Mais ACT, menos acionista – BlackRock, uma megacorporação que lucra sugando da Petrobrás e de seus trabalhadores

Maior gestora de investimentos do mundo, controlando cerca de US$ 11, 6 trilhões, sediada nos EUA, já teve mais de 6% das ações preferenciais da Petrobrás 

Segundo informações da imprensa,  a BlackRock é o segundo maior investidor em combustíveis fósseis do planeta, com US$431 bilhões no setor, sendo um dos principais acionistas minoritários da Petrobrás, tendo controlado mais de 6% das ações preferenciais em diversos momentos. Em março de 2025, expandiu novamente suas participações, adicionando 287,5 milhões de ações. Mas também é acionista das grandes petroleiras  como Shell, BP, Chevron, que nos últimos anos vêm adquirindo novos poços de exploração de petróleo e gás na região da chamada Margem Equatorial (região que vai da costa do Amapá ao Rio Grande do Norte) através dos leilões de oferta permanente realizados pela ANP sob diretoria indicada pelo governo Lula. 

A BlackRock não tem representação no Conselho de Administração (CA)  da Petrobrás, mas é uma das grandes acionistas minoritárias. A empresa diz em comunicados na imprensa que sua participação é estritamente de investimento, sem que tenha o objetivo de alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa da companhia. Ou seja, ela só quer sugar da “vaca leiteira” chamada  Petrobrás, que distribuiu R$74 bilhões em dividendos em 2024, sem se incomodar com a gestão da empresa. 

Bancando violações contra o meio ambiente e direitos humanos

Em novembro de 2024, o jornal inglês The Guardian, em uma reportagem assinada pelo jornalista  Jonathan Watts, afirmava que a BlackRock enfrenta uma denúncia na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) por supostamente contribuir para violações ambientais e de direitos humanos em todo o mundo por meio de seus investimentos no agronegócio.

Ainda na reportagem do The Guardian, a organização Amigos da Terra dos EUA e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil acusam a BlackRock de aumentar os investimentos em empresas implicadas na devastação da Amazônia e de outras florestas importantes, apesar dos alertas de que isso está desestabilizando o clima global, prejudicando ecossistemas e violando os direitos das comunidades tradicionais.

A denúncia, revelada ao jornal inglês foi apresentada com base nas Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais , que são recomendações de governos para empresas privadas sobre conduta empresarial responsável. Na ausência de regulamentações internacionais juridicamente vinculativas, essas diretrizes são vistas como uma referência para a responsabilização corporativa.

Magda acena para investimentos no agronegócio, setor onde a BlackRock investe pesado

Essa informação vem coincidir com uma recente entrevista da presidente da Petrobrás, Magda Chambriard para a CNN em que a executiva-chefe da estatal afirma que a companhia pretende se dedicar à distribuição de combustíveis para o agronegócio.

Segundo Chambriard, a Petrobrás  tem uma cláusula de não competição com a Vibra em vigor até 2029, de modo que, no momento, a companhia  vai avançar na venda direta para grandes consumidores. Magda disse que a Petrobrás está de olho nos gigantes do agronegócio, sobretudo na região do Matopiba (que contempla os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e do Centro-Oeste, e dos transportes pesados. Olha aí o dedo da BlackRock, buscando lucro em todas as frentes que for possível.

Fundo financia empresas que violam direitos dos trabalhadores

Segundo uma reportagem do site “O Joio e o Trigo”, a  BlackRock detém US$26 milhões em ações da Rumo, uma empresa de logística ferroviária. Em 2022, a maior operadora ferroviária do país fez um acordo com o governo de Jair Bolsonaro para não figurar na Lista Suja do Trabalho Escravo. Por duas vezes, em 2010 e 2015, a corporação foi flagrada em crime de trabalho análogo à escravidão. Na primeira ocasião, foram resgatados 51 operários de canteiros de obras no estado de São Paulo. Na segunda, motoristas de caminhão cumpriam jornadas extenuantes, de até 34 horas. A Rumo pertence ao grupo Cosan, que também integra o fundo da BlackRock.  Ainda segundo a matéria jornalística, a  Rumo integra  o Índice de Sustentabilidade da B3, a bolsa de valores brasileira, acumulando premiações nessa mesma área. Acredite se quiser…

É muito contraditório a Petrobrás sustentar um discurso de respeito ao meio ambiente, transição energética, respeito às minorias e direitos dos trabalhadores quando tem na sua composição acionária empresa como a BlackRock  que não fazem questão de aplicar a coerência de suas diretrizes com práticas salutares de responsabilidade social.

O Sindipetro-RJ luta no ACT para enfrentar os acionistas e garantir os direitos dos trabalhadores. Isso é parte de nossa luta por uma Petrobrás 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores.

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