Em nenhum de seus relatórios oficiais sobre conjuntura econômica global, a companhia relevou as crises geopolíticas, conflitos militares e guerras comerciais que conflagram um cenário de incerteza no mundo, e agora o que fazer?
Em uma entrevista para a agência Reuters, publicada nesta quinta-feira (17/07), a presidenta da Petrobrás, Magda Chambriard, minimizou a situação. “Embora as exportações de petróleo e gás representem uma parcela considerável das exportações do Brasil para os Estados Unidos, esse não é um mercado essencial para a empresa”, disse. Segundo a executiva, a Petrobrás pode redirecionar o petróleo que vende para os Estados Unidos, enviando mais para os mercados da Ásia e do Pacífico devido às tarifas mais altas anunciadas pelos EUA sobre o Brasil.
As declarações da presidenta da companhia acontecem em um momento de incerteza no Brasil sobre se a nova rodada de tarifas, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, impactaria o petróleo. A commodity estava isenta das tarifas anteriores de 10% impostas por Trump. Mas agora a situação mudou.
Mas em relação aos derivados de petróleo, as exportações da Petrobrás para os EUA representaram 37% de um total de 209 mil barris por dia no primeiro trimestre deste ano de 2025. Em 2024, o Brasil exportou um total de 1,78 milhão de barris por dia (bpd), dos quais 243 mil bpd foram destinados aos EUA, segundo dados do governo compilados pela consultoria StoneX.
Em nota, enviada para a Reuters em 10/07, a Petrobrás, afirmou que está avaliando o impacto da tarifa anunciada na véspera e mantém sua estratégia de sempre buscar “a melhor alternativa para a empresa em qualquer cenário”.
Plano Estratégico da empresa não relevou cenário de crises internacionais
Em 21 de novembro de 2024, a Petrobrás com toda pompa anunciou seu Plano Estratégico 2050 e seu Plano de Negócios 2025-2029 (PN 2025-29). Os planos revelaram a intenção da companhia em aumentar ainda mais os ganhos de seus grandes acionistas, que comemoraram que no Plano Estratégico foi indicada a redução da exigência de caixa mínimo para US$6 bilhões e, ao mesmo tempo, aumentou o teto da dívida bruta para US$75 bilhões. Somente para 2024, a Petrobrás está pagando algo aproximado de R$74 bilhões.
Porém, um fato chamou atenção na divulgação dos planos, a falta de uma avaliação sobre os cenários externos existentes de um mundo praticamente conflagrados em guerras e conflitos militares, como a Guerra Ucrânia-Rússia ; o genocídio na Palestina promovido por Israel, país que ainda compra petróleo do Brasil, a instabilidade geopolítica do Oriente Médio, envolvendo outro conflito militar envolvendo Irã-Israel e a Guerra comercial promovida pelos Estados Unidos, sob o governo de extrema direita de Donald Trump. O anúncio da taxação de 50% sobre produtos brasileiros, pelo visto, pegou a direção da Petrobrás desprevenida.
Está evidente que as projeções da Petrobrás, para cenários futuros, só se concentram na perspectiva de lucro de seus acionistas multibilionários, que nos últimos seis anos já abocanharam mais de R$500 bilhões. Enquanto isso, seus trabalhadores e trabalhadoras foram literalmente tungados pelo expurgo de 30% na PLR 2024-2025, convivendo com uma gestão que só os ataca, como no caso da luta em defesa do Teletrabalho Híbrido e agora na má vontade em formatar um Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS), digno.
O Plano Estratégico Petrobras 2050 / Plano de Negócios 2025 – 2029 é uma peça construída a partir de uma lógica que não releva a realidade dos acontecimentos geopolíticos que preocupam a humanidade, sendo apenas um conto de fadas de números criados para alegrar seus grandes acionistas e especuladores.
Privatização silenciosa prossegue na Petrobrás
Não podemos esquecer que também não há nenhuma menção sobre a retomada dos ativos privatizados ao longo dos últimos anos, mas tendo a continuidade do programa de desinvestimentos de ativos, ou seja a venda de unidades, colocando novamente no seu radar a possibilidade de venda do Polo Bahia, com 28 poços de terra ativos, com produção de 9 mil bpd. Isso dito pela própria Magda Chambriard.
“A produção em terra envolve grande esforço, às vezes o campo é menor que um poço do Pré-Sal. Quando o óleo está a US$100 o barril faz sentido (produzir em terra), não a US$65 o barril. Vamos decidir se o Polo Bahia fica com a gente, se terceiriza a operação ou se repassa o ativo”, disse Magda após sair do Fórum Estratégico da Indústria Naval Brasil-China, realizado no início do mês de julho no Rio de Janeiro.
É preciso dizer não ao imperialismo!
Uma lição que fica de toda essa imposição imperialista dos EUA, através de Trump, é a necessidade proeminente da retirada das ações da Petrobrás na Bolsa de Valores de Nova York, em Wall Street. O Brasil e a Petrobrás não podem se sujeitar a instabilidades econômicas de um país que apresenta desrespeito para com outras nações, aplicando tarifas comerciais a seu bel-prazer e vontade. O Sindipetro-RJ, em sua história de lutas sempre enfatiza a defesa da soberania nacional e dos recursos estratégicos do Brasil e dos trabalhadores.
Já está mais do que na hora da Petrobrás deixar de só pensar “naquilo”, o lucro dos seus acionistas que apoiam os tarifaços de Trump.
Por uma Petrobrás 100% estatal sob administração democrática dos trabalhadores!