ILAESE lança Nota Técnica sobre resultados da Petrobrás no 1º semestre de 2026

Levantamento aponta que os números do  primeiro semestre de 2026 mostram uma nova aceleração, sendo fundamental para isso o papel dos trabalhadores da empresa

 A empresa ampliou suas receitas, lucros e geração operacional de caixa. A discussão sobre salários, benefícios e participação nos resultados não pode ser feita sem levar em conta o desempenho concreto da companhia.

Segundo a nota do Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE), lançada em conjunto com o Sindipetro-RJ, os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram uma Petrobrás em condições econômicas e operacionais excepcionalmente favoráveis. A receita líquida alcançou R$ 293,2 bilhões, 21% acima do mesmo período de 2025. O lucro bruto cresceu 34,5% e chegou a R$ 157,9 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou 37,3%, para R$ 85,3 bilhões. 

Crescimento da produção puxa resultado positivo

No segundo trimestre, a companhia chegou a um dos maiores resultados financeiros trimestrais de sua história. Diferentemente do que ocorreu no primeiro semestre de 2025, dessa vez o crescimento do lucro não pode ser explicado principalmente por ganhos cambiais. O resultado financeiro caiu mais de 60%, mas o lucro líquido continuou avançando.

O elemento decisivo foi a operação da companhia: crescimento da produção, aumento das exportações, alta do preço do petróleo, maior utilização das refinarias e redução da necessidade de importar derivados. O lucro operacional do semestre ultrapassou R$113 bilhões, mais de 55% acima de 2025. A Petrobrás produziu 3,34 milhões de barris equivalentes por dia no segundo trimestre, novo recorde, e alcançou 4,87 MMboed de produção total operada. 

No Pré-Sal, os recordes também foram sucessivos. O campo de  Búzios ultrapassou 1 milhão de barris por dia e chegou a registrar 1,2 milhão em junho. Nas refinarias, o fator de utilização alcançou 101,2%, superando o recorde anterior de 2014. A produção de derivados cresceu e as exportações de petróleo dispararam. Tudo isso se deve à atividade de seus trabalhadores. Operação, manutenção, perfuração, produção, refino, logística e escoamento dependem diariamente de milhares de trabalhadores. 

Trabalhadores são fundamentais

A própria administração reconhece que os resultados decorreram da eficiência operacional e da manutenção das unidades. É precisamente por isso que os recordes de produção e lucratividade devem aparecer no centro da negociação trabalhista. Os custos aumentaram, mas numa velocidade muito inferior à dos resultados. 

O custo dos produtos vendidos cresceu 8,4%, contra 34,5% do lucro bruto. O lifting cost acrescido do afretamento permaneceu praticamente estável em relação a 2025, em torno de US$9,14 por barril equivalente. Portanto, a expansão da produção não foi obtida à custa de uma deterioração generalizada da eficiência da companhia. O contraste aparece quando chegamos aos trabalhadores. As despesas totais com pessoal cresceram apenas 3,2%, e a remuneração variável aumentou 8,75%. Enquanto isso, o lucro líquido cresceu 37,3%.

Como consequência, a parcela dos trabalhadores no valor adicionado da Petrobrás caiu de 11% para 9%, enquanto a parcela correspondente ao lucro subiu de 31% para 34%. Esse é o dado central para a negociação da PLR. Não há crise econômica na Petrobrás que justifique reduzir ou limitar a participação dos trabalhadores nos resultados.

Há, ao contrário, expansão acelerada da produção, das receitas, do lucro operacional, do lucro líquido e da geração de caixa. A companhia ainda aprovou R$17,4 bilhões em proventos relacionados apenas ao resultado do segundo trimestre. Os dados do primeiro semestre de 2026 fortalecem de maneira inequívoca a reivindicação de ampliação da participação dos trabalhadores nos resultados da Petrobrás.

Dinheiro tem para melhorar as condições dos ativos e aposentados, basta ter vontade política para resolver

Esses dados pontuados na Nota Técnica vão servir para embasar o Sindicato nas negociações da nova PLR. Vamos provar por A + B que a Petrobrás possui condições de melhorar a PLR de seus trabalhadores, além de rever o “Novo/Velho PCR“ da empresa, e também e também construir uma nova política em relação aos aposentados. É preciso estancar essa sangria a favor dos acionistas, e reconhecer o que é de direito aos seus trabalhadores.

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