Chega de Chacina! Fora, Claudio Castro!

O Sindipetro-RJ denuncia a política de “segurança” de Castro que nada mais é do que uma criminalização da pobreza e se solidariza em luto e luta com todas as famílias e comunidades que choram as dezenas de mortos vitimizados pelo terrorismo de Estado

O Brasil não pode mais seguir com essa lógica de guerra nas favelas e que só tem como resultado um altíssimo número de mortos, que atinge principalmente jovens pretos e pobres!

Durante a madrugada desta quarta (29), moradores do Complexo da Penha levaram pelo menos 55 corpos para a Praça São Lucas, numa das estradas principais da região. O número de mortos chega a mais de 120!

 A ação de “segurança” conduzida pelo governador Cláudio Castro na terça (28) ficou marcada como a maior chacina da história da cidade. Mais uma vez agentes da Polícia Civil e da Polícia Militar realizaram megaoperação sem quaisquer preocupações com os impactos comunitários e sem trazer dados de vitimização em uma região que tornou-se dominada pela criminalidade por falta da presença do Estado que não garante direitos básicos nem justiça, cidadania e proteção e só entra e sai de forma truculenta.

O argumento de mobilização de um grande número de agentes da polícia não garante que essa forma de operação irá resultar em melhoria estrutural da segurança, ao contrário gera aprofundamento de vulnerabilidade nas comunidades onde a guerra “contra o tráfico” justifica a pena de morte.

O que falha todos os dias é o planejamento e a responsabilidade dos governantes. Cláudio Castro age baseado em ações de repressão para sustentar o seu teatro de que “está enfrentando o crime”. Os governadores anteriores fizeram o mesmo com operações que também se transformaram em chacinas. O que esses governantes fazem é xenofobia e racismo.

Cláudio Castro mais uma vez demonstrou com um longo rastro de sangue que a sua política de “segurança” nada mais é do que uma guerra declarada contra a classe trabalhadora que vive nas favelas. A megaoperação foi um massacre televisionado, um espetáculo de força bruta para agradar à elite e colocar a sua campanha eleitoral já nas ruas.

Os massacres do Jacarezinho (2021), com 28 mortos, e da Vila Cruzeiro (2022), com 23, seguiram o mesmo roteiro da Operação Contenção: ofensivas letais em territórios pobres e majoritariamente negros, justificadas por alegações vagas de “combate ao tráfico”. Os números mudam, mas a lógica permanece: a de um Estado em guerra contra o povo.

Notável que nos discursos do governo e na narrativa da Imprensa os termos se alinhavam com o discurso de Trump: trata-se de “narcoterrorismo”. Uma campanha de medo envolvida no discurso de defesa da segurança pública tão conveniente para fins eleitorais e armamentistas.

E no afã da campanha eleitoral erguida sobre corpos negros assassinados, a megaoperação rapidamente se tornou também um embate institucional entre o governo estadual e o federal.

E a forma como o governo Lula tem lidado com a violência no Rio de Janeiro é uma demonstração dos seus limites. Hoje, um dia depois do massacre, o presidente se reúne com equipe para discutir “ações conjuntas de inteligência com o governo local” não descartando o uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento previsto na Constituição Federal que permite o emprego temporário das Forças Armadas, sabendo-se que o Rio de Janeiro já passou por esta etapa e nada mudou.

A relutância em criticar abertamente o modelo de segurança que trata comunidades como zonas de guerra é parte do profundo problema político de encararmos o que é de fato o racismo institucionalizado nesse país e o papel do Estado e das forças policiais.

A luta contra a brutalidade policial deve unir trabalhadores e movimentos sociais para exigir o fim das incursões militares nas comunidades e a responsabilização do Estado por suas vítimas. Não é possível, por exemplo, que exista uma “gratificação faroeste”, aprovada na ALERJ este ano, como “reestruturação da Polícia Civil, que incentiva o agente a “neutralizar” criminosos em troca de uma bonificação que pode aumentar o salário em até 150%!

É preciso parar essa barbárie! O Rio de Janeiro precisa de políticas que defendam a vida, a dignidade, a Educação e a Saúde para todos, não de mais violência.

É hora das receitas do petróleo e gás, os royalties, serem usadas para alavancar a mudança estrutural necessária com saúde, educação, moradia, aposentadoria etc. e não para pagar dívidas do Estado do RJ como Castro propôs na ALERJ em Projeto de Lei que foi aprovado por uma maioria de deputados de direita no último dia 22/10 ou muito menos para financiar o terrorismo de estado.

O Sindipetro-RJ participa da plenária “Chega de Chacina! Fora Claudio Castro!” que acontece nesta quarta (29), às 13h, no Buraco do Lume, Centro da cidade, para organizar a luta

O Sindicato também participará, nesta quarta (29), às 18h, de reunião organizativa da campanha “Fora, Claudio Castro”. Inscrições abertas no https://forms.gle/6JAVRv2eb4TLySnH7

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