14×21 para todos os petroleiros é luta que vai além do trabalho

A ampliação da escala para os terceirizados da Petrobrás embarcados é questão de saúde, segurança, qualidade de vida e geração de empregos. E, o Sindipetro-RJ tem pressionado a Petrobrás e o Congresso para garantir esse direito a todos os trabalhadores do Offshore

Em entrevista no programa Faixa Livre, ao vivo, no dia 16/07, o diretor do Sindipetro-RJ, André Bucaresky, falou sobre a luta pela implantação da escala de 14 dias de embarque por 21 de descanso (14×21) para todos os petroleiros em plataformas. Não tem cabimento ter a 14×21 para quem é empregado da Estatal e a 14×14 para quem é contratado por empresas terceirizadas!

Apesar das dificuldades técnicas que interromperam parte da transmissão, Buca explicou por que a reivindicação se tornou uma das principais bandeiras da categoria petroleira.

Debate nacional

Segundo Buca, a campanha “14×21 para todos!” lançada pelo Sindipetro-RJ dialoga diretamente com o debate nacional que é travado nesse momento sobre o fim da escala 6×1, que inclusive é praticada dentro da Petrobrás também por empresas terceirizadas (!), e colocando no centro uma questão essencial: o direito à vida para além do trabalho.

Trabalho em condições extremas

Buca lembrou que o cotidiano dos trabalhadores embarcados é muito diferente da realidade da maioria das categorias. As plataformas operam a centenas de quilômetros da costa e os petroleiros permanecem confinados durante duas semanas consecutivas, trabalhando jornadas de 12h em ambiente de alto risco.
Além dos riscos inerentes à produção de petróleo e gás, os trabalhadores convivem permanentemente com a chefia, permanecem afastados da família e enfrentam impactos físicos e psicológicos decorrentes do confinamento.

“O atual regime de 14 dias de trabalho por 14 dias de descanso, predominante entre os terceirizados no Offshore Petrobrás, não permite uma recuperação adequada nem uma convivência familiar minimamente saudável.”

Direito que já existe para parte da categoria

Durante a entrevista, Bucaresky informou ao público que os empregados próprios da Petrobras conquistaram, ao longo de anos de organização sindical, a escala 14×21, e que não existe impedimento operacional para a adoção da escala mais benéfica em toda a cadeia produtiva. “Ao contrário, a mudança ampliaria o número de grupos de trabalho embarcados, gerando novos postos de trabalho e valorizando os salários da categoria”, disse.

Petrobrás pode implementar a mudança

O sindicalista falou sobre o Projeto de Lei (PL) nº 4875/2025 que tramita no Congresso Nacional para garantir a escala 14×21 no Offshore. No entanto, ressaltou que a Petrobrás possui condições de implementar a mudança já independentemente da aprovação do PL. “A Companhia registra produção e lucros recordes, o que lhe daria plenas condições de exigir a nova escala também nos contratos firmados com empresas terceirizadas”, afirmou.

Empresa precisa voltar a priorizar os trabalhadores e o País

Ao comentar a postura da Petrobrás diante da reivindicação, Buca criticou a lógica de gestão de Magda Chambriard voltada prioritariamente para a remuneração dos acionistas.

Ele lembrou que a Petrobrás nasceu da histórica campanha “O Petróleo é Nosso”, voltada ao desenvolvimento nacional, mas afirmou que, ao longo das últimas décadas, passou a privilegiar cada vez mais a distribuição de lucros ao mercado financeiro numa lógica que pressiona pela redução de custos, afetando investimentos em saúde, segurança e condições de trabalho.

Mobilização continua

A campanha “14×21 para todos!” representa uma luta por dignidade, saúde, segurança e qualidade de vida para todos os petroleiros e petroleiras que trabalham embarcados.

A mobilização do Sindipetro-RJ busca ampliar um direito já conquistado por parte da categoria, garantindo tratamento isonômico para próprios e terceirizados e reafirmando que quem produz a riqueza do Brasil também tem direito a uma vida para além do trabalho!

Assine o abaixo-assinado

Assista a entrevista a partir dos 1’40”:

Últimas Notícias