Búzios: Petrobrás mantém política de desimplantes, nega respostas e aprofunda ataque aos direitos da categoria

A reunião mais recente entre o Sindipetro-RJ e o RH da Petrobrás/Búzios, na sexta (27/03) escancarou, mais uma vez, a postura da Empresa: muita promessa, nenhum compromisso concreto e absoluto desrespeito às pautas centrais da categoria.

No centro desse embate está a política de implantes e, principalmente, os desimplantes, tema que o próprio Sindicato já havia indicado como prioritário no Ofício enviado à Empresa.

O que está em curso em Búzios não é um problema pontual de gestão. É uma política deliberada que distorce regras, rompe compromissos firmados no ACT e impõe insegurança permanente à força de trabalho.

A Petrobrás vem utilizando de forma distorcida a lógica da média de embarques, criada historicamente como proteção contra abusos, para justificar desimplantes. Na prática, transforma um direito em instrumento de retirada de direitos. E faz isso sem transparência, sem critérios claros e, sobretudo, sem a negociação caso a caso que foi acordada.

O resultado é um cenário de instabilidade generalizada, em que trabalhadores ficam à mercê de decisões arbitrárias, sem qualquer previsibilidade sobre sua própria vida.

Mais grave ainda é o que foi denunciado pelo Sindicato e detalhado no Ofício sobre a situação de trabalhadores que seguem embarcando mesmo sem estarem implantados, portanto sem acesso a direitos básicos conforme foi explicitado no Ofício enviado, item 1.3.5:

“● Não recebem auxílio deslocamento;
● Quando o voo é transferido perdem os dias de folga, ao invés de ser considerado dia trabalhado embarcado. Da mesma forma esse dia não conta para melhorar a média de embarques;
● Não recebem as 3 horas extras no dia do desembarque;
● Não têm acesso ao aplicativo da Coopataxi para deslocamento até o EDIHB e desde o EDIHB; e
● As horas extras são calculadas com base na RMNR de ADM.

Veja o vídeo de trecho de fala do diretor André Buca na mesa:

 

 

Ou seja: a Empresa cria, na prática, uma categoria de trabalhadores com menos direitos, mesmo exercendo as mesmas funções e submetidos às mesmas condições operacionais. Trata-se de uma precarização explícita, que não pode ser naturalizada!

Durante a reunião, o RH não apresentou respostas, não assumiu prazos e sequer demonstrou domínio sobre parte dos problemas relatados. Limitou-se a afirmar que mudanças dependerão de regramentos futuros numa justificativa recorrente para empurrar soluções enquanto a realidade dos trabalhadores se deteriora. Inaceitável!

Enquanto a gestão segue focada em metas de produção e na remuneração de acionistas, ignora deliberadamente as consequências de suas decisões sobre quem sustenta a operação no dia a dia. A combinação de desimplantes, terceirização crescente, sobrecarga de jornada e desorganização operacional revela uma política que fragiliza direitos e aumenta riscos.

Ao final da reunião, nenhum avanço concreto foi registrado. A Empresa ficou de apresentar um posicionamento sobre prazos apenas na próxima rodada, prevista para a segunda semana de abril.

O Sindipetro-RJ não aceitará mais adiamentos nem respostas vazias. A reversão dos desimplantes, o respeito aos critérios negociados e a garantia plena de direitos são pontos inegociáveis.

A categoria não pode continuar pagando a conta de uma gestão que escolhe a insegurança como método.

O Sindipetro-RJ seguirá intensificando a cobrança e não descarta ampliar as formas de mobilização diante da gravidade do cenário. Fique ligado e acompanhe as publicações da Comunicação do Sindicato.

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