Eleições Petros: um balanço necessário a ser feito

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Frente ao resultado da eleição da Petros, unir ativos e aposentados para enfrentar os próximos ataques

As eleições aos conselhos da Petros terminaram com vitória das chapas compostas pelos gerentes da Petrobrás para os dois conselhos, deliberativo e fiscal. As chapas da FNP/FENASPE/COBAP foram derrotadas, assim como as chapas da FUP

Perdemos nós, dirigentes de sindicatos e associações que vêm enfrentando a direção da Petrobrás e da Petros ao longo desses anos todos de desmandos, buscando iniciativas unificadas na defesa dos interesses dos trabalhadores e dos participantes e assistidos da Petros.

Perdemos também nós, os conselheiros eleitos que se mantiveram independentes dos partidos políticos, dos governos e das direções da Petros e da Petrobrás, rejeitando as contas e denunciando com provas as irregularidades observadas.

Perderam, infelizmente, também participantes e assistidos da Petros que, em nossa opinião, (semelhante como foi há 2 anos e meio atrás com o atual governo de plantão) o resultado eleitoral nos levou a uma aventura com as chapas da direita, elegendo os candidatos gerentes da Petrobrás.

O resultado eleitoral dá à Petrobrás o controle total dos conselhos da Petros, tanto do Conselho Fiscal (que já tem se omitido nos últimos anos) como do Conselho Deliberativo. A Petrobrás poderá agora aprovar sem embaraços todas as suas iniciativas.

Não haverá na Petros, a partir da posse dos novos conselheiros, nenhum dos conselheiros que recomendaram a rejeição das contas da Petros, que denunciaram a maioria absoluta dos investimentos com irregularidades, que remeteram aos Ministério Público e à Previc denúncias sobre irregularidades. São essas denúncias e os processos resultantes que nos permitem sonhar hoje com alguma possibilidade de recuperação dos valores perdidos nos maus investimentos da Fundação.

Não haverá na Petros, a partir da posse dos novos conselheiros, ninguém que denunciou com provas os maus gestores. E o pior, foram eleitos àqueles sem história de luta, os que sempre estiveram do outro lado do balcão e contra os trabalhadores, àqueles que sequer ousaram combater e ser firmes contra a Repactuação, PP-3 ou FLEXPREV, foi a premiação da omissão e submissão.

De nossa parte, infelizmente, não temos como evitar, a expectativa de que o resultado eleitoral na Petros possa ser de alguma maneira favorável aos participantes e assistidos da Fundação é nula.

Se agrava ainda mais ao constatarmos a falta de conhecimento técnico específico que foi demonstrada ao longo da Campanha pelos candidatos que venceram as eleições.

Só nos resta, como sempre, ficarmos de olho, muito atentos e com muita disposição de luta, que já demonstramos não nos faltar.

As razões para a derrota

Há muitas razões para essa derrota dos trabalhadores. A principal delas é que não foi possível a união entre as associações de aposentados e os sindicatos da FNP com os sindicatos da FUP. Divididos os trabalhadores, quem ganha é a Petrobrás. Sabemos disso. Mas a impossibilidade de união ultrapassa qualquer discurso moral sobre a unidade.

Não estamos diante de uma briguinha entre as federações, como muitos dizem. Não pode ser esquecido que a própria divisão dos trabalhadores entre duas federações se deu pelo patrocínio da FUP à repactuação na Petros. A postura da FUP no recente Acordo Coletivo, aceitando sem lutar um acordo muito ruim e praticamente obrigando a todos que queriam lutar a fazer o mesmo, foi decisiva.

Durante os debates para a tentativa de formação de uma chapa única para os conselhos da Petros, como uma condição importante para enfrentar as chapas dos gerentes, um conhecido dirigente da FUP e ex-conselheiro da Petros falou uma frase importante: “Desde que romperam com a FUP, os sindicatos ligados à FNP sempre assinaram os mesmos acordos que a FUP. Por que romperam, então?”

Essa frase é reveladora. De fato, os acordos da FUP nas campanhas salariais viraram um teto para as conquistas dos trabalhadores. Ao se recusarem à unidade para lutar, os dirigentes da FUP condenam a categoria petroleira a um limite que é sua capacidade negocial. Como apostam cada vez mais nos acordos e menos nas lutas diretas dos trabalhadores, os acordos são cada vez mais desvantajosos.

