Entre os dias 20 e 23 de novembro, o Rio de Janeiro recebe o encontro que tem por objetivo ser um contraponto à COP30. O Sindipetro-RJ marca presença no evento, acompanhado e cobrindo as mesas de debates
A programação teve início na quinta-feira (20/11), “ Dia da Consciência Negra”, com a 14ª Marcha da Periferia que foi realizada viaduto Negrão de Lima, em Madureira, com o Sindipetro-RJ se somando na luta contra o genocídio da população negra, contra as chacinas e contra todas as formas de opressão que atingem a classe trabalhadora. Às 18h foi realizada a mesa de abertura do encontro que contou com a presença de Cyro Garcia (PSTU), Renato Cinco (GEEM), Pedro Aranha (Coalizão pelo Clima), Bruno Cruz (Marx Carioca), Leandro Lanfredi (diretor do Sindipetro-RJ e MRT)), José Dalmo (Emancipação Socialista), Willian Cruz, Babá (CST), Alexandre Samis (IEL), Matilde Alvim (Climáximo) e Aline Castro (PCBR).

A tônica das falas de abertura ficaram por conta da necessidade de enfrentamento ao Capitalismo para salvar o Meio Ambiente.
O Eixos dos debates abordam:
O caráter insustentável do capitalismo; a impossibilidade de um capitalismo verde; denunciar as instituições capitalistas, empresas, Estados e organismos internacionais (ONU, COPs, G20 etc.) e suas falsas soluções; denunciar o negacionismo e o caráter destrutivo da política ambiental do Estado brasileiro, incluindo o governo Lula; debater o significado da ruptura com o capitalismo; articulação da lutas ambientais concretas travadas pelos trabalhadores e o povo; e a luta contra o imperialismo e o fim o apoio ao povo palestino.
Genocídios Capitalistas: da Palestina às Favelas
No segundo dia, 21/11, as atividades começaram com a mesa “Genocídios Capitalistas: da Palestina às Favelas”, sendo o painel da manhã composto pela economista demógrafa Rita Passos (IPPUR/UFRJ), Osmarino Amâncio (seringueiro), José Gomes Hata (Movimento 3a Divisão – Angola), Julio Condaque (Quilombo Raça e Classe).

Racismo ambiental
Rita Passos apresentou um painel fazendo uma relação com o tema do racismo ambiental e a opressão de Estado contra as populações pobres, negras e faveladas a partir das operações policiais em áreas de periferia.

A economista criticou o papel das COPs que em realidade só propõem a atualização e adequação do modelo capitalista na pauta ambiental, não debatendo os processos de violência estatal, exclusão social e racial.
O genocídio dos povos originários e da floresta
Em seu painel, o líder seringueiro Osmarino Amâncio fez uma uma abordagem sobre como a Ditadura Civil Militar do Brasil (1964-1985), promoveu o extermínio dos povo indígenas na Amazônia, e contextualizando a realidade atual da opressão capitalista contra os povos amazônidas que sofrem agora com a exploração dos recursos naturais da região, citando as operações de grandes petrolíferas como a Petrobrás , na exploração de petróleo e gás. Osmarino ainda fez críticas aos objetivos da COP30.

Ainda em seu painel, Osmarino criticou a influência das ONGs estrangeiras como WWF, Greenpeace, entre outras na Região.
O genocídio em África
O líder do Movimento Terceira Divisão de Angola, José Gomes Hata fez sua fala contando como o colonialismo e o capitalismo sugam os recursos naturais de África e impõem regimes de exploração desenfreada aos povos do continente, como acontece atualmente em Angola. Hata, em sua apresentação, citou processos de genocídio e extermínio ainda nos processos de colonização no continente africano.

O capitalismo e seus laços com a política de extermínio na Segurança Pública do Rio
Por fim, em sua apresentação, o professor Julio Condaque abordou como o racismo é estruturado na sociedade brasileira, pontuando sua fala pela necessidade de emancipação das populações negras e periféricas.

