Brasil de Bolsonaro se inspira no Chile, um modelo de desigualdade

A ascensão do banqueiro Paulo Guedes ao comando da política econômica no governo de Bolsonaro é mais do que uma admiração do presidente eleito para com a ditadura do Chile liderada pelo general Augusto Pinochet e sua junta militar entre os anos de 1973 e 1990.

Paulo Guedes, em seu currículo ostenta um PhD de Economia da Universidade Chicago e já trabalhou no Departamento de Economia da Universidade do Chile no início dos anos 1980.

Naquela época, após a derrubada do presidente socialista, Salvador Allende, Pinochet colocava em prática sua sangrenta política de eliminação de adversários políticos de esquerda com perseguições, sequestros, tortura e assassinatos.

Em março de 1975, Milton Friedman, um dos fundadores da Mont Pelerin,  uma sociedade internacional de pensadores ultraliberais, visitou o Chile, convencendo Pinochet a adotar medidas para a reestruturação econômica do país a partir de um viés liberal , as quais deveriam ser implementadas de forma radical, “porque é melhor cortar o rabo do cachorro de uma só vez do que em pedacinhos”. Assim, Friedman indicou um grupo de ex-alunos chilenos que participaram da pós-graduação em economia na Universidade de Chicago, que ficaram conhecidos como Chicago Boys, onde implantava, desde 1946, teorias de diminuição do papel do Estado e desregulação da economia.

Um sistema que gera pobreza e aproveitadores

Naquele momento, entre outras ações neoliberais, o Chile adotou um novo regime previdenciário com base no sistema de capitalização, exatamente o que Paulo Guedes quer fazer no Brasil com a Reforma da Previdência, junto com a redução dos impostos, privatização de empresas estatais , redução do Estado e doutrinação da população. O fato é que o Chile colhe até hoje um preço alto da radicalidade de Friedman, apresentando um dos maiores índices de desigualdade social da América Latina. É importante lembrar que 39% da população – quase a metade dos chilenos – não dispõe de qualquer tipo de seguridade social e 91% da população recebe menos de 760 reais por mês de aposentadoria .

Bolsonaro, assim como Pinochet no início da ditadura chilena, sempre se declarou estatista e agora se alinha com às ideias de desmonte do Estado, a partir dos princípios dos Chicago Boys, desenterrados por Guedes, ex-banqueiro do Banco Pactual, e investigado em Procedimento Investigatório Criminal pelo Ministério Público Federal (MPF) em possíveis fraudes contra fundos de pensão, entre eles a Petros.

Um Chicago Boy também na Petrobrás

A recente escolha de Roberto Castello Branco, também aluno da cátedra de Milton Friedman, e professor de Paulo Guedes na Universidade de Chicago, reforça o quanto a ideologia neoliberal será norteadora da política econômica no governo Bolsonaro.

O futuro presidente da empresa foi professor da Fundação Getúlio Vargas e depois presidente executivo do grupo educacional Ibmec (1981 e 1984), tendo sido também patrão do então diretor-técnico do próprio Ibmec, Paulo Guedes.

Aliás, a frase “seu passado te condena” pode ser perfeitamente aplicada a Castello Branco que também atuou no Banco Central em determinado período do governo de José Sarney e foi integrante do Conselho de Administração da Petrobrás entre 2015/16, no governo de Dilma Roussef.

Em diversas entrevistas e artigos publicados na imprensa, Castello Branco sempre defendeu a privatização de empresas estatais, incluindo a Petrobrás.

Pelo jeito, o estrago a ser feito pelos Chicago Boys de Bolsonaro não será pouca coisa. Vamos à luta e resistir!

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