Pessoas com deficiência, mães, pais e redes de apoio: essa greve também é por vocês

A greve que está em curso na Petrobrás não é apenas uma disputa por salários ou condições gerais de trabalho. Ela é, sobretudo, uma luta por dignidade, respeito e direito à vida com qualidade
Para as pessoas com deficiência — e para mães, pais e responsáveis por pessoas com deficiência — os impactos das decisões unilaterais da empresa são ainda mais profundos. Quando a Petrobrás ignora as especificidades desse grupo e impõe regras sem diálogo, empurra essas pessoas para a exclusão.
É preciso dizer com todas as letras: inclusão que depende apenas da boa vontade da chefia não é inclusão — é privilégio instável.
Os poucos avanços conquistados até aqui, como a criação da Gerência de Diversidade, o acesso ao PAE, o abono de horas para tratamento de saúde e o auxílio-cuidador não caíram do céu. Foram resultado direto da organização coletiva, da luta sindical e da pressão dos trabalhadores e trabalhadoras — em especial, do sindicato.
Agora, estamos diante de riscos reais de retrocesso.
As mudanças unilaterais no teletrabalho, a exigência de presencialidade sem considerar limitações funcionais, a negativa de tratamentos essenciais, a rigidez nos critérios do PAE e a ausência de regras claras para PcD em áreas operacionais mostram que, para a empresa, a inclusão ainda é tratada como exceção e não como direito.

Por isso, essa greve chama você:

• trabalhador e trabalhadora com deficiência;
• mãe, pai ou responsável por uma pessoa com deficiência ;
• colega que entende que cuidar de quem cuida também é justiça social.
Essa greve é para garantir:
• teletrabalho integral como direito e não como concessão;
• jornada compatível com a realidade de quem cuida e de quem trata;
• acesso a tratamentos, medicamentos e tecnologias assistivas;
• proteção contra retrocessos;
• possibilidade real de carreira, liderança e permanência no trabalho.
A greve é o momento em que dizemos, coletivamente, que não aceitamos que nossas vidas sejam negociadas sem escuta.
Quando a empresa decide sozinha, desrespeita direitos e fragiliza a democracia no local de trabalho.
Por isso, chamamos você a estar conosco:
• nas assembleias,
• nos atos,
• na mobilização,
• na greve.
Porque nada sobre nós, sem nós — é um princípio político, sindical e humano.
A luta é coletiva. A greve é agora. E a inclusão de verdade só avança com organização e enfrentamento.

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