Para a surpresa de zero petroleiro(a), a empresa mantém postura mais preocupada com seus acionistas
Em reunião realizada na tarde de sexta-feira (14/08), no EDIHB, a representação da Petrobrás informou de imediato que não aplicará o pagamento considerando os resultados do sistema, continuando a pagar por empresa à qual os empregados e empregadas estão vinculados, alegando que segue as condições regulatórias, societárias e tributárias atualmente restritivas.
Concretamente, o governo federal decidiu impedir a “integração”, o “maior engajamento” e o “sentimento de pertencimento”, dificultando, inclusive, a “simplificação negocial”, objetivos supostamente estabelecidos de início. Ou seja, para os trabalhadores, oferece-se o mínimo possível, mesmo que isso comprometa a efetividade de uma Petrobrás integrada e mais forte para enfrentar os planos de privatização e o roubo das riquezas nacionais.
De forma quase provocativa, o RH começou a reunião nos lembrando que já ganhamos salário, 13º, férias e outras remunerações, além do cuidado com as pessoas e valores intangíveis como desenvolvimento e pertencimento, tentando provar que não poderíamos reclamar da proposta que viria a seguir: um acordo de dois anos, repetindo demais parâmetros do acordo anterior (gatilhos, indicadores e limitadores).
Ao invés de terminar de uma vez com o PRD e implementar uma PLR máxima e igual para todos ou, melhor que isso, transformar os lucros em salários e aposentadorias, o RH simplesmente afirma que nosso pleito “não é possível” (o famoso “porque sim”) e tenta valorizar a não diminuição da priorização do PRD como grande vantagem.
Um grande esforço para justificar o injustificável, a mesma técnica da black friday: tudo pela metade do dobro…
A proposta repete o limite de “o que for menor” entre os 6,25% do lucro líquido para o exercício de referência ou 25% dos dividendos distribuídos aos acionistas da Petrobrás, valor limitado em 3 remunerações e congelado para 2027.
Não bastasse o inaceitável critério de ‘repetir’ a proposta, frente ao crescimento brutal dos lucros, da produtividade e da distribuição de dividendos, a verdade é que, na prática, a proposta é pior que a anterior. Para a TBG, o valor diminuiu; a Transpetro continua com o problema da maior incidência de imposto; a PBIO registra ainda mais perdas; e quem ganha o piso, na holding, perde para a inflação antes e depois.
ILAESE mostrou que a Petrobrás pode melhorar — e muito! — a proposta de PLR
Ainda na reunião, Gustavo Machado, pesquisador do ILAESE, fez uma presentation sobre os resultados financeiros da Petrobrás, apontando que a empresa tem plenas condições de melhorar a PLR de seus empregados, assim como os salários e aposentadorias.
O estudo mostrou uma variação positiva do lucro líquido da Petrobrás quando comparados os períodos do 1º semestre de 2024 e de 2026, indicando uma evolução de 300,36%, enquanto o gasto com os trabalhadores, no mesmo período, apresentou uma redução de 8,82%.
Trabalhadores das subsidiárias ainda mais prejudicados
A representação da Transpetro informou que sua proposta repete a da Petrobrás, seguindo o pacote de indicadores e restrições alegadamente impostas pelos órgãos regulatórios como a SEST.
A PBIO informou que o pagamento será feito a título de abono complementar ao pagamento do PRD (prêmio por performance), de modo a atingir o montante estabelecido no acordo. Segundo informado, essa bonificação está condicionada à aprovação do Conselho de Administração (C.A.) da Petrobrás e da Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais (SEST).
A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A (TBG) oferece, em 2026, uma PLR muito rebaixada, inaceitável, com validade de dois anos, com o pagamento de R$ 18 mil aos empregados que ganham até R$ 6 mil. Para os empregados que ganham acima desse valor, o pagamento não poderá ultrapassar o teto de R$ 36 mil. Como “avanço”, informaram que a relação piso/teto havia sido reduzida — talvez porque revelaria a disparidade dos múltiplos anteriores, tornando os valores de quem menos ganha ridículos frente a quem mais recebe.