Nesta quinta-feira (03/07), o Sindipetro-RJ, através de seu diretor, Leandro Lanfredi, esteve presente na vigília do povo originário Tupinambá que está acampado na Quinta da Boavista
A vigília é para um ato programado nesta sexta-feira (04/07) no Museu Nacional, em que os Tupinambás vão exigir, mais uma vez, a devolução do manto sagrado, para o seu território em Olivença-BA. O artefato se encontra sob tutela do Museu Nacional, em sua biblioteca central
O manto sagrado foi roubado pela colonização há mais de 300 anos, quando acabou sendo levado para um museu na Dinamarca, foi repatriado e se encontra na biblioteca do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
O manto sagrado representa luta e resistência
Taquari Pataxó, companheiro da Cacique Valdelice Tupinambá, recebeu Lanfredi, e explicou a importância do manto para o povo Tupinambá.
“O manto sagrado para o povo Tupinambá e para os povos originários do Brasil, representa a força de nossa luta e resistência. Não é um mero artefato, é uma vida para nós. Ele é um ancião que voltou ao Brasil para afirmar a cultura e a existência do povo Tupinambá, que após 500 chegou a ser dado como extinto. No 2000, Amotara Tupinambá, uma anciã, já falecida, mãe da cacique Valdelice, teve contato com o manto que estava em uma exposição em São Paulo, no Museu do Ibirapuera para fazer reconhecimento de algumas peças, pela celebração dos 500 anos da invasão europeia ao território de Pindorama (Brasil). E então, a partir das lembranças das histórias que sua bisavó contava, Amotara teve contato com o manto, tendo uma experiência espiritual. E a partir disso começou a luta do povo Tupinambá pelo retorno de onde foi retirado, da Igreja de Nossa Senhora da Escada, em Olivença, na Bahia, nosso território sagrado”, explicou a liderança indígena.
O Sindipetro-RJ conversou com o pessoal da vigília e fez uma longa entrevista com a liderança indígena, Taquari Pataxó, cujo material será disponibilizado em vídeo.
“A luta para retomar esse manto que foi arrancado do povo Tupinambá é um símbolo de toda a luta dos povos originários do país, contra o massacre histórico que sofreram ao longo desses anos. Que segue acontecendo não só pela não devolução do manto, mas também pela falta de demarcação de terras, PL de devastação ambiental contra os territórios indígenas, acabando com a natureza, seja com a prática da mineração, agronegócio, extração de petróleo, em nome do lucro. Situação que não tem nada haver com o interesse do povo brasileiro, dos povos originários e do meio ambiente. Então estamos aqui nos aliando a essa luta do povo Tupinambá e de todos os povos originários. Por isso, o Sindipetro-RJ está aqui, prestando esse apoio.”, disse Leandro Lanfredi, que levou a mensagem de apoio da categoria petroleira aos Tupinambás acampados.
O manto retornou definitivamente ao Brasil em julho de 2023. Em setembro de 2024, foi realizada uma cerimônia com a presença do Presidente Lula, em que os Tupinambás fizeram um ritual de retorno. Mas após isso, eles ainda não conseguiram fazer com que o manto voltasse para seu lugar original e sagrado, na Igreja da Escada.
Agradecimento ao Sindipetro-RJ
O Sindicato levou uma doação de alimentos para os acampados na vigília. Ao Sindipetro-RJ, Taquari Pataxó deixou uma mensagem de luta e agradecimento.
“Essa luta é nossa, vamos defender essa causa, precisamos manter esse planeta vivo, deixando uma história para os nossos filhos, netos e bisnetos que vem por aí. Não adianta ver uma árvore e um rio pelo papel, é preciso ver uma árvore viva, um rio corrente de verdade, dar um mergulho e beber daquela água pura. Muito obrigado pelo apoio de vocês Sindipetro-RJ, por apoiar a nossa visão de luta e o conhecimento de um povo originário que luta pela vida, não só do nosso povo, mas de todo o planeta. Vocês levam nossa palavra, sendo nosso porta-voz, assim vocês nos deixam fortalecidos”, disse Taquari Pataxó.
