Uma encruzilhada estratégica que define nosso futuro
Este segundo semestre é decisivo para a nossa categoria. Iniciamos a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e estamos em meio à contínua e consciente indefinição da Petrobrás sobre o Plano de Cargos e Salários (PCCS). Com a categoria com tarefas políticas cruciais em jogo — como a construção de um ACT forte antes do ano eleitoral, a definição de um plano de cargos para a próxima década e a luta pelo fim dos PEDs —, o momento exige clareza política, muita organização e força na luta.
O debate central: que tipo de unidade queremos?
Um tema ronda as conversas e os debates da categoria petroleira e da classe trabalhadora como um todo: a necessidade de união. Termos como “unidade para lutar”, “unificação das federações” e “pauta única” são constantemente mencionados e reivindicados. No entanto, é fundamental ter atenção: enquanto algumas propostas visam fortalecer de fato a luta dos trabalhadores, outras, com discursos parecidos, podem esconder estratégias que diluem nossas reivindicações e nos submetem aos interesses dos governos e patrões.
Nosso ponto de partida: um debate honesto e pela base
A discussão estratégica sobre qual unidade queremos, como não poderia deixar de ser, pautou intensamente o congresso da FNP e é um debate longe de se esgotar. Por isso, este editorial inaugura uma série de análises essenciais sobre o tema. Nosso objetivo é promover uma discussão aprofundada, que arme a categoria com informação de qualidade para as batalhas que virão.
Para um debate transparente e fundamentado, é essencial conhecer a resolução do congresso da FNP, a qual reproduzimos novamente.
Esta resolução, fruto de um intenso debate, é uma das nossas armas mais eficazes para desmentir as fakes news e as narrativas convenientes que acusam a FNP de “fechar as portas” para o diálogo.
Precisamos chamar as coisas pelo nome: a retórica da “unidade” tem sido usada como fachada para uma manobra de subordinação política. Na prática, o que se propõe não é fortalecer a luta dos trabalhadores, mas sim submetê-la aos interesses eleitorais do governo e às demandas dos acionistas da Petrobrás e aos mandos e desmandos do RH.
O exemplo da FUP, de sua recente plenária nacional, (PlenaFUP) é categórico: promovem um convite incluindo os sindicatos da FNP, onde a condição para participar não é a unidade para lutar, mas o engajamento na campanha eleitoral dos seus candidatos e desde já submeter as lutas a essa agenda . Em seguida, a decisão da direção majoritária do Sindipetro SJC, que se elegeu com um discurso de reunificação apenas para traí-lo logo depois. De forma calculada, escondeu as suas verdadeiras intenções, marcando presença no congresso da FNP para, na sequência, atropelar a própria base com uma convocação relâmpago para a troca de Federação e ida à FUP e com menos transparência ainda a filiação à CUT.
Que fique claro: isso não tem nada a ver com a busca por unidade.
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