Como superar esse grave problema? Superando a limitação dos dirigentes atuais e construindo uma nova direção para os trabalhadores. Essa não é uma tarefa pequena. Requer dedicação, participação, organização, principalmente nos locais de trabalho. E muita luta!

A luta dos trabalhadores é fundamental

Se a classe trabalhadora não se levanta, se persevera a confusão ou o medo, iremos amargar outras derrotas. A linha de atuação dos sindicatos e associações combativas não é “independente” (para utilizar a auto adjetivação da outra chapa) de nossa classe.

Assim, quanto mais lutas e enfrentamentos a classe trabalhadora se dispuser a travar, melhores serão as condições para que possamos representar esses trabalhadores nos sindicatos e nos conselhos, seja da Petros ou da Petrobrás.

Isso significa superar o limite das ilusões ou esperança de parte dos trabalhadores que o atual governo possa combater a corrupção ou possa melhorar a nossa situação, que se somam aos limites já expressos por parte da própria direção de alguns sindicatos.

Por isso, é tão importante que a luta contra os governos não pare; que se mantenha e se aprofunde. Nossa responsabilidade vai além da luta nos conselhos da Petros. É na luta política contra os governos patronais que a realidade poderá ser modificada favoravelmente aos trabalhadores. Por isso, antes de tudo: Fora Bolsonaro já! Os trabalhadores não podem esperar.

As lições que podemos tirar

A pior lição que podemos tirar dessa derrota é que não vale a pena lutar. Essa é uma lição errada. Não podemos nos arrepender de termos feito tudo que fizemos, denunciar com provas quando obtivemos, rejeitar as contas quando julgamos necessário.

No marco dessa derrota, a maior e mais importante vitória que temos que reivindicar foi a construção do Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos da Petros. Um lugar privilegiado para prestar contas regularmente de nossas atividades e buscar a unificação de iniciativas na defesa dos interesses dos participantes e assistidos da Petros.

Se o resultado eleitoral nos leva à experiência, nos próximos anos, com conselheiros que respondem aos gestores da Petrobrás, podemos lamentar, mas nunca parar de lutar. Tão rápido quanto a luta da classe trabalhadora for retomada com vigor em todo o país, essa experiência com os conselheiros eleitos gerentes da Petrobrás se revelará.

Não podemos menosprezar a necessidade dos trabalhadores de se unir contra os ataques da Petrobrás. Para isso, é preciso que superemos, inclusive, as picuinhas e baixarias recorrentemente inseridas nos processos eleitorais pela direção da FUP, para que a necessidade de unidade se imponha contra a vontade dos atuais dirigentes.

Outra lição decisiva é que a unidade dos que lutam é importante. Porém, maior e ainda mais decisivo do que isso é unir os trabalhadores para que eles mesmos possam aprender com as experiências que suas consciências permitem que façam.

Por fim, queremos agradecer cada voto recebido dos participantes e assistidos da Petros, que confiaram no trabalho que foi realizado com muito afinco e dedicação ao longo desses últimos anos.

Agradecer também aos candidatos Marcos André, Vinícius Camargo, Adaedson Costa e Rafael Prado, que emprestaram seus nomes e suas histórias de luta para dar continuidade às batalhas que temos travado.

A luta, como sempre, continua, companheiros/as.

Coordenação da Campanha das Chapas 41 e 52 – Petros para os/as petroleiros/as.

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PS: Quando finalizávamos esse texto de avaliação, tomamos conhecimento da matéria publicada pela FUP e assinada pelo atual coordenador, responsável direto pelos dois momentos de maior baixaria da campanha eleitoral que se encerra.

Mais uma vez, a FUP, que ainda tem um peso determinante na direção do movimento sindical petroleiro, não se sente responsável por nada. Segundo a matéria, a Petrobrás financiou a campanha dos que foram eleitos e a culpada pela derrota é a FNP, que não quis a “unidade” com ela.

Não se sentem responsáveis por terem facilitado a campanha de desmoralização do movimento sindical, não assumem os anos de gestão frente à Petros, sua responsabilidade pela divisão da categoria desde a Repactuação até as mais recentes e recorrentes negativas de unidade para organizar a luta – pelo contrário, no último ACT a unidade se deu com a gestão da empresa, para empurrar goela abaixo dos aposentados e ativos o ataque à AMS e os descontos abusivos.

Lamentável.

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