Desembarques de emergência mostram o estado da calamidade petroleira nas plataformas

Informações atualizadas dão conta de que pelo menos sete plataformas da Bacia de Campos (P-50 , P-26, P-18, P-35, P-20, P-33 e P-62) têm relados de casos pelos trabalhadores. Vinte e uma pessoas desembarcaram da P-26, sendo que nove delas com sintomas de COVID-19. As outras 12 estão sob isolamento por terem dividido o mesmo camarote.
Já foram divulgados os resultados de quatro pessoas, em que foram apontadas três em situação de positivo e uma de negativo; outros resultados são aguardados. Dos restantes, é bem provável o diagnóstico positivo para o comissário e o taifeiro, pois apresentam os sintomas principais de forma bem clara, conforme informou a esta reportagem um trabalhador da plataforma que não quis se identificar.

“Estamos em quarentena e não podemos embarcar na P-26, fomos informados que está sendo realizada a higienização dos nossos camarotes e de que chegaram máscaras para distribuir na plataforma” – completou.
Até o momento já chega a 22 o número de contaminados pela COVID-19 na P-26.

Plataformas em situação de calamidade

“Eu estava embarcado há oito dias na P-26 e comecei a sentir uma dor de cabeça e mal estar com uma tosse. E aí, após o enfermeiro me avaliar, fui desembarcado para o hotel, recebendo o acompanhamento diário, sendo que a princípio meu quadro está estabilizado. Caso a situação se mantenha ficarei mais 10 dias aqui e depois irei para casa” – relata outro petroleiro que foi diagnosticado com COVID-19.

Como o Sindipetro-RJ já havia informado ( https://bit.ly/calamidadepetroleira) quatro plataformas da Bacia de Campos, P-18, P-20, P-26 e P-33 realizaram, na última segunda (20), desembarques de emergência por causa de suspeita de COVID-19 para realização de testes em massa. Muitos trabalhadores apresentam sintomas da doença. As informações apuradas são de que os testes seriam realizados na Pousada Hotel Cravo e Canela em Campos-RJ.

A importância das setoriais

A situação de estado de calamidade petroleira reforça cada vez mais a importância das reuniões setoriais para que os casos sejam denunciados e divulgados entre a categoria, de forma que o Sindicato possa ter subsídios para cobrar providências à direção da Petrobrás.

O enfrentamento ao estado de calamidade

Desde o aprofundamento da crise provocada pela pandemia da COVID-19, o Sindipetro-RJ reforçou a existência dos vários riscos após o anúncio em 1º de abril pela direção da Petrobrás do “Plano de Resiliência”, denunciando a situação de estado de calamidade petroleira. Ao longo deste período o Sindicato tem enviado sistematicamente cobranças à direção da Petrobrás para a efetivação de medidas que zelem pela segurança sanitária da força de trabalho petroleira e que suspenda medidas absurdas que retiram direitos dos trabalhadores, como a redução de salários.

Além de tomar medidas judiciais como na obtenção da liminar que suspende os efeitos do “Plano de Resiliência” (https://bit.ly/LiminarResiliencia ) , temos atuado também junto ao MPT para denunciar a calamidade petroleira. (https://bit.ly/DenunciaAoMPT ).

O fato é que o discurso do presidente Bolsonato que minimizar os efeitos da crise da COVID-19 querendo derrubar a quarentena, como está sendo feito em alguns estados brasileiros a exemplo de Santa Catarina, também insufla sua base social e acaba por influenciar claramente no comportamento da direção da Petrobrás sob a gestão de Castello Branco.

Então, diante da conjuntura, é necessário reforça e fazer um chamado à categoria para que a mesma participe das reuniões setoriais que estão sendo promovidas de forma virtual pelo Sindipetro-RJ. Integrando-se nos grupos de WhatsApp e acompanhando o Facebook , ferramentas que possibilitam certa interação, para além dos informativos que seguem sendo publicados, até com maior frequência e importância, a categoria se manterá participativa.

Os trabalhadores, mais que ninguém, devem discutir o contingente necessário, escalas de revezamento, quais unidades devem funcionar, com que carga, produtos e destinos. Esta disputa é fundamental neste momento em que os gestores desejam justamente aumentar a exploração, direcionar a empresa para outros interesses que não o combate à COVID-19.

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