Equador em ebulição: A luta da classe trabalhadora e indígena contra a austeridade de Noboa e do FMI

As ruas do Equador se tornaram o palco de uma paralisação popular que já dura mais de três semanas. A resistência, que tem o distrito de Imbabura como um de seus principais focos, revela uma guerra travada pelo governo de Daniel Noboa contra o próprio povo, atacando-o com repressão, fome e miséria. Apesar da desvantagem de forças, a luta popular segue nas ruas

O governo de Noboa tem promovido o ódio utilizando o aparato do Estado para reprimir e criminalizar o povo equatoriano. A perseguição e a violência são diárias.

No primeiro dia de protestos em Otavalo, em setembro, 12 pessoas foram acusadas de terrorismo. A repressão resultou na morte de Efraín Fuerez, em 28 de setembro, até o momento um dos exemplos mais trágicos dessa brutalidade. Ontem, no dia 14 de outubro, foi confirmada a mais uma morte destes 23 dias de protestos: Rosa Paqui Seraquive, uma idosa do povo Kichwa Saraguro.

Além de espancamentos, mutilações de jovens e deportação de jornalistas agora o governo, sob o pretexto de “comboios humanitários” – compostos por 1.000 militares e policiais – mobilizou as Forças Armadas, resultando em mortes e dezenas de feridos, incluindo mulheres e menores. Em resposta, a Conaie convoca a partir de 16 de outubro um verdadeiro corredor humanitário, com doações de alimentos, remédios e itens básicos na sede da CONAIE, perante a grave crise provocada pela repressão.

Recentemente, no dia 12 de outubro, a elite orquestrou uma complexa estratégia para desmobilizar os manifestantes. A tática começou com a disseminação da falsa narrativa de que a CONAIE pretendia “tomar Quito”. O objetivo principal foi, na verdade, reprimir e cercar a capital, que já havia sido um ponto central de conflito nos levantes de outubro de 2019 e junho de 2022.

Já são mais de três semanas de mobilizações e greve geral. As mobilizações começaram nas bases comunitárias, e são uma reação às medidas econômicas de austeridade, como o aumento na gasolina e no diesel e ao brutal autoritarismo governo.

Em 12 de setembro de 2025, o governo equatoriano anunciou a liberação do preço do diesel, apresentada como uma medida para reduzir o déficit fiscal, eliminar o contrabando e direcionar recursos para investimentos sociais. No entanto, essa política, na verdade, transfere o peso da crise para os trabalhadores e fortalece a dependência de importações.

Esse foi o motor das mobilizações, mas não apenas. Há tensões históricas, e o governo de Noboa cumpre o papel neocolonial de negar a identidade indígena e deslegitimar o movimento, usando discursos racistas contra os povos indígenas e a CONAIE.

A repressão segue, com as Forças Armadas invadido comunidades, agredido moradores e disparado munição real, gás lacrimogêneo e tiros de fuzil.

É preciso cercar de solidariedade o povo indígena equatoriano em sua luta contra o brutal regime de Noboa e suas políticas de austeridade!

Leia aqui a nota da ANTEP, filiada à FITEHLYC

 

Últimas Notícias