Plano de Carreiras ou ilusão de ótica?

No dia 12/04, o RH da gestão privatista da Petrobrás apresentou seu mais “novo, reformulado e maravilhoso” plano para avanço de nível. Mas como assim? Estão alterando as regras do jogo com o jogo em andamento? Parece bem pior que isso….

Analisando a proposta criticamente, revelam-se nas entrelinhas, intenções nada benéficas para a categoria petroleira.

Preliminarmente, cabe registro de que, de acordo com a gestão, toda a proposta está balizada em uma série de premissas e documentos como o Plano Estratégico, Missão, Visão e Valores. Interessante que não se informa que nenhum destes parâmetros tem qualquer legitimidade perante a força de trabalho, pois os petroleiros não foram convidados a participar da construção destes.

O blá blá da meritocracia

Todo o regramento se fundamenta no falacioso discurso da meritocracia. Em tese, pode até parecer haver alguma razão em se recompensar melhor quem mais se dedica. Mas não é isso o que acontece, na prática, por trás desse discurso.

O que nunca é deixado claro é que, o lado obscuro da propalada recompensa por “mérito” é a punição por “demérito” (as aspas são intencionais, pois os critérios e os decisores para definição do resultado são sempre questionáveis). Por trás desse discurso há sim a intenção de agravar o assédio e perseguição, criando condições para permitir demissões em massa por “mau desempenho” a critério gerencial.

O resultado prático da implantação dessa lógica nos últimos anos tem sido terrível para os petroleiros. Vejamos algumas evidências.

Enquanto foram concedidos 2 PPPs em média não maiores do que 3 salários, tivemos perdas significativas na nossa renda, tendo como exemplos:

  • As PLRs foram arrochadas grosseiramente, tendo como teto estabelecido apenas 1 salário.

  • Tivemos aumento abaixo da inflação no penúltimo ACT e tivemos reajuste zero no último ano, apesar da inflação galopante.

  • Todos os optantes pelo PCR tiveram 1 ano de congelamento de seus avanços de nível sob o pretexto da crise.

  • O desmonte no nosso plano de saúde acarretou em aumentos absurdos de até 1000% nos custos, com média de 250% de acréscimo.

Na contramão dos empregados concursados, o alto escalão da companhia, todo composto por indicação política do mercado, recebeu polpudas premiações, tendo a diretoria elevado em média sua renda para até R$ 400 mil mensais. Estima-se que apenas de PPP no primeiro ano, Castello Branco levou a bolada de R$ 1,5 milhão!

*Por que a proposta de ANPR é ruim?*

Entremos agora propriamente na proposta, para evidenciar os seus problemas:

  • Na matriz de priorização, em apenas 4 das 20 células existe chance alta ou altíssima de ganho de nível.

  • Empregados com e sem função concorrerão no mesmo grupo de cargo permanente.

  • Os empregados de nível médio participam do processo junto com os empregados de nível superior.

  • Em nenhum momento se estabelecem critérios para a quantidade de níveis a serem concedidos para cada pessoa recompensada.

  • Quebra da promessa de um avanço para todos a cada 5 anos, alterando unilateralmente a regra para um avanço caso a pessoa fique 5 anos estagnada.

  • O critério que estabelece que o índice de posicionamento na faixa salarial diminui progressivamente gera uma tendência de fazer os topados ficarem estacionados.

“Gerentismo”:uma pratica de casta

O resultado da aplicação desse conjunto de regras, além de desacelerar o avanço médio da categoria, irá gerar um fenômeno de concentração de distribuição de níveis, com sério risco de ser balizado pelo compadrio e autoproteção do “gerentismo”, de hierarquia rígida e inquestionável, que se agravou fortemente nos últimos anos.

A tendência é de agudização da pirâmide de renda dentro da companhia. Lembrando que mais gratificações e prêmios servem como elementos de cooptação de modo a minar a capacidade crítica dos que embarcam no alpinismo corporativo. Ao longo do tempo, o pequeno grupo de poder tende a aumentar sua remuneração e níveis de forma auto-promovida, ficando os demais profissionais, em especial os de nível médio, relegados ao congelamento da carreira, ou, pior, sendo aterrorizados pelo fantasma da demissão. Além disso, introduz na categoria uma lógica de acirrada competitividade, estranha à nossa cultura colaborativa e, de forma claramente intencional, cria uma rivalidade de petroleiro contra petroleiro.

Enquanto isso, não há negação por parte da gestão, que Cláudio Costa, o gerente executivo de RH demitido pelo uso de informação privilegiada para benefício próprio em jogadas na bolsa de valores, ganhará também sua bolada gerencial de PPP.

O drible da “vaca” na AMS

Cabe registro que estas premiações se dão sobre denúncias e investigações graves de privatizações a toque de caixa e subvalorizadas para gerar lucro rápido e manobra contábil de “superfaturamento” dos ganhos contábeis com o desmonte da AMS. Um verdadeiro escândalo intramuros.

Aliado a tudo já dito, vale lembrar que na época do lançamento do PCR o sindicato alertou toda a categoria para as consequências negativas dessa migração, mas vimos uma grande parte dos petroleiros seguindo os seus próprios instintos, com as mais diversas alegações. Não iremos questionar isso, mas deixamos uma pergunta no ar: não chegou a hora de tentar corrigir esse erro e confiar mais nas decisões daqueles que nos representam? Sempre temos uma segunda chance, participe e acredite nas ações do sindicato e seus espaços coletivos, a atual gestão privatista da Petrobrás já provou diversas vezes que não merece nossa confiança!

Por fim, o que nos cabe concluir é que, assim como abduziram a AMS, parecem querer fazer o mesmo com a forma de avanço de nível, e os petroleiros, como de costume, não foram convidados a colaborar com o debate. Essa tem sido a “inovadora” tendência dessa gestão: impor ordens! Para eles, cabe ao petroleiro tão somente acatá-las, “bovinamente”. E você, petroleiro, como quer ser tratado, como trabalhador ou como rebanho?

 

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