Como previsto, a 17ª Rodada de Licitação não passou de um jogo de cartas marcadas

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A Shell arrematou por pechincha quatro blocos e um em parceria com a colombiana Ecopetrol, todos na Bacia de Santos. 87 blocos não receberam nenhuma proposta, o que mostra o fracasso colossal do certame

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) só conseguiu leiloar apenas 5 dos 92 blocos exploratórios de óleo e gás ofertados na 17ª Rodada de Licitações nesta quinta-feira (07/10), o menor número de ativos arrematados em um leilão sob regime de concessão no país.

A Shell foi a única a participar do leilão como operadora, ao arrematar quatro blocos sozinha e um em parceria com a colombiana Ecopetrol, todos na Bacia de Santos.

O bônus de assinatura somado da rodada foi de R$ 37,14 milhões, o segundo menor da história dos leilões de concessão do país, atrás apenas da 5ª Rodada, realizada em 2003, quando foram arrecadados R$ 27,45 milhões.

A rodada também ofertou blocos nas bacias de Campos, Pelotas e Potiguar e teve apenas nove empresas inscritas, menor número já registrado para um leilão de concessão no país. Algumas áreas da licitação ficam próximas a regiões ambientalmente sensíveis, como Atol da Rocas e Fernando de Noronha.

Shell toma o que é dos brasileiros

Com o resultado da rodada, a Shell ampliou seu portfólio no Brasil, passando a deter 28 blocos exploratórios, um campo em desenvolvimento e 14 campos em produção.
Segundo o presidente da Shell Brasil, André Araújo, o país já responde mundialmente por cerca de 13% da produção total de óleo e gás da empresa.

Os blocos arrematados pela anglo-holandesa nesta quinta-feira foram S-M-1707, S-M-1715, S-M-1717 e S-M-1719. Já no S-M-1709 a Shell terá participação de 70%.

Segundo um levantamento da ANP, divulgado em maio de 2021, são atualmente operados no Brasil, entre mar e terra, 234 blocos, sendo que 70% operados pela Petrobrás.

Feirão da cessão onerosa em dezembro

Presente no leilão, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, confirmou a realização da 2ª Rodada dos excedentes da cessão onerosa, em 17 de dezembro, e disse que poderá haver ainda neste ano um leilão da oferta permanente, dependendo do interesse da indústria do petróleo.

O que fica desta 17ª Rodada de Licitações, a ser analisado, é como os abutres do mundo do petróleo estão pagando cada vez menos na pilhagem ao patrimônio brasileiro, uma verdadeira doação.

O Sindicato repudia os leilões que entregam riquezas do país ao capital internacional e está na luta contra a privatização da Petrobrás.

 

Imagem: Twitter oficial da ANP

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