Durante a produção deste artigo recebemos a notícia de um dos desdobramentos dessa mobilização. A PEC da Blindagem, que permitiria ao Congresso suspender processos criminais contra parlamentares, foi rejeitada de forma unânime pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado
Toda movimentação política em andamento no Congresso Nacional após o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou e condenou Jair Bolsonaro por articulação de um golpe de Estado está desnudando um sistema político apodrecido.
O Centrão é a representação fiel dos interesses da burguesia brasileira, normalmente se colocando ao lado de quem está no poder, seja ao lado de Bolsonaro ou de Lula, mas sempre na defesa dos seus próprios interesses, aplicando um fisiologismo extremo, na política do “toma lá, dá cá” por cargos ou recursos de emendas legislativas.
Ele é um pêndulo no embate das burguesias brasileiras, da tradicional e da emergente, como bem mostra a condenação de Bolsonaro, que está colocando em polvorosa a elite brasileira. Por isso não podemos apostar nossas fichas na briga dentro do Congresso ou na Frente Ampla à frente desta empreitada.
As articulações pela anistia, redução na dosimetria das penas dos condenados pela tentativa de golpe em 08/01/23, além da PEC da Blindagem, mostram que no jogo político brasileiro os interesses políticos eleitorais estão acima da própria Constituição, e isso pouco importa para a burguesia. O jogo é sujo e pesado. Alcolumbre e Hugo Motta dissimulam e blefam, o centro abraça a extrema direita, vide Eduardo Paes e Silas Malafaia. Tarcísio, o consenso da elite, parece estar perdendo fôlego, e até o “morto” Aécio Neves ressurge, junto com Michel Temer e Paulinho da Força, ambos se apresentando como negociadores da conciliação, articulando mais um grande acordo nacional.
Diante desse cenário, o Brasil foi às ruas. No último dia 21 de setembro, centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras ocuparam as ruas em várias cidades do país para dizer NÃO à PEC da Blindagem, exigir a prisão imediata de Bolsonaro e reafirmar: não haverá anistia para golpistas. Mesmo assim, o que vimos no último domingo ( 21/09) não deve ser encarado como ápice, precisa ser apenas o início de grandes mobilizações. Nossa luta não pode parar.
Precisamos voltar às ruas não apenas contra os golpistas de ontem e de hoje, mas também para enfrentar as imposições que Trump tenta impor ao Brasil, agora materializadas nas taxações sobre nossos produtos e no apoio declarado aos golpistas brasileiros.
Nossa batalha também é internacionalista. É preciso seguir o caminho da Itália e ir às ruas em solidariedade ao povo palestino e contra o Estado genocida de Israel, exigindo que o governo brasileiro proteja a Global Sumud Flotilha, que tem sofrido diversos ataques e ameaças. É preciso romper de uma vez por todas as relações diplomáticas e comerciais com o Estado terrorista.
Frente a esses ataques, o governo, o seu partido e a base aliada não podem trilhar o caminho da anistia light. Não pode destinar votos a projetos que representam ataques, como é a da PEC da Blindagem.
O Sindipetro-RJ e a FNP convocam a categoria petroleira a seguir firme na mobilização e organização, em defesa das nossas pautas – e, sobretudo, na luta pelo nosso Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Teremos também neste próximo mês de outubro mais uma luta contra os leilões.
No próximo 3 de outubro, aniversário da Petrobrás, vamos transformar a data em um grande dia de luta em todas as bases petroleiras.
Venha junto construir a luta!