Como denunciado em nosso boletim anterior, o clima organizacional na P-74 atingiu níveis insustentáveis após o Gerente de Operações (Geop) local ter decidido instaurar uma verdadeira política de terror a bordo, valendo-se de avaliações de desempenho (GD) altamente questionáveis e sem nenhum feedback prévio para justificar punições e anunciar uma onda de desimplantes arbitrários, marcados em tese para este mês de setembro
Trabalhadores que cumpriram todas as suas metas foram surpreendidos com notas humilhantes, gerando um ambiente de adoecimento, medo e insegurança operacional. Diante dessa quebra do Código de Ética e do flagrante desrespeito às diretrizes corporativas, o Sindipetro-RJ exigiu uma reunião de emergência com o RH para frear a perseguição e proteger a categoria.
A reunião ocorreu na segunda-feira (31/08), quando o Sindicato sentou-se à mesa com o RH e o Gerente do Ativo 1 de Búzios. Durante o encontro, o sindicato cobrou ações efetivas e, como resultado da forte pressão – inclusive com a publicação do Manifesto de Repúdio dos Trabalhadores da P74 às medidas do Geop- foi garantido o cancelamento dos desimplantes previstos para setembro e a realocação dos trabalhadores sem prejuízos. O RH negou mais uma vez que exista qualquer diretriz corporativa para uma nova onda de desimplantes baseada no desempenho.
A empresa afirmou durante a reunião o cancelamento imediato do SIRH dos petroleiros que seriam retirados da plataforma neste mês de setembro e a garantia que esses companheiros serão realocados em outras unidades, mantendo o regime offshore e sem prejuízos à rotina familiar.
Na mesma oportunidade, o Sindicato cobrou duramente a revisão das notas do GD, exigindo atenção prioritária, especialmente para os casos inaceitáveis de avaliação abaixo de 2.
O combate ao assédio moral foi outro ponto central da reunião. O Sindicato reiterou que não será tolerado nenhum caso de perseguição nas plataformas de Búzios e alertou que a empresa precisa repensar urgentemente o funcionamento da Ouvidoria. A ferramenta atual não inspira a menor confiança nos embarcados, pois a falta de garantia de um anonimato real coíbe a sua utilização. O trabalhador, com toda razão, teme que a denúncia não gere punições aos assediadores, resultando apenas em represálias e na continuidade da subordinação a lideranças abusivas.
Foi exigido o resgate urgente de políticas voltadas para o bem-estar e o lazer a bordo. Em resposta às críticas, o Gerente do Ativo 1 declarou que a ambiência e o bem-estar da força de trabalho são prioridades e se comprometeu a tomar as medidas cabíveis para melhorar o clima na unidade.
Para formalizar essas cobranças, o Sindicato entregou em mãos uma pauta de reivindicações elaborada pelos próprios trabalhadores da P-74. O RH e a gerência do ativo se comprometeram a analisar todos os pontos e agendar uma nova reunião para dar o retorno formal sobre as tratativas.
Confira a seguir a pauta dos trabalhadores da P74:
- Falta do Container dos Operadores de produção: Há cerca de quatro anos está sendo cobrada, pelo sindicato, a instalação de um container na área industrial para os operadores, assim como já foi feito em outras unidades de Búzios. Solicitamos a priorização desse tema por parte da gestão da P74, pois em outras unidades esse container já foi instalado há bastante tempo, o que demonstra que é possível ter mais agilidade;
- Imposição de uma escala de revezamento para o PMB de 6 meses para a Equipe de Manutenção – O PMB é necessidade da empresa e, como o trabalhador será transferido provisoriamente para o administrativo, modificando completamente sua rotina laboral e afetando seu relacionamento familiar. A empresa não pode impor o PMB aos trabalhadores, principalmente para aqueles que não moram no Rio de Janeiro. A empresa no ACT relacionado ao trabalho híbrido, não concordou manter os trabalhadores de regime especial, forçando-os a trabalhar presencialmente cinco dias na semana e essas condições geram dificuldade para a gestão da empresa conseguir trabalhadores para o PMB. Essa situação foi relatada para o Gerente Geral de Búzios em reunião presencial;
- Baixo efetivo de Operadores de Produção – Em algumas semanas ficaram na área apenas um operador de cada área no turno, ao invés de dois, o que sobrecarrega muito os operadores da área industrial;
- Baixo Efetivo de TME e TMM – Situação que se agravou com a decisão de transferir/desimplantar trabalhadores da manutenção. A defasagem atual gera sobrecarga de trabalho e compromete a segurança operacional. A P74 é a plataforma de búzios com menor quadro de TME/TMM. Trabalhadores relatam que é comum ficar apenas um TME no turno da noite, situação que sobrecarrega o trabalhador que por muitas das vezes é obrigado a realizar manobras críticas sozinho, descumprindo o que preconiza a NR 10;
- Baixo Efetivo de Operador de Embarcação – Trabalhadores relatam baixo efetivo de operadores de área E2, tanto que há operadores vindo de outras unidades para fazer embarques extras da P-74. Foi informado também que há uma profissional de nível superior que está embarcando na P-74 constando na escala como se fosse E2, mas na verdade ela atua como se fosse coordenadora/supervisora, exercendo função de liderança e emitindo poucos serviços, o que gera sobrecarga nos demais operadores do grupo. O fato da trabalhadora constar na escala como E2, mascara um pouco o problema de efetivo;
