“Atribuições e Cargos” era um dos temas da reunião que ocorreu no dia 10/07, agendada pelo RH da Petrobrás com a FNP para dar início às negociações sobre PCCS. Mas, a Empresa não apresentou proposta e não teve negociação. Mais sobre a reunião: https://sindipetro.org.br/pccs-rh-enrola/
Na reunião, foi apenas apresentada uma palestra de um pesquisador da Fundação Instituto de Administração (FIA), que assessorou a Petrobrás na implantação do PCR e foi contratada novamente para assessorar a Petrobrás no novo PCCS.
No ponto sobre “Amplitude de Cargos”, foram expostas, segundo a visão da FIA, as vantagens e desvantagens de cargos específicos e de cargos amplos. Obviamente, mesmo sem defender diretamente o modelo, como a FIA foi uma das responsáveis por defender o cargo amplo adotado pela Petrobrás, não é difícil imaginar que essa continue sendo a sua orientação.
A política de cargos amplos, implementada pela Petrobrás em 2018 com o PCR, não foi pensada para promover a evolução do trabalhador na carreira ou para melhor satisfazer o trabalhador, mas sim para aproveitar melhor a força de trabalho em um contexto de demissões e venda de ativos da empresa. Essa política gerava menos desgaste interno e servia, ao mesmo tempo, como uma válvula de escape para os trabalhadores que temiam novos cortes de empregos.
Nesse tema, com algumas “provocações”, a Petrobrás buscou saber se havia resistência por parte da FNP ao modelo atual do PCR — como se quisesse confirmar se a FNP concordava com o modelo de cargo amplo e com a ênfase atual do PCR.
A Proposta FNP-FUP, que entregue ao RH em abril, tem como referência o PCAC, que define cargos e atribuições de forma clara:
a- Utilizar como base o PCAC para definição de cargos e atribuições por etapas da carreira, ampliando para atividades hoje terceirizadas;
b- Criar a carreira de Fiscal de Contrato;
c- Promover a adequação da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de todos
os técnicos;
d- Valorizar os cargos e carreiras que exigem certificação específica para o exercício das atividades, como inspetor de equipamentos, contador, operadores (brigadistas, resgatistas, socorristas), técnico em contabilidade e outras funções; e
e- Garantir avanço de nível ou adicionais para trabalhadores que busquem aprimoramento por meio de cursos profissionalizantes, especializações, graduações, etc., como ocorre em algumas carreiras públicas.
A Proposta FNP-FUP também prevê mudanças de cargos, mas com condições e preocupações:
a) Capacitação sem ônus para o trabalhador;
b) Condições claras para reenquadramento no novo cargo;
c) Garantia de que cargos próprios não sejam extintos, mas absorvidos;
d) Previsão de que vagas internas possam ser ocupadas por trabalhadores da casa que cumpram os requisitos necessários e tenham escolaridade apropriada; e
e) A seleção deve passar por um comitê com participação dos sindicatos e critérios definidos para evitar injustiças.
Como não houve negociação de fato, não se sabe o que a Petrobrás pensa a respeito dessas propostas.
Os trabalhadores presentes na reunião defenderam o modelo aprovado na Proposta conjunta FNP-FUP com cargos bem definidos e prevendo mudanças de cargos internamente com critérios.
Petrobrás, chega de enrolação!
Fonte: ILAESE