Sobre a renúncia do representante dos trabalhadores no Conselho Administrativo da Petrobrás

Na última sexta-feira (19), o representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás (CA), Christian Alejandro Queipo, apresentou sua renúncia ao cargo, alegando razões pessoais, o que causou bastante surpresa ao conjunto da direção do Sindipetro- -RJ e da FNP.

Respeitamos o companheiro e sabemos que não está comprometido com a direção da empresa, diferente de outros conselheiros eleitos que já tivemos. Entretanto, as direções sindicais, que afiançaram sua candidatura e agora são corretamente cobradas pela categoria, tem a obrigação de fazer este debate publicamente, sem que este seja levado para o lado pessoal ou moral. Apesar de nosso apoio na campanha que o elegeu, justificado pela identidade com o programa construído em conjunto com as entidades petroleiras, o Sindipetro-RJ sempre preservou (e continuará fazendo com qualquer um que venha a ser eleito) sua independência e sua postura crítica, como no episódio do voto do ex-conselheiro quanto à indicação de Ivan Monteiro para a presidência da empresa e devido ao fato do mandato não ter desenvolvido qualquer mecanismo de aproximação com a base, uma gestão mais coletiva e uma comunicação efetiva.

Em um cenário onde os petroleiros diretos e terceirizados são atacados, a empresa é saqueada e o Pré-Sal é entregue de várias formas, o que se espera é que este tipo de mandato seja o porta-voz do enfrentamento, uma alavanca para a luta, ainda que tenha que respeitar os limites impostos pelas regras abusivas.

A estas expectativas o mandato não correspondeu e termina também de maneira estranha, uma surpresa para todo o movimento petroleiro, decisão da qual tomamos conhecimento após ter sido executada e por meios indiretos.

Por outro lado, temos que revisitar nossa participação neste tipo de cargo e a construção de candidaturas, além de tomar as medidas necessárias para tentar transpor seus limites, como as regras de confidencialidade e a proibição de discutir assuntos relativos à remuneração ou direitos trabalhistas.

Ocupará agora a cadeira o segundo colocado, o qual, pelo seu histórico, não isentamos de crítica. Fiéis às bandeiras de luta pela categoria, construímos outra candidatura e contamos com a confiança da maioria, que também apostou em nossas propostas.

Entretanto, apesar da renúncia de nosso indicado, o Sindipetro-RJ reafirma à categoria o seu compromisso de manter a nossa luta na defesa da unidade em prol dos trabalhadores e da Petrobrás, independente do conselheiro em exercício, confirmando, assim, sua permanente disposição ao diálogo, no marco da defesa de um mandato coletivo.

Verso do impresso Boletim XCIV

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