Não podemos concordar com esta lógica: “nem sempre é possível unidade para lutar, mas venham se engajar na campanha eleitoral dos nossos candidatos”
Isso é o que baseou a PlenaFUP (espécie de congresso da outra federação) e a desfiliação de SJC da FNP. Senão, vejamos:
– No pitoresco convite da FUP, a direção desta entidade pressupõe várias análises conjunturais como premissas e, afirma o objetivo da mesma: “contamos com sua participação e engajamento (…) em torno do eixo central na eleição de Lula” (não o ACT, tampouco a transição energética, menos ainda a tão propalada “unificação”).
– Na resposta do Sindipetro-RJ, estranhamos este conteúdo, reapresentamos nossa proposta sobre unidade para lutar (que já é conhecida pelo menos há dois anos) e nos colocamos abertos ao debate, caso houvesse espaço para o diálogo e para a construção coletiva para as premissas e estratégias.
– Na réplica, reafirmam que “a unidade restrita à luta… tende a aprofundar as divisões”, que pretendem mesmo indicar gestores e que nossa participação deveria ser “conforme os termos já encaminhados”.
Ou seja, a PlenaFUP se apresentou sob o estandarte de temas urgentes e legítimos para a categoria: a busca por um “ACT forte” e uma “Transição Energética Justa”, mas uma rápida, porém atenta análise do discurso já nos revela a problemática subordinação da pauta sindical a um projeto eleitoral, transformando o que deveria ser um fórum de debates da categoria em um ato de campanha antecipada. Sem qualquer timidez, assumem que as eleições são o centro de tudo e que a autonomia do movimento sindical para eles precisa ser limitada a estar a reboque do calendário eleitoral e dos interesses do governo. A luta legítima da categoria para eles fica, assim, ofuscada pela sombra do palanque.
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