Estudo do Ilaese revela que a estatal figura entre as mais lucrativas do mundo e lidera o repasse a acionistas, mas a remuneração dos petroleiros sofre queda histórica; a proposta para a PLR 2026-2027 ignora a riqueza produzida pela categoria
Em setembro, os petroleiros e petroleiras receberam a proposta da Petrobrás para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao período 2026-2027.
A holding propõe limitar o pagamento a três remunerações ou a quatro vezes o piso, prevalecendo o menor valor entre os dois. A última proposta apresentada até o momento prevê crescimento percentual do piso em 5,77% em comparação ao exercício de 2025, enquanto a previsão do IPCA até o final deste ano é de 4,99%.
Para 2027, a proposta prevê um reajuste de 5,45% no valor do piso. Fixar este índice de forma antecipada, no entanto, é considerado um verdadeiro “tiro no escuro”, uma vez que a ausência de vinculação à inflação e a falta de garantia de ganho real deixam os trabalhadores vulneráveis à imprevisibilidade do cenário econômico e político do próximo ano.
A empresa também insiste em tratar as subsidiárias de forma diferenciada, desconsiderando a própria estrutura consolidada do Sistema Petrobrás.
Contudo, a oferta da gestão ignora os excelentes números apresentados pela companhia e propõe um cenário que não condiz com a sua realidade financeira.
Um abismo entre o lucro e a valorização
Até o primeiro semestre de 2026, a Petrobrás apresentou um crescimento expressivo em seus resultados financeiros. O lucro líquido saltou para R$21,29 bilhões. O lucro operacional e o lucro bruto também registraram altas monumentais, crescendo 435,90% e 29,70%, respectivamente (VEJA GRÁFICO ABAIXO).
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Esse gráfico foi elaborado pelo Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese), em parceria com o Sindipetro-RJ, entidade filiada à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), publicado no artigo Nota sobre a PLR na Petrobrás (clique aqui e leia na íntegra).
A tendência de alta se consolida diante do mercado internacional. De acordo com o estudo “Petrobrás entre as gigantes do petróleo – emprego, lucros, salários e dividendos em perspectiva internacional”, também produzido pelo Ilaese, a Petrobrás registrou uma taxa de lucro operacional de 41,4% em 2025, posicionando-se como a terceira maior entre 30 gigantes mundiais do setor. A rentabilidade da estatal superou amplamente a de petroleiras privadas ocidentais como ExxonMobil, Total, Chevron e Shell.
BAIXE O ESTUDO E LEIA NA ÍNTEGRA
Menos empregos, mais riqueza transferida
Esse lucro vertiginoso tem sido construído sobre as costas de um quadro de empregados cada vez menor. Entre 2018 e 2025, a Petrobrás reduziu seu efetivo próprio em 20%, passando de 63,4 mil para 50,7 mil trabalhadores.
A produção, contudo, bateu recordes, impulsionada pelos campos de alta produtividade do pré-sal e por um modelo que impõe uma terceirização massiva aos processos da empresa.
Enquanto o esforço da categoria multiplica os ganhos operacionais, o repasse desses valores tem um destino claro: os acionistas.
A Petrobrás assumiu a liderança mundial na distribuição de dividendos acumulados, repassando impressionantes US$96,9 bilhões entre 2021 e 2025. Esse montante é superior aos valores distribuídos por corporações muito maiores em faturamento, como a ExxonMobil e a Chevron.
Por outro lado, a classe trabalhadora amarga uma brutal desvalorização. A remuneração média anual em dólares dos trabalhadores da Petrobrás despencou 39,2% em dólares entre 2014 e 2025.
Hoje, a companhia registra a segunda menor remuneração média entre 11 grandes petroleiras, perdendo inclusive para empresas chinesas como a PetroChina e a CNOOC, invertendo uma posição histórica de liderança salarial.
A disputa concreta pela riqueza produzida
Diante deste cenário amplamente favorável à empresa, a proposta de PLR 2026-2027 apresentada pela Petrobrás desvaloriza quem efetivamente produz a riqueza. A discussão da PLR não se trata de uma gratificação separada da realidade econômica da empresa, mas de uma disputa concreta pela riqueza produzida.
A Petrobrás alcançou níveis excepcionais de produtividade e rentabilidade ao mesmo tempo em que seus trabalhadores perderam posição relativa na remuneração internacional e volumes extraordinários foram destinados aos acionistas.
A luta por uma PLR justa, máxima e igualitária é, mais do que nunca, a exigência pelo reconhecimento do trabalho que sustenta os recordes bilionários que a Petrobrás exibe ao mercado.
Por isso que lutamos por
MENOS ACIONISTAS, MAIS TRABALHADORES!
POR UMA PLR IGUALITÁRIA E MÁXIMA QUE VALORIZE A FORÇA DE TRABALHO QUE CONSTRÓI AS RIQUEZAS DA PETROBRÁS!
FNP, A LUTA É PRA VALER!