Nota do Sindipetro-RJ em Solidariedade a Cibele Vieira

Em defesa das mulheres contra o machismo e em defesa da greve petroleira!

O Sindipetro-RJ vem a público manifestar sua solidariedade à companheira Cibele Vieira, diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), diante dos recentes ataques misóginos e sexistas desferidos contra sua pessoa.

O machismo é uma ferramenta de silenciamento – e o machismo mata!

O Brasil bateu recorde de feminicídios e estupros em 2024. O Anuário de Segurança Pública revelou um cenário de guerra contra as mulheres: foram 1.492 mortes de mulheres, uma média de 4 mulheres assassinadas por dia,  sendo que os registros de estupro e estupro de vulnerável bateram recorde com 87.545 ocorrências, o que equivale a um estupro a cada seis minutos, com 76,8% das vítimas são crianças ou adolescentes vulneráveis.

Esse é um tema que precisa ser encarado com urgência pela classe trabalhadora, o movimento popular e sindical e ter a devida atenção dos governos de plantão. É pela vida das mulheres!

Mulheres petroleiras: construindo sua história na luta

Embora representem menos de 20% da categoria, as mulheres petroleiras consolidam-se cada vez mais como parte fundamental da vanguarda da nossa luta, ocupando cada vez mais espaços, o que também é fruto de uma década da nova onda de fortalecimento do movimento feminista no Brasil, a chamada Primavera Feminista.

Dizemos isso para afirmar que a ofensiva contra Cibele não é um fato isolado; é uma reação violenta e organizada que tenta deslocar o debate político para a deslegitimação pessoal. E é muito fundamental que principalmente os homens da categoria petroleira entendam isso: o que fizeram com Cibele nesse ataque fazem com todas as mulheres, simplesmente pelo fato de serem mulheres.

Dificilmente vemos nos debates entre homens do movimento sindical atacarem a imagem, vestimenta ou jeito de ser de um sujeito com finalidade política. Com mulheres, isso é infelizmente muito comum. E quando o machismo é utilizado para atacar uma dirigente, o objetivo é intimidar, desmobilizar e afastar o conjunto das mulheres da luta e da vida pública. Engrandecer o ideal da mulher “bela, recatada e do lar”, conforme aquele infeliz e fatídico texto de uma cretina revista em pleno auge da Primavera Feminista, em 2016.

Não aceitaremos que a violência de gênero seja usada como ferramenta de “debate”. Em um país que é campeão de feminicídios, a pauta das mulheres deve ser central na luta da classe trabalhadora.

Viva a greve petroleira: o debate político necessário

É primordial reafirmar a solidariedade à figura de Cibele frente aos ataques machistas.

No entanto, a verdadeira democracia operária exige honestidade intelectual. Por isso, é importante também pontuar que temos e mantemos divergências profundas com Cibele e a direção da FUP em relação aos rumos do movimento petroleiro e a nossa atual greve. Consideramos uma traição enorme que frente a maior greve petroleira das últimas greves, com o movimento numa crescente, a direção da FUP tenha colocado em marcha a operação desmonte e aprovado na maioria das suas assembleias a aceitação da proposta da empresa e saída da greve.

Isso enfraquece o movimento petroleiro, o movimento sindical e a luta das tantas mulheres que seguem firme na greve.

Mas novamente afirmarmamos que acreditamos que o enfrentamento sobre as estratégias do movimento e da greve deve ser feito no campo das ideias, das táticas e dos métodos de luta e na luta diária, jamais através da desqualificação pessoal ou de ataques misóginos.

Nossa luta é contra a opressão que tenta silenciar nossas companheiras. Nossa luta é a favor da democracia operária e os métodos organizados da nossa classe e categoria, que fortalecem a participação das mulheres. Nossa luta é pela vitória da greve petroleira e continuidade da construção de um sindicalismo combativo, independente, democrático e que combata as opressões e explorações dessa sociedade desigual e injusta. 

Veja o vídeo na Plenária de Grevistas do dia 26/12 e compartilhe:

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