Greve Nacional Unificada, no rastilho de pólvora da greve de fevereiro na base do Sindipetro-RJ, apresentou grande adesão da categoria
A empresa ainda não entrou em contato, mas o sindicato vai reiterar a necessidade da negociação, que vem sendo negada.
Não é possível que o governo federal, a alta administração e a presidência mantenham esta orientação de retrocesso belicista para os trabalhadores e farra de dividendos para os bilionários e leilões do patrimônio do povo brasileiro para as multinacionais.
Adesão forte e intensa
Não há como precisar o número de grevistas que não acessaram o sistema, mas, pelo levantamento da inatividade por gerência, pela troca de informações nos locais de trabalho e pela avaliação das comissões locais, estima-se que fomos alguns milhares de trabalhadores, mais ainda que em fevereiro.
Fato é que prédios como EDISEN e EDIHB estavam esvaziados de trabalhadores próprios e algumas centenas de companheiras e companheiros se juntaram às atividades na frente do edifício sede.
Na maioria das áreas operacionais (horário administrativo e turnos ininterruptos de revezamento, em terra e em plataformas) ocorreram cortes de rendição, atrasos e restrição das atividades a habitabilidade e segurança, contribuindo fortemente para o sucesso do movimento na base do Sindipetro-RJ.
Passeata no entorno do EDISEN
Nesta quarta-feira (26/03), no Rio de Janeiro, o EDISEN foi a unidade que concentrou o ato de greve, reunindo centenas de trabalhadores oriundos de outras bases como CENPES, EDIHB, Transpetro Sede, TABG, Complexo Boaventura, que expressaram seu descontentamento com a intransigência da direção da empresa, que não aceita negociar as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
Ao final do ato os grevistas petroleiros saíram em passeata pelas ruas Henrique Valadares, Inválidos, Senado e Dídimo, contornando o quarteirão do edifício Senado. Veja o vídeo:
O ato de greve contou a presença de representações sindicais como a CSP-CONLUTAS Central Sindical e Popular, Oposição Metalúrgica de Angra dos Reis; Sindicato da Construção Civil de Angra dos Reis e o Sindicato dos Eletricitários de Angra dos Reis; SINDSCOPE, MRT, Unidade Classista e partidos políticos como PSTU, PSOL, PCB e PCBR. Também marcaram presença integrantes do movimento estudantil como o Coletivo Rebeldia e o Faísca Revolucionária; o Movimento Quilombo Raça e Classe; os trabalhadores terceirizados da MIPE; CST (corrente política), além dos Sindipetros Caxias e SJC.
Vamos nos manter mobilizados e aguardar as orientações do sindicato para o próximo round
A pauta exige:
– a revogação das alterações na mudança do Regime de Teletrabalho e a negociação do regramento apresentado pelo sindicato;
– o cancelamento do corte de mais de 30% na PLR;
– a negociação da proposta elaborada pelas entidades para o novo PCCS – Plano de Carreira, Cargos e Salários;
– o fim dos equacionamentos da Petros, que estão afetando em demasia aos aposentados, assim como a cobrança dos saldos devedores da antiga AMS;
– a reposição de efetivos, especialmente em áreas operacionais, e o zeramento do cadastro;
– as demandas dos novos empregados;
– reconhecimento do 2040;
– uma nova e eficiente política de SMS que interrompa a escalada de acidentes e mortes no Sistema;
– pelos direitos e condições de trabalho dos terceirizados.
Veja fotos:
Como foi o movimento nas bases da FNP
Sindipetro-LP – No Litoral Paulista, a greve alcançou adesão expressiva em diversas unidades, incluindo a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC), Unidade Termelétrica Euzébio Rocha (UTE-EZR), Terminal de Pilões (Cubatão), Tebar (São Sebastião), Terminal da Alemoa e Edisa Valongo (Santos), além de UTGCA (Caraguatatuba) e plataformas offshore.
O Sindipetro-LP estima que cerca de 80% do efetivo cruzou os braços, denunciando as condições precárias de trabalho dos prestadores de serviço, os cortes na PLR e a falta de investimentos em segurança operacional.
Sindipetro-SJC – Em São José dos Campos, os trabalhadores da Refinaria Henrique Lage (Revap) iniciaram a greve já na terça-feira (25/03) com o corte de rendição do turno da noite.
Durante a manhã de ontem (26/03), um ato em frente à refinaria debateu as principais reivindicações, como a reposição do efetivo, a defesa do regime de teletrabalho e a solução para os PEDs na Petros. O movimento contou com apoio de sindicatos de outras categorias, como metalúrgicos e de trabalhadores da construção civil.
Sindipetro PA/AM/MA/AP – Na Província Petrolífera de Urucu (AM) e no Ediman (AM), os petroleiros também aderiram à paralisação, reforçando a mobilização nacional. Já no Terminal da Transpetro em Belém (PA), com ampla participação dos terceirizados, os dirigentes sindicais organizaram um ‘trancaço’ na entrada da unidade, destacando também a luta pelos direitos desses trabalhadores e o fim da escala 6X1.
Sindipetro AL/SE – Em Aracaju (SE), a diretoria do Sindipetro Alagoas/Sergipe realizou um ato em frente ao Edifício Sergipe (Ediser), orientando os trabalhadores do administrativo a fortalecer a luta coletiva, e não assinar nenhum termo individual referente ao teletrabalho. Já em Maceió (AL), os trabalhadores receberam a Caravana Nacional da Informação.
Nas bases da FUP
Nas bases da FUP, houve corte de rendição dos turnos na Refinaria Abreu e Lima (PE), na Lubnor (CE), na Replan (SP), na Recap (SP), na Reduc (Caxias/RJ), na Regap (MG), na Refap (RS), na Repar (PR), na UTGC de Linhares (ES), na área de produção de Taquipe (BA) e nas UTEs de Três Lagoas (MS), Ibirité (MG), Termorio (Caxias/RJ). Houve também atrasos na Nesix (PR), na Fafen de Araucária (PR) e na Usina da PBio de Montes Claros, em Minas Gerais.
Os trabalhadores da Transpetro também aderiram à greve nas bases da FUP, interrompendo a troca de turno no Terminal de Coari (AM), no Terminal Barueri (SP), no Terminal de Suape (PE), no Terminal de Campos Elíseos (Caxias/RJ) e no Terminal Madre de Deus (BA). Nos terminais da Transpetro do Rio Grande do Sul (Tedut, Terig e Tenit), do Paraná (Tepar) e de Santa Catarina (Tefran, Temirim, Teguaçu e Tejaí), os trabalhadores fizeram atrasos.
Nas unidades administrativas da Petrobrás representadas pela FUP, houve atos com adesão à greve nos escritórios de Imbetiba e Parque de Tubos (NF), no Edivit (ES), na Torre Pituba (BA), no Edisp (SP), no Esbras (DF) e no Edirn (RN). Para os petroleiros em teletrabalho, a orientação foi que ninguém acessasse os computadores ou dispositivos móveis, nem atendessem solicitações da empresa.
Próximos passos
As federações, FNP e FUP, devem se reunir em breve para fazer um balanço da greve, organizando os próximos passos.
O Sindipetro-RJ vai realizar reuniões com sua diretoria e assessoria e também das comissões locais para planejar os próximos passos, já prevendo assembleias no início da semana.
Nem um passo atrás e dois à frente!
Confira o balanço do movimento feito pelo diretor do Sindipetro-RJ e coordenador da FNP, Eduardo Henrique.