Castello Branco e a história do cachorro morto

Por André Lobão

Ex-presidente da Petrobrás agora é questionado por seus “amigos do mercado” por conta dos bônus de premiação que favoreceram a si próprio e a sua trupe neoliberal na empresa, em detrimento dos empregados

No Brasil uma das premissas básicas da mídia liberal é proteger seus prepostos de mercado que ocupam cargos governamentais importantes e também aqueles que ocupam direções de estatais com o único intuito de desmontá-las como há tempos acontece na Petrobrás. O caso mais recente , obviamente, é do já ex-presidente da empresa, Roberto Castello Branco, que pelo visto está colhendo os frutos podres que semeou na empresa durante seus dois anos de mandato.

Pois, somente agora, está vindo à tona o escândalo dos bónus milionários pagos a si próprio e a sua patota neoliberal que ocupa cargos executivos na companhia a partir do Programa de Prêmio por Performance (PPP), também conhecido como “Pagamento de Propina pela Privatização”.

Está mesma mídia liberal noticia que o demitido do comando da Petrobrás, o mesmo que aplica uma política de preços que favorece acionistas privados, sobretudo, os especuladores internacionais, prejudicando a população brasileira, poderá ter outros problemas pela frente. “A Abradin (Associação Brasileira de Investidores), comandada por Aurélio Valporto, que entrou em grandes disputas como os casos da Embraer e das empresas de Eike Batista, agora estuda a Petrobrás. A entidade quer entrar com reclamação na CVM pedindo que se apure transação de partes relacionadas na Petrobrás, entre a diretoria e a companhia”, informa nesta quinta-feira (24), a coluna Painel que é publicada pela Folha de São Paulo que é assinada pela jornalista Joana Cunha.

Segundo a coluna a ” gestão Castello Branco promoveu mudanças na política de remuneração da estatal, privilegiando a bonificação de executivos em detrimento dos empregados sem cargo de chefia. Em caso de cumprimento de todas as metas estabelecidas, o presidente da companhia pode ter até 13 salários a mais em um ano” – informa.

Recordar é viver

Desde quando o programa foi lançado em 2019, o Sindipetro-RJ vem denunciado que PPP só beneficia o “andar de cima”, aprofundando o mecanismo de cooptação, especialmente da alta gerência. O prêmio potencializa o chamado risco moral, processo em que os incentivos a assumir práticas de toda ordem, inclusive criminosas, na busca de resultados e lucros, supera, em muito, mas só que individualmente, o conjunto de repreensões e punições por ações e resultados catastróficos para a própria empresa ou para terceiros. Estas práticas são a cereja do bolo envenenado de uma política de desmonte que se concretiza cada vez mais. É bom lembrar que os prêmios da direção chegam a ser 1.000 vezes maiores que os de um trabalhador concursado!

Vendendo a alma ao diabo

Senão vejamos: em uma reunião para explicar o PPP, o gerente executivo de RH da Petrobrás, Cláudio Costa, apadrinhado do governador de São Paulo, João Dória, atrelou o aumento da renda dos funcionários da empresa à venda de ativos. Segundo ele, à medida que as metas financeiras e de segurança forem atingidas, maior a chance de os “empregados” receberem remunerações mais robustas. “Os funcionários e executivos só vão chegar ao topo da remuneração com o desinvestimento, porque as metas financeiras incluem a desalavancagem (redução do compromisso do caixa com o pagamento da dívida), que depende da venda de ativos” – confessou na cara de pau. Esta fala foi dada em uma apresentação na Universidade Petrobrás (UP) em 18 de junho de 2019.

A lógica da “vida fácil” a partir dos Incentivos de Curto Prazo

O foco nos Incentivos de Curto Prazo (ICP) contribui para a destruição da Petrobrás, também no curto prazo, especialmente quando se trata do plano de remuneração da carreira gerencial e da alta direção, propondo um modelo que lhes interessa e “autopremia” por maximizar os lucros no curto prazo, independentemente de destruírem valor a médio e longos prazos. Vide os planos vigentes de venda de ativos ( refinarias, Cessão Onerosa, logística etc.) e de redução de efetivos, de “custos” e até de investimentos, as políticas de subsídios aos combustíveis ou de vinculação aos preços internacionais etc.

Não foram “as práticas de mercado” que colocaram a Petrobrás como líder no país e uma das maiores empresas de energia do mundo.

Pelo contrário, foi o desenvolvimento de suas próprias tecnologias, procedimentos e processos que a fez crescer, tudo isso movido pela sua força de trabalho.

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