Quem deve, teme. Condenado na CVM desiste de cargo no CA da Petrobrás

O geólogo John Forman, ex-diretor da ANP, desistiu de ocupar uma cadeira no Conselho de Administração da Petrobrás, para o qual havia sido indicado na última segunda (14) pelo governo. A Petrobrás em comunicado na manhã desta quarta (16) confirmou a renúncia.

Forman foi sondado para o cargo ainda no fim de 2018 pelo atual ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e constou da lista de três indicações feitas pelo governo junto com o almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que vai presidir o colegiado, e o executivo da área de telecomunicações João Cox.

Envolvido por uso de informação privilegiada

No entanto, Forman desistiu diante da repercussão da notícia de que ele já fora condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por uso de informação privilegiada (insider trading) na venda de ações da petroleira HRT, hoje chamada de PetroRio. Forman nega as acusações e questiona a condenação na Justiça.

Em reportagem, a Folha de S. Paulo acrescenta que Forman informou a decisão inicialmente em comentário na mídia social Linkedin , ainda na noite de terça (15), respondendo a sobre sua indicação ao Conselho da Petrobrás. Procurado pelo jornal, ele se negou a dar entrevista. Ao site EPBR confirmou a informação e criticou a imprensa, a quem acusou de usar sua condenação na CVM para atacar o governo Bolsonaro

Nesta quarta (16), a Petrobrás informou que já recebeu a carta de renúncia de John Forman. Certamente, no entanto, o governo seguirá com suas manobras para mudar a composição do Conselho, cada vez mais pró-mercado e menos pelos reais interesses da Petrobrás.

A movimentação nos bastidores e pressão para emplacar nomes cada vez mais alinhados a Bolsonaro se mostra desde a renúncia forçada dos conselheiros Luiz Nelson Guedes de Carvalho (ex presidente do CA), Francisco Petros Papathanasiadis e Durval José Soledade Santos. Em suma, estamos assistindo o que já era péssimo ficando ainda pior.

 

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