Frente à gravíssima intervenção de Trump nas eleições brasileiras — seguindo o padrão de suas ações em toda a América Latina — e ao discurso de falsa equivalência adotado pela imprensa burguesa, o Sindipetro-RJ, coerente com a política de autonomia e luta que marca esta gestão, posiciona-se lado a lado com aqueles que se empenham diariamente e nas eleições pela derrota de Flávio Bolsonaro, da extrema direita e de Trump.
É preciso afirmar e reafirmar que perante as diversas questões enfrentadas pela classe trabalhadora hoje em dia, desde as consequências das contrarreformas trabalhista e previdenciária até a barbárie climática e a violência urbana, a extrema direita não oferece saída para os trabalhadores, mas sim aprofunda os problemas já existentes. Sua volta ao poder significará um salto na privatização da Petrobrás e do petróleo, fazendo uma entrega ainda maior de nossos recursos.
Em que pese termos entre os trabalhadores e no ativismo social e na direção do sindicato diferentes sensibilidades sobre como votar na eleição CONTRA Bolsonaro e opiniões políticas e eleitorais apoiando diferentes candidaturas de esquerda, devemos todos estar na trincheira da luta cotidiana contra a ultradireita, a interferência do imperialismo estadunidense e seus projetos privatizantes.
Votar neste outro Bolsonaro é escolher o aprofundamento da exploração, das violências ligadas às opressões como o racismo, o machismo e a LGBTfobia, é votar em quem defende a ditadura, os assassinos de Marielle Franco; é votar em quem defende cortes ainda mais profundos nos direitos sociais dos brasileiros, quem aposta na destruição da legislação ambiental, é votar em quem quer entregar nosso país ao EUA, e além de tudo isso, é votar no sujeito que mais se beneficiou do roubo do dinheiro público no caso do Banco Master.
Denunciamos os arroubos golpistas pela extrema direita em nosso país na operação para garantir os interesses da candidatura de Flávio Bolsonaro, utilizando o assecla ministro André Mendonça e seus vazamentos seletivos. Flávio é mais um membro investigado da Família Bolsonaro, suspeito por atuar em repasses milionários ao Dark Horse, financiado por Vorcaro. Documentos apontam que o senador negociou pessoalmente contratos de até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) com Vorcaro para financiar um filme de propaganda sobre Jair Bolsonaro. Enquanto jurava lealdade cega ao banqueiro por mensagens de texto dizendo “estou e estarei contigo sempre”, Vorcaro era investigado e preso pela Polícia Federal por liderar fraudes e desvios que podem chegar a R$ 12 bilhões no Banco Master. O Deus deles é o dinheiro, a Pátria, os Estados Unidos, e a Família é um festival de escândalos.
Compreender a instrumentalização do caso Master pela extrema direita não significa jogar para debaixo do tapete o envolvimento de Alexandre de Moraes e de outros ministros com Vorcaro e seus malfeitos. Consideramos irresponsável chamar os trabalhadores a confiar nas instituições que são seus algozes e em ministros soterrados neste imenso escândalo de corrupção. A direção majoritária do movimento dos trabalhadores, em vez de organizar nossa classe para lutar, terceirizou o combate ao golpismo e à extrema direita para o Judiciário e o Parlamento, apostando em acordos que não avançam nossa luta, como vimos com o congelamento da 6×1 no Senado. Apostaram todas as suas fichas no inimigo. Ignoram, assim, que este é o mesmo Congresso que aprovou as contrarreformas trabalhista e previdenciária e que o STF chancelou todos esses ataques, além de ter legitimado a privatização fatiada da Petrobrás.
É preciso muita mobilização para exigir o julgamento do bolsonarismo e de todos os corruptos do caso Master e derrotar a extrema direita sem a ilusão de que derrotar o mal maior numa eleição é a solução para os problemas da classe trabalhadora. É preciso muito mais do que vitórias eleitorais. Ao exemplo do que temos feito durante a gestão toda, e inclusive nesse momento de eleições, é preciso seguir lutando e organizando os trabalhadores de forma combativa e independente para seguirmos firmes na luta pelos direitos dos trabalhadores, contra as opressões, a precarização, a discriminação aos aposentados, a diferença de salários e direitos com os terceirizados, as privatizações, os leilões dos campos de Petróleo, a entrega de nossas riquezas, em defesa da Petrobrás 100% estatal sob o controle dos trabalhadores e a serviço do desenvolvimento econômico e social do país.
Aproveitamos para chamar desde já todos a estarem conosco no ato do dia 07/10 contra os leilões entreguistas de nosso petróleo.
Com independência de classe, sem atrelamento a qualquer governo e resguardando o direito à crítica, seguiremos firmes na batalha para derrotar a extrema direita e defender a Petrobrás!