Chacina do Complexo da Penha e Alemão completa um ano sem respostas

O Sindicato se solidariza em luto e luta com todas as famílias e comunidades que choram depois de um ano as dezenas de mortos vitimizados pelo terrorismo de Estado

Durante a recente campanha eleitoral do segundo turno, milhares de pessoas falaram nas redes sociais sobre o caso da menina Ana Clara que foi morta com dois tiros de fuzil por um policial que depois foi protegido pelo senador Flávio Bolsonaro. Diante disso, o Sindipetro-RJ reforça sua luta por justiça. Nas redes e mídias sociais se pediu Justiça para Ana Clara. Então, agora é necessário lutar por justiça para ela, mas também para todas as vítimas da Penha e Alemão e cada vítima de violência do Estado.

Há exatamente um ano, em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção promovida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, executada pela Polícia Militar e Polícia Civil do RJ, deixou 122 pessoas mortas nos Complexos da Penha e do Alemão. Essa ação utilizou um contingente de guerra que operou com 2.500 pessoas, no que é considerada a operação policial que mais matou no Brasil.

Durante a operação, centenas de milhares de moradores ficaram sitiados em suas próprias casas, escolas e creches foram fechadas, e clínicas da família interromperam atendimentos essenciais. A população local ficou mais de 72 horas sem água e luz. Para o Estado, criminosamente, vidas faveladas e negras seguem valendo menos.

Impunidade e investigações travadas

Organizações de direitos humanos e movimentos sociais de favelas vêm denunciando sistematicamente a lentidão, a fragmentação e a falta de transparência nas investigações. Relatos de alteração nas cenas dos crimes, remoção de corpos sem a devida perícia e intimidação de testemunhas reforçam um padrão de impunidade policial já visto em tragédias anteriores, como as do Jacarezinho e da Vila Cruzeiro.

O mandante dessa operação, Claudio Castro, segue impune de todos os seus crimes, vivendo uma vida tranquila em sua mansão milionária na Barra da Tijuca. O Sindipetro-RJ na época denunciou a política de “segurança” do então governador Cláudio Castro, que consiste na criminalização da pobreza. Seguimos cobrando a responsabilização dos envolvidos na chacina. Chega de impunidade!

Por fim, mas não menos importante, perante as agressões de policiais e civis bolsonaristas no atual contexto da derrota eleitoral, consideramos fundamental que os movimentos sociais e sindicais resgatem a discussão sobre as polícias no Brasil e que a população se organize com seus instrumentos para se defender dessa barbárie. O debate sobre segurança pública tem ir na direção de interromper o genocídio negro, e não aprofundá-lo – como querem, por exemplo, os defensores da redução da idade penal.

Ainda nesta quarta-feira (28/10), a Frente Penha convoca o Ato de Memória ao Massacre da Penha, das 13h às 19h, na Praça São Lucas (Estrada José Rucas) e na Quadra Comunitária, com música, dança, poesia e resistência.

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