Laudo do MPT questiona confiabilidade dos testes rápidos em plataformas

Estudo foi baseado nos critérios previstos no item 1.1.3 da Nota Técnica 28, referente a liberação para embarque em plataformas

Em parecer técnico sobre prevenção de contágio pela COVID-19 nas plataformas de petróleo, elaborado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a partir de laudos produzidos pela Fiocruz, divulgado em junho último, é indicado que enquanto houver trabalhadores identificados no exame de teste rápido com IgM positivo, mesmo com IgG positivo, sem realização de PCR que se revele negativo, não há garantia de ausência de infectividade por COVID-19.

“Recomendamos, com base nos estudos da OMS, que trabalhadores com testes apresentando anticorpos que indicam o vírus em atividade (IgM reagente), devem ser afastados de suas atividades laborais, mantendo-se em isolamento social pelo período mínimo, 14 dias. Após esse período, deve ser novamente testado, podendo retornar ao trabalho quando o IgM estiver NEGATIVO” – recomenda o laudo da Fiocruz.

A Fiocruz fundamenta a necessidade da realização do teste confirmatório, como o teste RT-PCR para o caso do COVID-19. “Os testes confirmatórios devem ser realizados quando clinicamente e epidemiologicamente não há justificativa para um determinado resultado, especialmente porque muitos portadores de doenças infecciosas também são assintomáticos”. “Além disso, na aplicação de qualquer teste não devemos descartar a possibilidade de erros metodológicos de coleta e análise acontecerem, podendo conduzir a resultados falsos negativos e/ou positivos”.

Um levantamento recente feito pela FNP e sindicatos filiados aponta um número de 18 petroleiros mortos por COVID na Petrobrás até o momento. A Federação também denuncia que, desde o início da pandemia, a gestão Castello Branco vem impondo dificuldades para o afastamento de trabalhadores dos grupos de risco com menos de 60 anos de idade. Além disso, a gestão segue descumprindo recomendações da ANVISA e do MPT, como o teste no desembarque, a emissão de CAT, a liberação de trabalhadores com IgM+ (nos locais que seguem com testes rápidos), o espaçamento entre passageiros no helicóptero e o fornecimento de transporte individual da casa até o local de embarque.

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