FNP e Frente Palestina exigem que Petrobrás interrompa venda petróleo para Israel

O documento direcionado para a presidenta da Petrobrás, Magda Chambriard foi entregue na manhã desta sexta-feira (15/08), no EDISEN,  pelos diretores da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e pela representante da Frente Palestina

A carta exige a suspensão total dos negócios da Petrobrás com o Estado genocida de Israel que já matou mais de 63 mil pessoas em Gaza, desde outubro de 2023, segundo dados da Embaixada da Palestina no Brasil.

O Sindipetro-RJ como integrante da FNP endossa o documento, apontando que a Petrobrás como empresa estratégica para o Brasil, símbolo da soberania energética do país, sendo uma empresa estatal, mesmo com presença de capital estrangeiro em sua estrutura, deve se manter sob o interesse nacional e aos princípios da Constituição brasileira que consagra o respeito aos direitos humanos e a prevalência dos direitos dos povos na condução das relações internacionais.

Sindicatos petroleiros na luta contra o genocídio promovido por Israel na Palestina ocupada

Assim, a FNP provoca a direção da Petrobrás à necessidade urgente de um posicionamento público, firme e transparente da companhia diante do genocídio em curso contra o povo palestino, especialmente no que diz respeito à venda de petróleo e derivados que abastecem à máquina de guerra de Israel.

Segundo um relatório de 2024, da Oil Change Internacional, “Por detrás do barril: novas percepções sobre países e empresas responsáveis pelo fornecimento de combustível para Israel”, O Brasil é o quarto maior fornecedor de petróleo e derivados ao Estado de Israel, sendo responsável por 9% do total exportado entre outubro de 2023 e junho de 2024.

No último mês de julho, a relatora especial da ONU para territórios palestinos, Francesca Albanese acusou empresas multinacionais de se beneficiarem do genocídio. Albanese apresentou o relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, intitulado “Da economia de ocupação para a economia de genocídio”, no qual identifica empresas e países que se beneficiam economicamente do genocídio contra os palestinos. O relatório dá destaque para o papel crescente dos campos petrolíferos brasileiros no abastecimento de combustível para armada israelense e suas forças de ocupação em territórios palestinos que estão sendo massacrados.

O documento da FNP e da Frente Palestina também se baseia em uma reportagem investigativa produzida pelo jornalista brasileiro Jamil Chade, em que é identificado que as exportações de petróleo para Israel cresceram cerca de 51% em 2024, totalizando 2,9 milhões de barris. Apesar disso, o Ministério de Desenvolvimento e Indústria e Comércio Exterior (MDIC) tem se mostrado omisso ao não divulgar informações transparentes sobre quais empresas estão envolvidas nesse comércio de exportação de óleo. “Essa falta de transparência contradiz os compromissos assumidos pelo Brasil no campo dos direitos humanos e dificulta o controle social sobre uma questão de extrema gravidade”, diz um trecho da carta.

Lula precisa ser coerente com suas palavras

O presidente da República, Lula tem feito declarações contundentes, denunciando o genocídio contra os palestinos. O governo brasileiro aderiu recentemente ao processo na Corte Internacional Justiça contra Israel, também cortando a exportação brasileira de equipamentos militares para Israel. No entanto, essas ações precisam vir acompanhadas de ações diplomáticas mais contundentes e coerentes com a nossa Constituição, suspendendo também o comércio de exportação de petróleo para Israel através da Petrobrás e de outras empresas que estejam operando aqui no Brasil.

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