou na última quarta-feira (05/08) o seu resultado financeiro para o 2º trimestre de 2021: segundo a empresa foi registrado um lucro líquido de R$ 42,855 bilhões, se somando ao R$ 1,167 bilhão do 1º trimestre. O valor é bastante próximo ao lucro líquido recorrente (quando se retira os resultados não recorrentes, como baixas contábeis, ganhos fiscais, ágios, etc.), de R$ 40,7 bilhões.

Segundo Eric Gil Dantas, economista do Ibeps, em nota publicada no site da FNP, o resultado se deve em sua maior parte ao aumento dos preços do barril de petróleo e dos produtos derivados no mercado internacional, elevando as receitas de venda da companhia.

“No 2º trimestre, a Petrobrás teve uma receita de vendas de R$ 110 bilhões, um aumento de 28,5% em relação ao 1º trimestre e de 117,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Em um trimestre o Ebitda ajustado da E&P subiu 20% e o do Refino 108%. Se convertermos o brent à taxa de câmbio média do trimestre (publicada também no relatório da Petrobrás), teremos que o barril ficou em Reais 10% mais caro do que no 1º trimestre e 132% mais caro do que o mesmo trimestre do ano passado. Já o preço dos derivados no mercado interno subiu 14,6% em um trimestre e 102% em um ano” – explica Dantas.

Eric Gil Dantas chama atenção sobre o volume de vendas da Petrobrás que não aumentou significativamente.

No Gráfico 1, o economista mostra que a Petrobrás manteve mais ou menos constante tanto a sua venda de petróleo e gás, quanto a de produtos derivados. Isto reforça a tese de que o aumento do lucro se deve aos preços praticados pela Petrobrás.

Extração e refino com custos baixos

Eric Dantas constata que o custo de extração e de refino se mantiveram baixos. “O custo de extração se manteve estável, apenas com o aumento de um dólar por barril causado pelo crescimento da participação governamental, pois quanto maior o preço do barril maior o pagamento de royalties. Se compararmos com o 2º trimestre de 2019, o custo de extração é 42% inferior. Já o custo do refino do barril em Reais, está 11% mais barato do que no mesmo trimestre do ano passado. Tudo isto, enquanto a utilização das refinarias volta a diminuir, sendo utilizado apenas 75% da capacidade instalada das refinarias da estatal” – informa na nota publicada na FNP.

Este resultado contrasta drasticamente com os elevadíssimos preços da gasolina, diesel e GLP impostos à população brasileira. Custos menores, mas preços maiores, para a felicidade dos especuladores detentores de ações da empresa.

Privatizações maquiam resultados

O economista do Ibeps diz que a diminuição da dívida da Petrobrás se deve basicamente a pulverização de ativos. “A direção da companhia comemorou a diminuição do endividamento. Em três anos a dívida bruta caiu quase pela metade. Obviamente que isto às custas da venda bilionária de ativos preciosíssimos da Petrobrás. Vendendo TAG, NTS, Liquigás, BR, Gaspetro e tantos outros ativos, não é muito difícil diminuir dívidas. Só não me parece algo a se comemorar” – diz.

Diminui dívida, mas aumenta ganhos de acionistas

A diminuição do endividamento da Petrobrás libera o pagamento de dividendos da estatal que vai abrir seus cofres para distribuir muito dinheiro para os tubarões do mercado financeiro. “ Atingindo a meta de dívida bruta de US$ 60 bilhões (o qual espera atingir até o final do ano), a empresa poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos. Tendo em vista que conseguirá atingir a meta, a direção da empesa já anunciou que vai antecipar R$ 31,6 bilhões em dividendos – o valor é quase o triplo da média dos últimos três anos” – informa.

A realidade é que hoje direção da Petrobrás abre mão de realizar investimentos para desenvolvimento do Brasil, cortando direitos e congelando salários e benefícios de seus trabalhadores e aposentados, para aumentar os ganhos dos parasitas do mercado que ganham dinheiro às custas da população que se vê obrigada a pagar preços exorbitantes para obter gasolina, diesel e gás de cozinha.

“Bem, este parece ser o triste retrato da Petrobrás que o “mercado” sempre quis. Não há correspondência entre custo e preço, mesmo o Brasil produzindo petróleo e derivados de forma cada vez mais barata, temos que pagar preços exorbitantes. Mesmo tendo cofres abarrotados de dinheiro, não iremos mais investir no Brasil, tendo que entregar todo o lucro para os seus acionistas.

Temos que correr para salvar a Petrobrás – enquanto ainda há tempo” – finalizou o economista.

Fonte FNP

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