- Política Punitivista de No-Show e Faltas – Se tornou prática recorrente da coordenação de lançar código de FALTA NÃO JUSTIFICADA quando ocorre com o trabalhador algum imprevisto a respeito da sua viagem para chegar no Rio de Janeiro (Alteração/Cancelamento do Voo, Acidente rodoviário etc). Aconteceram alguns casos que o trabalhador informou ao coordenador que não conseguiria chegar ao Rio a tempo de pegar o ônibus às 5:00h no EDIHB para pegar o vôo das 7:00h, porém ele informou que chegaria um pouco mais tarde, sendo apto de pegar o ônibus das 7:00 ou 10:00h, e mesmo com a possibilidade do coordenador reprogramar o vôo do trabalhador para o mesmo dia, porém em um horário mais tarde, o coordenador optou em todas as vezes deixar o trabalhador tomar um NO SHOW, e assim lançou o código de falta. Essa prática está errada, pois se o trabalhador avisou com antecedência o motivo do atraso dele, então foi apresentada a devida justificativa, portanto não cabe de forma alguma lançar o código de FALTA NÃO JUSTIFICADA;
- Adequação Emergencial da Infraestrutura Sanitária – Solução imediata para a grave escassez de banheiros a bordo, situação insustentável que fere as normas de higiene, dignidade e saúde do trabalhador. Banheiros dos camarotes não podem ser contados como banheiros disponíveis, pois nos camarotes de turno estão sendo utilizados para descanso em ambos os turnos. Vale lembrar que a P-74 foi construída para um POB inicial de 120 trabalhadores, consequentemente, os banheiros coletivos que existem a bordo foram projetados para atender 120 pessoas. No decorrer do tempo, o POB subiu para 190 pessoas, e nenhum banheiro coletivo a mais foi construído. Há claro descumprimento da NR 37 que prevê o número mínimo de sanitários e lavabos coletivos em função de pessoas trabalhando no turno. Em Setembro de 2025, após a greve dos trabalhadores da Estrutural, durante a campanha de UMS, o Geop se reuniu com o Sindipetro-RJ e se comprometeu a instalar a bombordo do casario um container sanitário, com algumas cabines de sanitário e lavabos. O Geop na ocasião disse que já havia contratado o aluguel desse container e que o mesmo já estava para ser embarcado, porém até a presente data, esse container nunca esteve a bordo. A greve dos trabalhadores da Estrutural foi causada, em grande medida, pela proibição que o Geplat a bordo estabeleceu, para que os trabalhadores lotados na UMS não utilizassem os banheiros do casario. O compromisso assumido pelo Geop em reunião não foi cumprido;
- Preservação de Áreas de Lazer e convivência e não ao aumento do POB – A gestão da P-74 divulgou aos trabalhadores que já está aprovada a conversão de duas salas de lazer e convivência em camarotes, para aumentar o POB em 12 pessoas. Isso irá agravar ainda mais o problema de escassez de banheiros a bordo;
- Equipamentos para sala de música – Empregados relataram também que a gerência recusou a melhoria dos equipamentos da sala de música, motivado pela resiliência, também deixando a entender que com esse aumento do POB não existirá mais sala de música. Essa medida prejudica muito a ambiência a bordo;
- Transferências via Mobiliza – Empregados relataram falta de transparência nas transferências do mobiliza, cancelando a transferência pré aprovada sem comunicar com o empregado, ainda há relatos de empregados que foram conversar com Geop sobre a transferência voltaram sem um motivo concreto e ainda com respostas ásperas. Esses episódios geram muita frustração nos trabalhadores que observam que nas outras unidades o processo de transferência ocorre de maneira mais transparente e justa;
- Brigada de Emergência – Adequação do contingente de brigadistas a bordo ao dimensionamento real da plataforma, garantindo pronta resposta à emergência, o mesmo brigadista está compondo o posto no turno do dia e turno da noite. Houve um caso de um TME foi escalado para brigada, deixando o posto de operação desguarnecido. A participação na brigada deve ser voluntária, nenhum trabalhador deve ser obrigado a compor a brigada e a empresa deve prover a condição para que todos os trabalhadores interessados possam fazer o treinamento necessário para compor a Brigada;
- Nível de Ruído e vibração nas Oficinas – Empregados relataram diversas vezes em DDS até na CIPA que o ruído e vibração nas oficinas da praça de máquinas (Elétrica, Instrumentação e Mecânica) estão muito acima do aceitável, sendo até difícil de compreender o que é falado nos DDS, mas ainda não foi tomado nenhuma ação para sanar esse problema. Os trabalhadores da manutenção utilizam a oficina como escritório para poder realizar treinamentos e relatórios, e o ruído externo vindo da praça de máquinas atrapalha muito na execução dessas atividades;e
- Linguagem inadequada da Liderança – Os trabalhadores reclamaram reiteradamente que alinguagem que alguns membros da liderança utilizam a bordo é inadequada e que deixam a equipe desconfortável, frases como “eu mando na plataforma”, “não quero ver isso novamente se não…”, “estou mandando fazer isso e pronto”, “não sei como vai fazer, eu quero ver pronto…”. Termos como esses criam um ambiente hostil para os trabalhadores.