Condaque lembrou dos processos de implantação de programas sociais e de segurança pública em favelas do Rio de Janeiro, citando os projetos de Unidade ee Polícia Pacificadora (UPP), que fracassaram por uma imposição de uma dinâmica terror de Estado através da Segurança Pública que visa proteger os lucros do capital e sua exploração.
O prof. ainda lembrou que a polícia do Rio de Janeiro reproduz os métodos e técnicas de extermínio do Estado de Israel contra os palestinos. Julio Condaque disse que há um processo de militarização das forças de Segurança Pública no Brasil.
Documentário contra sobre desaparecimentos na Baixada Fluminense
Na parte da tarde, o encontro recomeçou com a exibição do documentário “Desova”, um retrato contundente sobre a tragédia dos desaparecimentos forçados na Baixada Fluminense. A narrativa acompanha de perto a angústia e a incansável luta das mães das vítimas, revelando como o crime organizado e a violência estatal perpetuam um ciclo de dor e impunidade nos casos de desaparecimento forçado, que anualmente tem alcançado mais de trezentos mil de vítimas no Brasil.
Movimentos populares e luta ambiental
Após a exibição de “Desova”, foi realizada a mesa 3, com a presença de representantes da Avabrum (Brumadinho), Campanha do Caô Climático, Rio sem Óleo, Jovens Defensores Populares pelo Clima na Baixada, FormigAção-ATB, com a mesa contando com a mediação de Flávia Braga Vieira (UFRRJ)
Brumadinho , uma tragédia que não deixarmos cair no esquecimento
Sete anos após a tragédia de Brumadinho, que vitimou fatalmente 251 pessoas, a representante da AVABRUM (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão) esteve na terceira mesa do Encontro relatando que “a depressão tomou conta de Brumadinho”.
Há atualmente uma realidade duríssima na região, reflexo das várias consequências da tragédia, como a divisão da população local pela política da Vale de comprar diversas fazendas.
Mesmo com esse cenário desfavorável, segue firme na luta contra as mineradoras na região, e a AVABRUM trouxe diversos exemplos inspiradores dessa luta ao encontro.
O debate sobre “Movimentos sociais e Meio Ambiente” seguiu com exemplos de luta e solidariedade, com centro na luta por reparações ambientais e pela vida dos povos de forma indissociada com a defesa dos territórios e do meio ambiente.
Na parte da noite, a partir de 18h, acontece o último painel do dia “O Colapso ambiental e a crise do capital: um diagnóstico”, que contará com as presenças de Luís Marques (Unicamp), Erica Andreassy (Ilaese), Marcelo Lopes de Souza (UFRJ), Rhian de Medeiros Vieira Soares (PCBR).
Programação do 3º dia – Sábado (22/11)
O Encontro Anticapitalista pelo Clima e pelo Fim dos Genocídios segue neste sábado (22/11), com o início das atividades a partir de 9h.
Confira a programação:
Leonardo Kaplan (Asduerj), Ivan Targino (Sindicato Metabase Inconfidentes), Renato Cinco (GEEM), Bárbara Sinedino (CST).
Mediação: Pedro Aranha
14h mesa 6: Lançamento de livros
Julio Condaque (Os Territórios Indígenas e Quilombolas na zona Matopiba), Luiz Marques (Ecocídio: Por uma (agri)cultura da vida), Eduardo Sá Barreto (Pequeno guia para a crítica ecossocialista do capitalismo), Sinan Eden (Uma Teoria Revolucionária para Interromper o Colapso Climático) Carta de Direitos Climáticos Rebio do Tinguá
19h Mesa 7: A classe trabalhadora e o colapso ambiental: um programa anticapitalista
Eduardo Sá Barreto (UFF), Plinio de Arruda Jr (Unicamp), Jefferson Choma (Canal Ecologia e Política Marxista), Matilde Alvim (Climáximo),
Mediação: Ana Lídia
Encerramento com marcha em Copacabana
No domingo (23/11), o encontro encerra com a Marcha anticapitalista pelo clima e pelo fim dos genocídios, com concentração às 14h na praia de Copacabana, em frente a Rua Prado Junior.
O Encontro Anticapitalista pelo clima e pelo Fim dos Genocídios é organizado por coletivos ambientais, veículos de comunicação, movimentos populares, partidos políticos, entre outros como:
Coalisão Pelo Clima, Revista Contrapoder, Canal Marx Comenta, Emancipação Socialista, Frente Socialista Revolucionária, Instituto de Estudos Libertários (IEL), Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) e PSTU